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Do lixo ao luxo

De fracassos a fortunas: 5 carros clássicos que viraram ouro

O encalhe nas concessionárias no passado gerou a escassez de unidades preservadas que hoje inflaciona as cotações.

3 min de leitura

A lógica do mercado de veículos antigos frequentemente premia o fracasso comercial do passado. Carros que registraram vendas baixas durante seu período de produção geraram uma oferta reduzida no mercado de usados. Essa escassez de exemplares preservados impulsiona a busca entre colecionadores e transforma modelos antes rejeitados em ativos altamente valorizados.

As baixas taxas de sobrevivência desses veículos ampliam o valor de mercado das poucas unidades que permanecem em estado original. A seguir, destacamos cinco modelos que encalharam no mercado nacional e hoje atingem valores astronômicos.

Ford Maverick enfrentou rejeição das motorizações de entrada no país

Ford Maverick [divulgação]
Ford Maverick [divulgação]

Vendido no Brasil entre 1973 e 1979, o Ford Maverick clássico sofreu com a rejeição das motorizações de quatro e seis cilindros. O desempenho fraco e o consumo elevado das opções de entrada sufocaram as vendas do modelo perante o rival Chevrolet Opala. Décadas após o fim da produção, o apelo pelo motor V8 e a escassez de carrocerias íntegras transformaram o cupê em um dos antigos mais caros do país.

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VW 1600 (Zé do Caixão) [divulgação]

Lançado em 1968 com linhas retas e quatro portas, o Volkswagen 1600 sedã ganhou o apelido popular de Zé do Caixão por conta do seu formato e das maçanetas das portas. O fracasso nas concessionárias motivou o fim precoce do modelo em 1970, acumulando pouco mais de 24 mil unidades produzidas. A baixa tiragem tornou o sedã um dos itens mais raros do acervo da marca alemã.

DKW Fissore destacou-se pelo desenho italiano e tiragem reduzida

DKW-Vemag Fissore [reprodução]
DKW-Vemag Fissore [reprodução]

Produzido pela DKW-Vemag entre 1964 e 1967, o Fissore ostentava um desenho assinado pelo estúdio italiano Carrozzeria Fissore. O modelo utilizava o motor tricilíndrico de dois tempos e teve a montagem encerrada após a compra da empresa pela Volkswagen. Com apenas 2.500 exemplares fabricados, o sedã atingiu status de peça de museu pela raridade extrema do seu conjunto mecânico.

Fusca Pé-de-Boi perdeu equipamentos básicos para reduzir custo

VW Fusca Pé-de-Boi [reprodução]
VW Fusca Pé-de-Boi [reprodução]

A Volkswagen lançou o Fusca Pé-de-Boi em 1964 para atender a um programa estatal de incentivo a carros populares. Para reduzir custos, a fábrica removeu frisos, marcadores de combustível, tampa do porta-luvas e acabamentos cromados. A baixa procura e a alteração dos carros pelos proprietários da época exterminaram a maioria dos exemplares originais, elevando o preço das poucas unidades sobreviventes.

Gurgel BR-800 sucumbiu à abertura de mercado e aos populares 1.0

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Gurgel BR-800 [divulgação]

O engenheiro Amaral Gurgel desenvolveu o BR-800 entre 1988 e 1991 como o primeiro veículo totalmente concebido e produzido no Brasil, sucedido depois pelo Supermini. No entanto, a abertura das importações e a criação do incentivo fiscal para os motores 1.0 das marcas tradicionais inviabilizaram o negócio em 1990. A concordata e a subsequente falência da Gurgel em 1994 interromperam a trajetória dos subcompactos nacionais. A produção restrita fez do BR-800 e do Supermini itens de coleção disputados por entusiastas.

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