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5 carros elétricos baratos para comprar sem passar perrengue em 2026

Sem inflar muitos os preços, dá para encontrar elétricos usados bons e sem cair em modelos obscuros

5 min de leitura

Coloco aqui cinco carros elétricos baratos que eu realmente consideraria comprar. Sim, esses seriam os carros que consideraria na minha garagem. E nada de importado obscuro, vendido durante seis meses no Brasil, só porque ficou barato. O corte que coloco aqui é na casa dos R$ 100 mil e prioriza carros que ainda fazem sentido por aqui.

Além disso, conforme um levantamento do índice IBV, os elétricos ano 2022 perderam, em média, 50,1% do valor até agosto de 2026. Nos carros a combustão da mesma idade, a queda foi de 14,07%. Para quem pagou caro quando eram novos, doeu. Porém, para quem chega agora no mercado de usados, apareceram algumas oportunidades muito boas. ⁠

Todos os preços abaixo consideram a Tabela Fipe de setembro de 2026. Desta forma, o Auto+ separou cinco carros elétricos bons para comprar  ⁠em 2026 sem passar perrengue de autonomia tão limitada no ciclo urbano e bons negócios.

BYD Dolphin Mini 2024 — R$ 100.207

BYD Dolphin Mini amarelo parado em frente a um portão branco e com árvores ao fundo
BYD Dolphin Mini [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Comecemos pelo mais óbvio. O BYD Dolphin Mini é provavelmente o elétrico usado mais fácil de recomendar desta lista para alguém que simplesmente quer trocar gasolina por tomada. A Fipe marca R$ 100.207, mas já existem exemplares anunciados abaixo de R$ 100 mil. Além disso, não estamos falando de um elétrico antigo que ficou barato depois de envelhecer tecnologicamente. Ele chegou ao Brasil apenas em 2024. ⁠

O motor dianteiro entrega 75 cv e 13,8 kgfm, enquanto a bateria Blade LFP tem 38 kWh. São 280 km de autonomia pelo Inmetro, número muito mais confortável para o dia a dia do que os subcompactos mais antigos desta lista. Além disso, ele tem seis airbags, central giratória de 10,1 polegadas e leva cerca de 30 minutos para passar de 30% a 80% em carga rápida. ⁠

Peugeot e-208 GT 2023 — R$ 97.692

Peugeot e-208 GT [divulgação]
Peugeot e-208 GT [divulgação]

Aqui começa a parte realmente interessante da desvalorização dos elétricos. O Peugeot e-208 GT 2023 tem Fipe de R$ 97.692, embora exemplares anunciados possam custar bem mais. Quando chegou, esse mesmo carro custava mais de R$ 270 mil. Ou seja, perdeu uma quantidade absurda de dinheiro, mas o segundo dono encontra hoje um hatch muito mais sofisticado do que os elétricos originalmente vendidos nessa faixa. ⁠

São 136 cv e 26,5 kgfm, suficientes para deixar o e-208 bem esperto. A bateria tem 50 kWh e rende 220 km pelo Inmetro, enquanto uma estação DC de 100 kW consegue levar a carga a 80% em cerca de 30 minutos. Além disso, ele tem seis airbags, ACC e um acerto de chassi muito mais próximo de um hatch convencional do que de um simples carrinho elétrico urbano. ⁠

Nissan Leaf 2022 — R$ 94.918

Nissan Leaf Tekna [Auto+/ João Brigato]

Se a prioridade for espaço, conforto e desempenho, o Nissan Leaf talvez seja o carro mais completo daqui. A Fipe do modelo 2022 caiu para R$ 94.918. É impressionante quando lembramos que o hatch chegou a custar quase R$ 300 mil antes de deixar o mercado brasileiro. Nesse caso, quem bancou a desvalorização pesada foi o primeiro proprietário. ⁠

