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Ford enfrenta problema em seus carros que é pesadelo da Chevrolet

NHTSA está investigando Fiesta, Focus e EcoSport com motor 1.0 EcoBoost após 355 casos envolvendo correia banhada a óleo e perda de potência

6 min de leitura

A correia dentada banhada a óleo, que é um dos assuntos mais polêmicos que envolve os motores Chevrolet no Brasil, agora coloca a Ford sob pressão nos Estados Unidos. Com isso, o órgão de segurança dos Estados Unidos está fazendo uma investigação que envolve 135.551 unidades de Fiesta, Focus e EcoSport equipados com motor 1.0. 

A National Highway Traffic Safety Administration (NHTSA) encontrou indícios de que a correia pode se degradar, comprometer a lubrificação do motor e provocar até perda total de potência durante a condução. Até agora, isso não é um recall. 

A agência governamental abriu então a chamada Engineering Analysis (análise de engenharia), etapa mais aprofundada da investigação e que pode terminar em uma convocação de recall caso o defeito seja confirmado como risco à segurança. 

Ford Focus (divulgação)

Os números, porém, explicam por que a situação foi avançando cada vez mais. A NHTSA contabilizou 355 ocorrências únicas, muitas delas seguindo uma sequência parecida: primeiro aparece a advertência de baixa pressão do óleo e, pouco depois, o motor perde potência ou simplesmente para. 

Por enquanto, o órgão não relacionou esses 355 episódios a acidentes, feridos ou mortes. Ainda assim, o órgão entende que o motorista pode não receber tempo suficiente para perceber que uma falha grave está prestes a acontecer.

Correia pode se desfazer dentro do motor

A investigação envolve diferentes configurações do conhecido motor 1.0 EcoBoost da Ford. Entram na análise os Fiesta 2014 a 2017 e Focus 2015 a 2018 com motor 1.0 e câmbio manual. Além deles, aparecem EcoSport 2018 a 2021 e Focus 2016 a 2018 com 1.0 automático. 

Ford EcoSport [divulgação]
Ford EcoSport [divulgação]

O problema citado é que o metal começa a se deteriorar. Segundo a análise preliminar, fragmentos da correia podem circular pelo óleo e se acumular na tela de captação da bomba. Com a passagem obstruída, a pressão do lubrificante começa a cair. 

Quanto maior o acúmulo, menor fica a capacidade de lubrificar corretamente o motor. Na pior situação, a falta de óleo pode provocar perda de potência e até travamento do propulsor enquanto o carro está em movimento.  Por isso, a NHTSA considera que existe um risco injustificável à segurança dos veículos e decidiu aprofundar os testes. 

Problema apareceu muito antes da troca prevista

Outro ponto chamou bastante atenção dos investigadores. A Ford previa originalmente a substituição da correia a cerca de 241 mil km. Entretanto, os casos de falha analisados aconteceram, em média, com aproximadamente mais de 112 mil km. 

Ford Fiesta [Divulgação]

Além disso, a empresa prevê reembolsar clientes elegíveis que já tenham pago reparos ou até a substituição do motor devido a problemas relacionados à correia. Mesmo assim, para a NHTSA, a medida não encerra a discussão.

Ford já teve outro recall parecido

Não é a primeira vez que o motor 1.0 da Ford enfrenta problemas envolvendo correias e pressão de óleo nos Estados Unidos. No fim de 2023, a fabricante convocou 139.730 Focus e EcoSport equipados com o 1.0 e câmbio automático.

Naquele caso, entretanto, o defeito estava na correia de acionamento da bomba de óleo e em seu tensionador, portanto não era exatamente a mesma falha investigada agora. 

E o que isso tem a ver com a Chevrolet?

Chevrolet Onix RS lateral
Chevrolet Onix RS [Auto+ / João Brigato]

É aqui que a história fica familiar para o brasileiro, já que os modelos da Chevrolet tem problemas semelhantes no Onix, Onix Plus, Tracker e Montana, que usam motores de três cilindros com correia dentada banhada a óleo. 

A tecnologia, por si só, não é necessariamente um defeito. Ao trabalhar lubrificada dentro do motor, a correia produz menos ruído, reduz algumas perdas mecânicas e pode alcançar intervalos de substituição muito maiores. A própria Chevrolet prevê troca aos 240 mil km. 

O problema aparece quando o material da correia perde suas propriedades. No caso dos Chevrolet, a GM sustenta que o uso de óleo fora da especificação correta está diretamente relacionado à degradação antecipada. 

Chevrolet Tracker RS 2026 vermelho parado de traseira
Chevrolet Tracker RS 2026 [Auto+/Rafael Pocci Déa]

Por isso, exige lubrificante com certificação Dexos e aditivação compatível com o material da correia. No entanto, proprietários dos modelos já afirmaram que mesmo usando o óleo de prefixo correto também teve problemas. 

Por isso, a situação da Ford é parecida, embora lá a NHTSA diz com os dados obtidos  durante a investigação encontraram falhas mesmo em veículos com evidências de manutenção adequada e trocas regulares de óleo.  Nesse caso, falamos de uma semelhança técnica: nas duas situações, uma correia trabalhando mergulhada no óleo virou protagonista de degradação, manutenção e possíveis prejuízos ao motor. 

Chevrolet já mudou sua correia

A repercussão foi tão grande no Brasil que a própria Chevrolet realizou mudanças no componente. Na linha 2026 do Tracker, Onix e Onix Plus, a fabricante passou a utilizar uma nova correia, inclusive de outro fornecedor.  A peça ganhou reforços e ficou mais resistente ao contato ocasional, segundo a marca. Assim, a fabricante afirma que ela aguenta até com lubrificantes inadequados.

Fiesta brasileiro também teve EcoBoost com correia no óleo

Ford Fiesta EcoBoost [Divulgação]

A história da Ford também não é completamente distante do nosso mercado. O Fiesta 1.0 EcoBoost turbo a gasolina que foi vendido no Brasil a partir de 2016 também utilizou  correia dentada banhada a óleo.

Na época, a Ford divulgava um intervalo de aproximadamente 240 mil km para o componente. Isso, porém, não significa que os Fiesta vendidos no Brasil estejam automaticamente envolvidos na investigação atual.

O processo da NHTSA trata de uma população específica de veículos do mercado norte-americano. Qualquer eventual convocação brasileira dependeria de uma decisão própria da Ford e das autoridades daqui.

Recall ainda não está confirmado

Ford Focus mk3 [divulgação]

Por enquanto, portanto, nenhum desses 135 mil carros entrou oficialmente em um recall. A NHTSA avança na avaliação para a análise de engenharia, justamente para determinar o que será feito. Ela pode resultar em recall, mas também pode terminar sem uma nova convocação.

Segundo a Reuters, a Ford não havia se pronunciado imediatamente sobre a nova etapa da investigação. Vale lembrar que o Fiesta, Focus e EcoSport também já deixaram a linha norte-americana. 

Você teria hoje um carro equipado com correia dentada banhada a óleo? Deixe seu comentário!

1 comentário em “Ford enfrenta problema em seus carros que é pesadelo da Chevrolet”

  1. Osnildo Caron

    De maneira nenhuma isso é uma covardia dessas montadoras pra economizar e ganhar mais, é a famigerada ganância dos americanos infelizmente.

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Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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