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Entre design e ergonomia

5 soluções atuais que são vilãs da ergonomia

Escolhemos 5 soluções automotivas da atualidade que são vilãs da ergonomia: de maçanetas retráteis a saídas de ar digitais

4 min de leitura

A busca por superfícies lisas e limpas acabou atropelando alguns princípios básicos de ergonomia. O que é frequentemente vendido como minimalismo esconde, na verdade, uma estratégia de corte de custos. O resultado dessa simplificação é uma coleção de soluções pretensamente modernas que causam frustração diária no motorista e exigem desvios de atenção ao volante.

Com o pretexto de entregar cabines futuristas, engenheiros e designers transformaram gestos simples e intuitivos em processos burocráticos intermediados por telas ou sensores. Da chave de presença às aletas do ar-condicionado, a obsessão escancarou os limites da usabilidade real. Selecionamos cinco soluções atuais que se tornaram verdadeiras vilãs da ergonomia no uso diário.

Maçanetas retráteis

Zeekr 7X [Auto+ / João Brigato]
Zeekr 7X [Auto+ / João Brigato]

Quando fechadas, as maçanetas retráteis deixam a lataria totalmente lisa e auxiliam na aerodinâmica ao reduzir o atrito com o ar, uma saída valiosa para otimizar a eficiência nos carros elétricos. Apesar disso, em colisões mais fortes, a falha no sistema elétrico pode impedir que as hastes saltem para fora, o que dificulta ou atrasa o resgate das vítimas.

Por conta desse risco, entidades como o Euro NCAP e autoridades globais passaram a exigir sistemas mecânicos diretos de liberação das portas, acessíveis tanto por dentro quanto por fora, independentemente de haver energia no veículo. Como resultado, algumas marcas já começaram a abandonar a solução ou retornar aos controles tradicionais.

A ergonomia no ajuste dos retrovisores pela multimídia

Ergonomia: Volvo Ex30 Core branco parado de frente com muro e plantas ao fundo
Volvo EX30 Core [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

A transferência dos controles para o multimídia representa uma das mudanças mais controversas na ergonomia moderna. Vendida como minimalismo, essa solução esconde uma estratégia para redução de custos: posicionar os comandos na porta exige chicotes elétricos longos e módulos dedicados, enquanto mover tudo para a tela gera economia de fiação, conectores e peças plásticas.

Na prática, o condutor é obrigado a navegar por menus para realizar o ajuste pelos comandos do volante. O Volvo EX30 adota uma solução ainda mais confusa em ergonomia ao usar apenas dois botões para os quatro vidros: para acionar os traseiros, é preciso pressionar a tecla REAR antes de usar o mesmo interruptor, o que frequentemente leva ao acionamento da janela errada.

Chave cartão

Ergonomia: chave em formato de cartão do Leapmotor C10 REEv
Leapmotor C10 REEV [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

A função primordial de uma chave é destravar e travar o veículo com praticidade. Ainda assim, alguns fabricantes optaram por substituir o item por um cartão. O SUV Leapmotor C10 reúne esse recurso, as maçanetas retráteis e o ajuste dos espelhos na multimídia em um único pacote.

Contudo, o uso do cartão mostra-se incômodo tanto na rotina quanto na ergonomia assim que o fator novidade passa, sem contar a facilidade de perda. A inventividade da indústria não encontra limites, porém, certos itens funcionavam melhor em seu formato tradicional.

Entre a ergonomia e o volante com comandos táteis

Mercedes-AMG G 63 [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Os botões sensíveis ao toque no volante permitem alternar telas e ajustar o volume deslizando os dedos, mas viraram um pesadelo quando falamos de ergonomia. O principal problema aparece na falta de precisão da resposta e na alta sensibilidade a toques acidentais. Ao esterçar o volante em manobras, é comum esbarrar a mão, trocando de estação de rádio ou alterando o volume involuntariamente.

A tecnologia também foi levada aos comandos do ar-condicionado, mas a rejeição do público já faz algumas marcas iniciarem o retorno aos botões físicos convencionais.

Controles digitais para o fluxo de ar

Ergonomia: interior Porsche Taycan Cross Turismo Turbo
Porsche Taycan Cross Turismo Turbo [Auto+ / João Brigato]

Se alterar a temperatura do ar-condicionado pela tela central já exige desvio de atenção, fabricantes como a Porsche levaram a complicação além ao eliminar as aletas manuais das saídas de ar. Para mudar a direção do vento, o motorista precisa abrir um menu específico no multimídia e arrastar o fluxo com o dedo na tela.

Uma tarefa antes simples e intuitiva transformou-se em um processo burocrático em nome de um painel limpo, obrigando o condutor a tirar os olhos da via.

E você, acha que a Volvo e outras marcas acertaram ao resgatar os comandos físicos de volta? Escreva nos comentários.

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