O Leaf entrega 149 cv e 32,6 kgfm, alimentado por uma bateria de 40 kWh. São 192 km de autonomia pela medição atual do Inmetro e bons 435 litros de porta-malas. Só existe um asterisco importante: a recarga rápida usa o padrão CHAdeMO, cada vez menos comum por aqui. Portanto, eu compraria um Leaf principalmente para quem consegue carregar em casa pelo conector Tipo 2. Resolvida essa questão, continua sendo um carro muito maduro. ⁠

Caoa Chery iCar 2023 — R$ 76.371

CAOA Chery iCar [divulgação]
CAOA Chery iCar [divulgação]

O Caoa Chery iCar é mais específico, mas justamente por isso ficou barato. A Fipe do 2023 está em R$ 76.371, e já existem anúncios abaixo de R$ 70 mil. Não é um carro para colocar quatro adultos, malas e sair viajando. Afinal, são apenas 3,20 metros de comprimento, duas portas e míseros 100 litros no porta-malas. Como segundo carro da casa ou para enfrentar cidade todos os dias, porém, é um bom companheiro. ⁠

O pequeno usa motor traseiro de 61 cv e 15,3 kgfm, com bateria de 30,8 kWh. A autonomia oficial chega a 197 km pelo Inmetro. Além disso, diferentemente de alguns elétricos chineses mais antigos, ele trabalha com Tipo 2 em corrente alternada e CCS2 na carga rápida. Há teto panorâmico, bancos dianteiros elétricos e ar-condicionado automático. Por outro lado, são apenas dois airbags. ⁠

Renault Kwid E-Tech 2024 — R$ 73.562

Renault Kwid E-Tech [Auto+ / João Brigato]
Renault Kwid E-Tech [Auto+ / João Brigato]

O mais barato fica para o final. Com Fipe de R$ 73.562, o Renault Kwid E-Tech 2024 custa hoje dinheiro de hatch 1.0 usado. Não precisamos inventar que ele virou um carrão porque ficou barato. Continua sendo um Kwid pequeno, simples e claramente urbano. Só que agora o preço começa a combinar muito melhor com aquilo que entrega. ⁠

Seu motor tem 65 cv e 11,5 kgfm, enquanto a bateria de apenas 26,8 kWh permite rodar 185 km pelo Inmetro. Parece pouco diante dos 280 km do Dolphin Mini, mas quem roda 40 ou 50 km por dia ainda passa vários dias sem carregar. Além disso, o Kwid aceita CCS Combo 2 e leva cerca de 40 minutos para passar de 15% a 80% em uma estação DC de 30 kW. 

E você, encararia um elétrico usado por menos de R$ 100 mil ou ainda prefere ficar nos carros a combustão? Deixe seu comentário!

4 comentários em “5 carros elétricos baratos para comprar sem passar perrengue em 2026”

  1. Cássio Oliveira

    Piada quem escolheu esses carros dizendo que é boa compra. Só desavisados que caem nesse golpe do bilhete premiado.

  2. Djalma Queiroz

    Tô procurando um elétrico.. acho que desses o byd ainda é a melhor opção

  3. Mark

    Acho que faltou citar o por que desses carros terem valor tão interessantes.

    1. BYD Dolphin Mini (2024)
    ​Instabilidade na suspensão traseira: Os exemplares do lote de lançamento (2024) possuem um acerto de suspensão traseira excessivamente macio. O veículo oscila bastante em ondulações da pista e transmite sensação de flutuação em curvas ou desníveis. (O acerto foi revisado pela montadora nas versões 2025/2026).
    ​Falha na bateria auxiliar de 12V: Há relatos de descarregamento precoce ou falha na bateria de 12 volts (responsável pela eletrônica e partida dos sistemas), o que impede o acionamento do sistema de alta tensão.
    ​Instabilidade de conectividade e aplicativo: Falhas frequentes na sincronização do aplicativo BYD, com perda de sinal 4G/Bluetooth para comandos remotos como pré-resfriamento da cabine.

