O segmento de SUVs compactos é, atualmente, o mais disputado do Brasil, mas todos os modelos atuais devem sua existência a um desbravador: o Ford EcoSport. Ele foi o primeiro utilitário esportivo derivado de um hatch compacto a democratizar a postura elevada de dirigir, criando um desejo que mudaria o comportamento do consumidor brasileiro para sempre.
Tudo começou no Salão do Automóvel de São Paulo em 2002, quando a Ford revelou o projeto Amazon. Baseado na quinta geração do Fiesta, o modelo trazia um visual quadrado e parrudo, com o estepe pendurado na tampa traseira, elemento que se tornaria sua assinatura visual por quase duas décadas.
O início em Camaçari e a fase da solidão
A produção foi concentrada na planta de Camaçari, na Bahia, e o lançamento oficial ocorreu em 2003. Na época, a Ford oferecia o polêmico motor 1.0 Supercharger de 95 cv, que sofria para embalar o peso do SUV, além do veterano 1.6 Zetec Rocam e do 2.0 aspirado para as versões de topo.
![Ford EcoSport 4WD 2004 [divulgação]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/04/EcoSport4WD-1_edited-edited.webp)
Durante anos, o EcoSport reinou praticamente sozinho em sua categoria. Em 2005, o modelo 1.6 tornou-se flex e, em 2007, recebeu a primeira reestilização junto com a opção de câmbio automático de quatro marchas. Naquele momento, seu maior incômodo não vinha de outros SUVs, mas sim das peruas e hatches médios que perdiam espaço para o seu estilo aventureiro.
A segunda geração e a ambição global
Em 2012, a Ford elevou o patamar do projeto ao apresentar a segunda geração de forma simultânea no Brasil, Índia e China. O modelo tornava-se um veículo global, agora baseado na plataforma do New Fiesta e exibindo um design muito mais arredondado e tecnológico, com a grade frontal que remetia à boca de um tubarão.
![Ford EcoSport [divulgação]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/04/ford_ecosport_197_edited-edited.webp)
Essa fase marcou o amadurecimento do SUV, que passou a contar com controles de tração e estabilidade. Contudo, a concorrência começou a se mexer com a chegada do Renault Duster, seguido anos depois por uma avalanche de rivais como Jeep Renegade, Honda HR-V e Hyundai Creta, que acabaram com o sossego da Ford.
O polêmico Powershift e a renovação final
Um ponto crítico na trajetória do modelo foi a adoção do câmbio automatizado de dupla embreagem Powershift. Embora moderno na teoria, a transmissão apresentou problemas crônicos de trepidação e superaquecimento, o que acabou manchando a reputação das versões automáticas da marca por um longo período no mercado de usados.

A última grande cartada veio em 2018, quando o EcoSport recebeu um interior refinado e o motor 1.5 de três cilindros com 137 cv. A Ford finalmente substituiu o Powershift por um câmbio automático convencional de seis marchas e lançou a versão Storm com tração 4×4. Foi nessa época que surgiram as versões sem o estepe externo, utilizando pneus Run Flat.
O adeus inesperado e o legado nas ruas
Apesar de ainda ser competitivo, o ciclo do EcoSport no Brasil terminou de forma abrupta em 2021. A decisão da Ford de encerrar a produção nacional e fechar a fábrica de Camaçari pegou o mercado de surpresa, transformando um dos seus maiores sucessos em um modelo descontinuado da noite para o dia.

Hoje, o EcoSport mantém uma boa procura no mercado de seminovos, sendo valorizado pela mecânica conhecida e pela facilidade de manutenção nas versões manuais. Ele encerrou sua jornada como o precursor de uma era, provando que a criatividade da engenharia brasileira poderia ditar tendências para o resto do mundo.
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