Hoje, um carro de R$ 150 mil pode projetar o logotipo no chão, acender uma faixa de LED no painel e oferecer uma central multimídia maior que muito notebook. Entretanto, basta olhar com atenção para encontrar economias dignas de um popular de entrada.
São cortes pequenos no custo de produção, mas difíceis de aceitar diante dos preços cobrados. A montadora retira uma saída de ar, um acabamento plástico ou a regulagem de algo que prejudica a ergonomia. Nenhum dos itens transforma automaticamente um carro em uma compra ruim ou insegura.
O problema aparece no contraste entre preço, proposta e equipamento, principalmente quando uma solução simples resolveria a limitação. Por isso, o Auto+ separou alguns carros com economia porcas que não fazem sentido diante a proposta ou preço.
Fiat Pulse e Fastback Abarth usam freio traseiro a tambor

Os Fiat Pulse Abarth e Fastback Abarth carregam escorpiões pela carroceria, escapamento mais barulhento e uma calibração voltada à esportividade. O primeiro custa cerca de R$ 162.490, enquanto o SUV-cupê já se aproxima dos R$ 183.990 em seu preço de tabela.
Os dois usam o motor 1.3 turbo de 185 cv e 27,5 kgfm, além de alterações em direção, suspensão e câmbio. Apesar de toda essa preparação, a Fiat manteve freios a tambor no eixo traseiro.

Antes que alguém pegue a tocha, vale explicar que o freio a tambor funciona, freia o carro e atende aos requisitos de segurança. Como o eixo dianteiro realiza a maior parte do trabalho nas frenagens, muitas fabricantes usam tambores atrás para reduzir custos e aumentar a durabilidade.
Além disso, seu conjunto fechado oferece boa proteção contra sujeira. Portanto, o problema não está simplesmente em encontrar um tambor, mas em colocá-lo justamente em dois carros vendidos como esportivos.

Durante frenagens fortes e repetidas, o disco dissipa calor com mais facilidade e deixa a resposta mais consistente. O tambor, por outro lado, acumula temperatura e fica mais sujeito à perda gradual de eficiência conhecida como fading.
O disco também elimina água da superfície de atrito mais rapidamente. Isso não significa que o tambor deixe de funcionar na chuva, mas sem dúvida a solução mais cara combinaria melhor com um veículo preparado para uma condução mais forte.

Em um Fiat Pulse comum, o argumento do custo ainda passa. Em um Abarth de 185 cv, que cobra mais por desempenho e imagem esportiva, a escolha fica difícil de defender.
Volkswagen Jetta GLI não tem saída de ar para quem viaja atrás

O Volkswagen Jetta GLI teve seu preço reduzido recentemente, mas ainda custa R$ 258.490. Estamos falando de um sedã de 231 cv, capaz de acelerar de 0 a 100 km/h em 6,6 segundos e vendido como o esportivo mais tradicional da linha Volkswagen.
Apesar disso, quem viaja no banco traseiro não encontra saídas próprias do ar-condicionado. Todo o resfriamento depende dos difusores dianteiros, uma ausência difícil de entender em qualquer sedan desse preço.

Pode parecer um detalhe até quatro pessoas entrarem no carro depois de ele passar horas sob o sol. Nesse cenário, o motorista recebe o ar diretamente, enquanto os passageiros traseiros esperam a cabine inteira perder temperatura.
Além disso, a parte superior das portas traseiras usa plástico rígido, deixando claro que o acabamento mais cuidadoso ficou concentrado na dianteira. O Jetta não precisa oferecer o luxo de um sedan premium, mas uma saída de ar central custaria muito pouco diante dos quase R$ 260 mil pedidos.

O modelo vem do México e foi desenvolvido principalmente para o mercado norte-americano, onde diferentes versões do sedan também adotam uma cabine mais simples. Isso explica a configuração, porém não muda o preço cobrado no Brasil.
GWM Ora 03 é um hatch de R$ 169 mil sem limpador traseiro

O GWM Ora 03 custa a partir de R$ 169.000 na linha 2027. Apesar do preço, do motor elétrico e da extensa lista de equipamentos, o hatch não tem limpador no vidro traseiro. Algumas fabricantes defendem que o desenho da carroceria e o fluxo aerodinâmico retiram parte da água em velocidades mais altas.
O argumento pode funcionar em uma rodovia, mas perde força no trânsito urbano, justamente onde muitos carros elétricos passam a maior parte da vida. Em uma chuva forte, rodando devagar ou parado no congestionamento, praticamente não existe fluxo de ar suficiente para limpar o vidro.

