Se hoje a Citroën e a Peugeot oferecem utilitários esportivos, o passado não foi tão glorioso assim. Antes de criarem plataformas próprias, os fabricantes precisaram apelar para a Mitsubishi para não ficarem de fora do segmento. Os quatro primeiros SUVs da linhagem francesa nada mais eram do que versões rebatizadas dos modelos Outlander e ASX, uma estratégia de sobrevivência que entregou carros robustos, mas com pouca personalidade europeia.
Outlander com sabor de croissant: a tentativa de entrar na moda
Apresentado em 2006, o Mitsubishi Outlander de segunda geração virou um fenômeno global de vendas. Percebendo o bonde passar, a então PSA viu no SUV médio japonês o atalho perfeito. Em 2007, surgiram os primos Peugeot 4007 e Citroën C-Crosser. Ambos saíam das linhas de montagem no Japão e na Rússia com a promessa de emplacar 30 mil unidades anuais cada. A realidade, contudo, foi um balde de água fria: as vendas nunca chegaram perto da meta.
No visual, a Peugeot tentou imprimir sua marca com a típica grade sorridente no 4007, usando faróis arredondados e o logotipo posicionado como um nariz. Já o Citroën C-Crosser apostou em faróis gigantes conectados pelo duplo chevron da grade. Na traseira, as lanternas vermelhas tentavam esconder a origem japonesa, mas a tampa dividida em duas partes entregava o DNA do Outlander original. Por dentro, o desânimo era maior: a única diferença entre o trio era o logotipo no centro do volante.


Citroën, Peugeot e Mitsubishi: mecânica mista
Sob o capô, os SUVs franceses compartilhavam o conjunto mecânico. A opção a gasolina utilizava o motor 2.4 de quatro cilindros aspirado, um propulsor que a Fiat também usou em solo brasileiro, entregando 170 cv. Para quem buscava torque, o diesel era um 2.2 turbo de 156 cv.
O câmbio variava entre o manual de seis marchas ou o automático com o mesmo número de relações, com tração dianteira ou 4×4 dependendo da configuração. Apesar da robustez mecânica, o público europeu não comprou a ideia de um Mitsubishi com emblema de leão.

O eterno Mitsubishi: do Outlander para o ASX
Quando chegou a hora de renovar a frota em 2012, a PSA tomou a decisão de subir de nível com a nova geração do Outlander. Assim nasceram o Peugeot 4008 e o Citroën C4 Aircross, ambos baseados inteiramente no Mitsubishi ASX. Novamente produzidos no Japão e exportados para a Europa, eles repetiram o fracasso dos antecessores, mesmo com um esforço maior da engenharia francesa para diferenciar o design.
O Peugeot 4008 adotou a identidade visual do primeiro 208, com faróis afilados e um capô vincado que tentava conversar com a lateral do ASX. Do lado da Citroën, o C4 Aircross ganhou LEDs diurnos verticais e um para-choque arredondado que remetia ao C4 da época. Na mecânica, a salada era completa: motores 1.6 e 2.0 aspirados da Mitsubishi conviviam com o 1.6 diesel de origem PSA e o 1.8 diesel japonês.


O fim da linha e a redenção francesa
Diferente do ASX original, a Peugeot e a Citroën mataram seus clones em 2017. A Citroën substituiu o C4 Aircross pelo C4 Cactus e pelo C5 Aircross, enquanto o Peugeot 4008 abriu espaço para o sucesso estrondoso do 2008 e do 3008 de segunda geração. Foi apenas quando as marcas decidiram projetar seus próprios SUVs que o jogo virou, transformando o fracasso dos rebatizados em uma liderança de mercado incontestável.
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