    ​2. Peugeot e-208 GT (2023)
    ​Defeito crônico no compressor do ar-condicionado: É o ponto mais crítico do hatchback. O compressor elétrico/bomba de calor apresenta vulnerabilidade à umidade e oxidação precoce (motivo de recall e constantes reclamações na rede Stellantis). Como o sistema de climatização também resfria a bateria de tração, a falha do compressor pode bloquear o funcionamento do motor elétrico.
    ​Aplicativo MyPeugeot inconstante: Dificuldade recorrente de conexão remota, lentidão na atualização do status de carregamento e travamentos ao agendar recargas.
    ​Autonomia reduzida em rodovias: O consumo energético do motor de 136 cv cresce substancialmente acima de 110 km/h, fazendo a autonomia real em viagens cair para patamares bem inferiores aos 220 km declarados no uso misto.

    ​3. Nissan Leaf (2022)
    ​Degradação de bateria por arrefecimento passivo (Rapidgate): O Leaf não possui sistema de refrigeração líquida no pack de baterias (utiliza resfriamento a ar passivo). Em dias quentes ou durante viagens longas que exigem múltiplas recargas rápidas em corrente contínua (DC), a bateria aquece excessivamente, o sistema reduz bruscamente a taxa de carregamento e a degradação da capacidade (SOH) é acelerada.
    ​Conector de carga rápida CHAdeMO obsoleto: O plugue para recarga em DC é no padrão CHAdeMO (padrão japonês em desuso), enquanto o Brasil padronizou o CCS2 (Combo 2). Encontrar postos de recarga rápida com cabo CHAdeMO operacional nas estradas e cidades é um desafio crescente.
    ​Desgaste da suspensão dianteira: Construído sobre uma plataforma adaptada de veículo térmico, o Leaf concentra bastante peso sobre o eixo dianteiro, acelerando a folga de buchas, pivôs e amortecedores.

    ​4. Caoa Chery iCar (2023)
    ​Vulnerabilidade a furos e bolhas nos pneus: Com entre-eixos muito curto (2,15 m) e rodas aro 14 equipadas com pneus de perfil baixo para o peso do conjunto elétrico, o iCar absorve com rigidez os impactos de buracos, acumulando queixas de bolhas nos pneus e batidas secas na suspensão.
    ​Demora no fornecimento de peças: Por ter tido volume menor de vendas, proprietários relatam indisponibilidade imediata de peças de lataria, acabamentos específicos e módulos eletrônicos na rede autorizada.
    ​Espaço e porta-malas extremamente reduzidos: Trata-se de uma limitação de projeto: com porta-malas de apenas 100 litros e espaço traseiro simbólico, ele é estritamente um carro para uso urbano individual ou em dupla.

    ​5. Renault Kwid E-Tech (2024)
    ​Desgaste prematuro da suspensão dianteira: Pesando cerca de 200 kg a mais do que a versão flex a combustão, os componentes da suspensão dianteira (buchas de balança, pivôs e bieletas) apresentam ruídos e folgas precoces nas vias brasileiras.
    ​Taxa de recarga rápida limitada a 30 kW: O tempo de recarga rápida em corrente contínua é mais lento do que o dos concorrentes diretos (como o Dolphin Mini), exigindo mais tempo de parada em viagens.
    ​Isolamento acústico e acabamento simples: O nível de ruído interno (NVH) do rolamento dos pneus e do vento é elevado, acompanhado de plásticos rígidos no interior propensos a ruídos parasitas com o passar da quilometragem.
    ​🌐 Referências e Fontes
    ​Auto+ TV — 5 carros elétricos baratos para comprar sem passar perrengue em 2026
    ​Autoo / Mobiauto — BYD Dolphin Mini: principais problemas e relatos de donos
    ​Canal Dana — Recall do compressor de ar-condicionado do Peugeot e-208 GT
    ​InsideEVs — Comportamento térmico e carregamento rápido em baterias de elétricos
    ​NAZ / Reclame AQUI — Problemas crônicos e suspensão do Caoa Chery iCar
    ​CNN Brasil — Renault Kwid E-Tech e panorama no mercado nacional

    • Rodrigo

      Gostei muito dos seus comentários gostaria de saber mais. Você tem informações a respeito do King e song entre prós e contras (tipo os problemas enfrentados acima)?
      Obrigado.

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Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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