Se os SUVs de hoje em dia já parecem verdadeiras jamantas sobre rodas, a Ford levou esse conceito ao extremo há duas décadas. Produzido entre 1999 e setembro de 2005, o Ford Excursion ostenta até hoje o título de maior SUV que a marca do oval azul já produziu em sua história. E ele teve até motor V10 sob o capô.
O projeto do Excursion surgiu após a reorganização da linha de utilitários da Ford. No entanto, a marca aposentou o icônico Bronco para lançar o Expedition, um modelo baseado na picape F-150. Ele tinha porte intermediário para encarar os rivais da Chevrolet, Tahoe e Suburban.
Contudo, para peitar os utilitários ainda maiores do mercado norte-americano, a Ford decidiu erguer um SUV a partir da plataforma Heavy-Duty das picapes F-250 e F-350. Esses modelos traziam maior capacidade de carga, suspensão reforçada para o trabalho pesado e dimensões brutais.

Ford Excursion era gigante até no motor
O ponto de partida foi a F-250, da qual o SUV herdou o desenho dianteiro e boa parte do acabamento interno. As medidas finais, no entanto, colocaram o Excursion no mesmo porte do furgão comercial E-350. Ao todo, eram colossais 5,75 m de comprimento, 2,03 m de altura, 2,03 m de largura e impressionantes 3,48 m de entre-eixos.
Para efeito de comparação, o Excursion era 56 cm mais longo que o Expedition e apenas 13 cm mais curto do que uma F-150 atual. Além disso, para mover essa mola mestra de 3.500 kg, a Ford precisou convocar seus motores mais brutos.

Ao longo de sua trajetória, o SUV gigante contou com o gasolina V8 5.4 Triton de 259 cv e, sobretudo, o emblemático V10 6.8 de 314 cv. A linha a diesel teve duas etapas: começou com o V8 7.3 turbodiesel de 250 cv, substituído em 2003 pelo V8 6.0 de 330 cv. Apenas este último diesel trazia câmbio automático de seis marchas; todo o restante do catálogo usava caixa automática de quatro velocidades.
Se você deduziu que o consumo era um pesadelo por conta do tamanho e do peso, acertou em cheio. Aliás, segundo medições da época, a versão V10 custava a fazer 5 km/l no uso rodoviário. Ao menos, o colosso conseguia transportar até nove passageiros com folga e ainda manter um porta-malas generoso.


Abertura estilo Fiat Toro?
Um dos detalhes mais exóticos do Ford Excursion era a solução adotada para a tampa do porta-malas. O modelo utilizava um sistema triplo: a vigia de vidro subia tradicionalmente, enquanto as duas metades inferiores se abriam para os lados, como portas de celeiro (mecanismo similar ao utilizado atualmente na caçamba da Fiat Toro). Tanto a versão XLT quanto a topo de linha Limited traziam essa configuração.
Apesar do porte e da proposta extravagante, as vendas nunca decolaram. O volume ficou bem abaixo da expectativa da Ford, que projetava 70 mil unidades por ano. A situação era tão crítica que o Excursion se tornou o SUV menos vendido do grupo em 2001. Sem forças para se sustentar, saiu de linha em 2005 e ainda garantiu uma amarga posição na lista dos 50 piores carros da história da revista Time, em 2007.

O Excursion partiu sem deixar um sucessor direto na linha da Ford. Seu papel no portfólio acabou absorvido parcialmente pelo Expedition Max, versão esticada do SUV derivado da F-150. A história provou que o mercado consome picapes pesadas com apetite, mas não tem espaço para SUVs gigantes baseados em plataformas de caminhão.
E você, encararia a garagem com um SUV desse tamanho? Teria um Ford Excursion com motor V10? Escreva nos comentários!