Água, poeira e sujeira ainda ficam na superfície, prejudicando a visão pelo retrovisor interno. A câmera traseira ajuda nas manobras, mas não substitui a visibilidade durante todo o trajeto. Além disso, basta uma camada de água ou sujeira para cobrir a lente e o motorista também perder essa alternativa.
O mais curioso é que a própria GWM corrigiu a ausência no Ora 5. O novo modelo possui uma palheta escondida sob o aerofólio traseiro. Ou seja, dava para fazer. No Ora 03, a fabricante simplesmente preferiu economizar motor elétrico, chicote, braço e palheta em um carro que passa com folga dos R$ 130 mil.
Volkswagen Polo e T-Cross com economias
![Volkswagen Polo Highline [Auto+ / João Brigato]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2023/07/Volkswagen-Polo-Highline-13-1200x720.jpg)
O Volkswagen Polo Highline ocupa o topo da linha do hatch e já custa aproximadamente R$ 138.690. Porém, basta abrir o porta-malas para encontrar partes da chapa pintada expostas nas áreas internas.
Um acabamento plástico preto simples poderia cobrir esses pontos para proteger a pintura contra malas e melhorar bastante a percepção de qualidade, como acontece no Polo europeu. Não se trata de um defeito, tampouco de algo que impeça o uso do compartimento. Ainda assim, estamos falando da versão mais cara de um hatch com seus quase R$ 140 mil.

É justamente aí que a economia incomoda. No entanto, na linha Volkswagen também temos mais economias. Uma delas pode ser encontrada no T-Cross nas versões mais caras como a Extreme que passa dos R$ 200 mil e tem acabamento em plástico rígido que não aparenta tanta qualidade como de vemos em um Polo Track. Nesses casos, fica apenas com aparência de serviço incompleto.
Peugeot 2008 não oferece regulagem de altura do cinto

O Peugeot 2008 parte oficialmente de R$ 153.990 na versão Active, enquanto a GT MHEV alcança R$ 184.990 antes das promoções. Mesmo assim, o SUV não oferece regulagem de altura para os cintos dianteiros na coluna central.
Sem o pequeno trilho, o ponto superior do cinto fica sempre na mesma posição. Para algumas pessoas, ele encaixa corretamente; para outras, pode ficar perto demais do pescoço ou ficar em uma posição desconfortável sobre o ombro.

O banco possui regulagens, assim como o volante, mas o cinto não acompanha as diferentes estaturas de quem dirige. Portanto, o motorista precisa adaptar sua posição ao ponto escolhido pela fabricante, quando deveria acontecer justamente o contrário.
Novamente, não estamos falando de uma peça sofisticada. O sistema exige basicamente um trilho, um botão e um mecanismo de trava na coluna B, solução encontrada há décadas em carros de diferentes categorias.
Diversos outros carros entram na lista

Se a gente ficar falando aqui tim tim por tim tim do que cada carro não traz esse texto não acaba. Porém muitas montadoras deixam de lado itens até essenciais. O Citroën Basalt, por exemplo, não tem o capô na parte interna da pintura da cor da carroceria.
O novo Nissan Kait não conta com iluminação ambiente dedicada para quem vai atrás. Além disso, os comandos dos vidros nas portas não tem iluminação. Quando anoitece, o passageiro precisa procurar os botões praticamente no tato.

Já o Hyundai HB20, que também deixou de ser um hatch compacto barato há tempo, nas versões mais completas não oferece faróis em LED. De qualquer forma, as fabricantes sabem desses cortes. Elas sabem exatamente o que chama atenção como telas, rodas e bancos diferentes.
Já uma saída de ar traseira, a regulagem do cinto ou o acabamento interno do porta-malas raramente aparecem na propaganda. Por isso, são candidatos perfeitos para a tesoura quando a engenharia precisa reduzir alguns dólares no custo de cada unidade.
Mas e você, concorda? Deixe seu comentário!



As montadoras estão ridículas, por isto os chineses estão tomando conta.
O número 1 desses cortes absurdos são os carros da Toyota e número 2 a Honda. Os japoneses estão “pisando na bola”.
Desde sempre e ainda mais agora, os Ford são as melhores opções de acabamentos e conforto pra sua faixa de valor. Embora tbm não sejam santos.
Eu era crítico do freio a tambor, ate comprar meu fastback t200 por 119k. Excelente compra. Frenagens seguras. Ampla rede de atendimento, etc. Enfim. Ainda temos excelentes opcoes abaixo de 130k. Como está a rede de concessionarias desses novos chineses, principalmente nas cidades de interior?
Lembrando que no novo Renegade o painel emborrachado foi substituído por plástico duro. Deplorável.
O Nissan Kait para PCD nao fornece a tampa de acabamento do porta malas. Uma economia ridícula.
Gente, que texto mal escrito! Não tem revisão aí na Auto+?
Fora isso, muitos exemplos aí não se encaixam em nada no que se refere à “economia porca”.