Fui uma criança que cresceu nos anos 2000, o verdadeiro auge dos videogames, especialmente para quem ama carros. Verdadeiros diamantes das corridas virtuais nasceram nessa época, como Need For Speed Underground, Gran Turismo 4, Midnight Club 3 Dub Edition, Forza Motorsport 4, Burnout 3 Takedown e Test Drive Unlimited. Mas parece que o brilho se foi.
Não é porque cresci e troquei o joystick por um volante de verdade (até porque sigo fazendo essa troca). O problema é que os jogos de carros atuais parecem mais preocupados em fazer a melhor reprodução do botão do vidro elétrico de um Porsche 911 GT3 RS do que com a diversão real.
Os jogos de antigamente eram mais acessíveis na jogabilidade, tinham campanhas instigantes e não temiam enredos simples que somavam à experiência. Infelizmente, a realidade hoje é outra.


Jogos: a decadência de Need For Speed
Era animador ver um novo Need For Speed por ano. A franquia se aperfeiçoava a cada lançamento. Os dois primeiros Undergrounds, Most Wanted e Carbon são, até hoje, o quarteto de ouro da marca. Eram jogos com listas enxutas de carros, muita personalização, vários tipos de corridas e jogabilidade intuitiva.
Hoje em dia, tente fazer uma curva em Need For Speed Heat ou Unbound. O carro sai de traseira fritando pneu por conta de um sistema de curva de drift que é horroroso. Não há mais sensação de progressão: o game dá a impressão de que tudo pode ser feito o tempo todo, espalhado em uma cidade desnecessariamente enorme e sem graça.

Esse é o mal dos games atuais: mapas gigantescos e lotados de tarefas repetitivas. Não existem mais cidades emblemáticas com ruas e avenidas que o jogador consegue decorar.
A velha guerra dos simuladores
Outro elemento maravilhoso dos anos 2000 era a briga particular entre Gran Turismo e Forza Motorsport. O game do PlayStation sempre levou a melhor na carreira estruturada e no volume de carros, mas o rival do Xbox respondia com mais diversão, linearidade e veículos exclusivos.
O Gran Turismo parece ter colocado as coisas nos eixos após a versão Sport, enquanto Forza Motorsport nasceu sem graça e sem alma. Ele parece ter sido feito de forma protocolar, apenas para preencher tabela enquanto Forza Horizon brilha sozinho. Aliás, Horizon é o único jogo de corrida atual que ainda diverte.

O único ponto louvável em Sony e Microsoft é o esforço para abraçar todas as culturas automotivas. Seja colocando um Peugeot 2008 no Gran Turismo 7 ou o elétrico chinês Wuling Hongguang Mini EV no Forza Horizon 5.
O abandono da diversão simples
Sinto falta dos jogos descompromissados. Burnout era diversão pura: você corria destruindo os adversários sem remorso e ganhava pontos por explodir tudo em um cruzamento. Hoje, a franquia está enterrada para que a EA foque os esforços em Need For Speed.
Midnight Club é outra grife que faz falta, pois provou ao mundo que o universo do tuning não pertencia apenas à concorrência. Até mesmo um título menos badalado como Blur mostrou que misturar Mario Kart com carros reais era divertidíssimo, mas acabou esquecido.

Contudo, a indústria atual prioriza o ecossistema online e o fotorrealismo de componentes mecânicos que ninguém nota a 300 km/h, deixando de lado o que realmente importava: uma boa jornada offline focada no prazer de jogar. Uma pena.
E para você, qual é o melhor jogo de corrida de todos os tempos? Sente falta da simplicidade dos anos 2000 ou prefere os simuladores atuais? Escreva nos comentários.



