A lógica do mercado de veículos antigos frequentemente premia o fracasso comercial do passado. Carros que registraram vendas baixas durante seu período de produção geraram uma oferta reduzida no mercado de usados. Essa escassez de exemplares preservados impulsiona a busca entre colecionadores e transforma modelos antes rejeitados em ativos altamente valorizados.
As baixas taxas de sobrevivência desses veículos ampliam o valor de mercado das poucas unidades que permanecem em estado original. A seguir, destacamos cinco modelos que encalharam no mercado nacional e hoje atingem valores astronômicos.
Ford Maverick enfrentou rejeição das motorizações de entrada no país
![Ford Maverick [divulgação]](https://uploads.automaistv.com.br/2024/01/ford_maverick_grabber_3-750x450.jpeg)
Vendido no Brasil entre 1973 e 1979, o Ford Maverick clássico sofreu com a rejeição das motorizações de quatro e seis cilindros. O desempenho fraco e o consumo elevado das opções de entrada sufocaram as vendas do modelo perante o rival Chevrolet Opala. Décadas após o fim da produção, o apelo pelo motor V8 e a escassez de carrocerias íntegras transformaram o cupê em um dos antigos mais caros do país.
Volkswagen 1600 teve vida curta após apelido popular pejorativo

Lançado em 1968 com linhas retas e quatro portas, o Volkswagen 1600 sedã ganhou o apelido popular de Zé do Caixão por conta do seu formato e das maçanetas das portas. O fracasso nas concessionárias motivou o fim precoce do modelo em 1970, acumulando pouco mais de 24 mil unidades produzidas. A baixa tiragem tornou o sedã um dos itens mais raros do acervo da marca alemã.
DKW Fissore destacou-se pelo desenho italiano e tiragem reduzida
![DKW-Vemag Fissore [reprodução]](https://uploads.automaistv.com.br/2024/01/1965_DKW-Vemag_Fissore-750x450.jpg)
Produzido pela DKW-Vemag entre 1964 e 1967, o Fissore ostentava um desenho assinado pelo estúdio italiano Carrozzeria Fissore. O modelo utilizava o motor tricilíndrico de dois tempos e teve a montagem encerrada após a compra da empresa pela Volkswagen. Com apenas 2.500 exemplares fabricados, o sedã atingiu status de peça de museu pela raridade extrema do seu conjunto mecânico.
Fusca Pé-de-Boi perdeu equipamentos básicos para reduzir custo
![VW Fusca Pé-de-Boi [reprodução]](https://uploads.automaistv.com.br/2024/01/Fusca-pe-de-boi-750x450.jpg)
A Volkswagen lançou o Fusca Pé-de-Boi em 1964 para atender a um programa estatal de incentivo a carros populares. Para reduzir custos, a fábrica removeu frisos, marcadores de combustível, tampa do porta-luvas e acabamentos cromados. A baixa procura e a alteração dos carros pelos proprietários da época exterminaram a maioria dos exemplares originais, elevando o preço das poucas unidades sobreviventes.
Gurgel BR-800 sucumbiu à abertura de mercado e aos populares 1.0

O engenheiro Amaral Gurgel desenvolveu o BR-800 entre 1988 e 1991 como o primeiro veículo totalmente concebido e produzido no Brasil, sucedido depois pelo Supermini. No entanto, a abertura das importações e a criação do incentivo fiscal para os motores 1.0 das marcas tradicionais inviabilizaram o negócio em 1990. A concordata e a subsequente falência da Gurgel em 1994 interromperam a trajetória dos subcompactos nacionais. A produção restrita fez do BR-800 e do Supermini itens de coleção disputados por entusiastas.
![Ford Maverick [divulgação]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2024/02/ford_maverick_grabber_7-1320x791.jpeg)

