A correia dentada banhada a óleo, que é um dos assuntos mais polêmicos que envolve os motores Chevrolet no Brasil, agora coloca a Ford sob pressão nos Estados Unidos. Com isso, o órgão de segurança dos Estados Unidos está fazendo uma investigação que envolve 135.551 unidades de Fiesta, Focus e EcoSport equipados com motor 1.0.
A National Highway Traffic Safety Administration (NHTSA) encontrou indícios de que a correia pode se degradar, comprometer a lubrificação do motor e provocar até perda total de potência durante a condução. Até agora, isso não é um recall.
A agência governamental abriu então a chamada Engineering Analysis (análise de engenharia), etapa mais aprofundada da investigação e que pode terminar em uma convocação de recall caso o defeito seja confirmado como risco à segurança.

Os números, porém, explicam por que a situação foi avançando cada vez mais. A NHTSA contabilizou 355 ocorrências únicas, muitas delas seguindo uma sequência parecida: primeiro aparece a advertência de baixa pressão do óleo e, pouco depois, o motor perde potência ou simplesmente para.
Por enquanto, o órgão não relacionou esses 355 episódios a acidentes, feridos ou mortes. Ainda assim, o órgão entende que o motorista pode não receber tempo suficiente para perceber que uma falha grave está prestes a acontecer.
Correia pode se desfazer dentro do motor
A investigação envolve diferentes configurações do conhecido motor 1.0 EcoBoost da Ford. Entram na análise os Fiesta 2014 a 2017 e Focus 2015 a 2018 com motor 1.0 e câmbio manual. Além deles, aparecem EcoSport 2018 a 2021 e Focus 2016 a 2018 com 1.0 automático.
![Ford EcoSport [divulgação]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2024/07/ford_ecosport-1320x792.webp)
O problema citado é que o metal começa a se deteriorar. Segundo a análise preliminar, fragmentos da correia podem circular pelo óleo e se acumular na tela de captação da bomba. Com a passagem obstruída, a pressão do lubrificante começa a cair.
Quanto maior o acúmulo, menor fica a capacidade de lubrificar corretamente o motor. Na pior situação, a falta de óleo pode provocar perda de potência e até travamento do propulsor enquanto o carro está em movimento. Por isso, a NHTSA considera que existe um risco injustificável à segurança dos veículos e decidiu aprofundar os testes.
Problema apareceu muito antes da troca prevista
Outro ponto chamou bastante atenção dos investigadores. A Ford previa originalmente a substituição da correia a cerca de 241 mil km. Entretanto, os casos de falha analisados aconteceram, em média, com aproximadamente mais de 112 mil km.

Além disso, a empresa prevê reembolsar clientes elegíveis que já tenham pago reparos ou até a substituição do motor devido a problemas relacionados à correia. Mesmo assim, para a NHTSA, a medida não encerra a discussão.
Ford já teve outro recall parecido
Não é a primeira vez que o motor 1.0 da Ford enfrenta problemas envolvendo correias e pressão de óleo nos Estados Unidos. No fim de 2023, a fabricante convocou 139.730 Focus e EcoSport equipados com o 1.0 e câmbio automático.
Naquele caso, entretanto, o defeito estava na correia de acionamento da bomba de óleo e em seu tensionador, portanto não era exatamente a mesma falha investigada agora.
E o que isso tem a ver com a Chevrolet?

É aqui que a história fica familiar para o brasileiro, já que os modelos da Chevrolet tem problemas semelhantes no Onix, Onix Plus, Tracker e Montana, que usam motores de três cilindros com correia dentada banhada a óleo.
A tecnologia, por si só, não é necessariamente um defeito. Ao trabalhar lubrificada dentro do motor, a correia produz menos ruído, reduz algumas perdas mecânicas e pode alcançar intervalos de substituição muito maiores. A própria Chevrolet prevê troca aos 240 mil km.
O problema aparece quando o material da correia perde suas propriedades. No caso dos Chevrolet, a GM sustenta que o uso de óleo fora da especificação correta está diretamente relacionado à degradação antecipada.

Por isso, exige lubrificante com certificação Dexos e aditivação compatível com o material da correia. No entanto, proprietários dos modelos já afirmaram que mesmo usando o óleo de prefixo correto também teve problemas.
Por isso, a situação da Ford é parecida, embora lá a NHTSA diz com os dados obtidos durante a investigação encontraram falhas mesmo em veículos com evidências de manutenção adequada e trocas regulares de óleo. Nesse caso, falamos de uma semelhança técnica: nas duas situações, uma correia trabalhando mergulhada no óleo virou protagonista de degradação, manutenção e possíveis prejuízos ao motor.
Chevrolet já mudou sua correia
A repercussão foi tão grande no Brasil que a própria Chevrolet realizou mudanças no componente. Na linha 2026 do Tracker, Onix e Onix Plus, a fabricante passou a utilizar uma nova correia, inclusive de outro fornecedor. A peça ganhou reforços e ficou mais resistente ao contato ocasional, segundo a marca. Assim, a fabricante afirma que ela aguenta até com lubrificantes inadequados.
Fiesta brasileiro também teve EcoBoost com correia no óleo

A história da Ford também não é completamente distante do nosso mercado. O Fiesta 1.0 EcoBoost turbo a gasolina que foi vendido no Brasil a partir de 2016 também utilizou correia dentada banhada a óleo.
Na época, a Ford divulgava um intervalo de aproximadamente 240 mil km para o componente. Isso, porém, não significa que os Fiesta vendidos no Brasil estejam automaticamente envolvidos na investigação atual.
O processo da NHTSA trata de uma população específica de veículos do mercado norte-americano. Qualquer eventual convocação brasileira dependeria de uma decisão própria da Ford e das autoridades daqui.
Recall ainda não está confirmado

Por enquanto, portanto, nenhum desses 135 mil carros entrou oficialmente em um recall. A NHTSA avança na avaliação para a análise de engenharia, justamente para determinar o que será feito. Ela pode resultar em recall, mas também pode terminar sem uma nova convocação.
Segundo a Reuters, a Ford não havia se pronunciado imediatamente sobre a nova etapa da investigação. Vale lembrar que o Fiesta, Focus e EcoSport também já deixaram a linha norte-americana.
Você teria hoje um carro equipado com correia dentada banhada a óleo? Deixe seu comentário!



De maneira nenhuma isso é uma covardia dessas montadoras pra economizar e ganhar mais, é a famigerada ganância dos americanos infelizmente.