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Não são os carros mais potentes o mais legais de dirigir

Carros nunca foram tão potentes, mas talvez o futuro não esteja em mais cavalos, e sim em menos peso

5 min de leitura

Houve a época em que atingir 100 cv era um marco grande do setor automotivo. Quem lembra do Volkswagen Gol GTI, ou até mesmo o Chevrolet Kadett GSi, Ford Escort XR3 ou Fiat Uno Turbo que entregavam perto dos 120 cv. na sua grande maioria com motor 2.0. Todavia, hoje, qualquer carro 1.0 turbo já entrega isso com facilidade. 

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Nos últimos anos, isso escalou rápido demais. Segundo dados da Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA), os carros novos ficaram cerca de 15% mais potentes na última década, com ganho médio de 35 cv. Se olharmos mais para trás, desde 2006, o aumento chega perto de 55 cv em média.

Mais potência virou o caminho mais fácil

Hoje, se uma marca quer chamar atenção, a receita é colocar mais motor, mais bateria, mais potência e pronto, consegue ter um grande diferencial diante a concorrência. Inclusive, esse é um dos atributos do recém chegado Caoa Changan Uni-T que oferece mais cavalaria que seus principais rivais. 

GWM Haval H6 GT azul parado de frente
GWM Haval H6 GT [Divulgação]

Você pode ir em uma concessionária atualmente e encontrar um SUV familiar com mais de 300 cv, e conseguem até entregar mais potência e rapidez que esportivos raízes um pouco mais antigos. Muita dessa potência inconformável dos carros acontece por causa das baterias com motores elétricos.

Hoje, um GWM Haval H6 GT consegue fazer o 0 a 100 km/h em 4,8 segundos, praticamente o mesmo tempo que esportivos recentes como um Audi S3 que faz em 4,9 segundos, ou até o Chevrolet Camaro V8, em 4,8 segundos. 

Jetour S06 [Divulgação]

Embora seja extremamente legal ter carros potentes na mão, depois de um certo nível a potência também deixa de ser útil. No uso real, com trânsito, radar, lombada e limite de velocidade, você simplesmente não usa tudo o que o carro entrega. Nem perto disso.

Potência demais traz um problema que ninguém gosta de discutir

Na verdade, quanto mais potência você coloca, mais o carro precisa compensar. Por exemplo, um freio maior, pneu mais largo, mais eletrônica, mais controle de tração, mais tudo. E com isso vem o peso.

GAC Hyptec HT Elite [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Hoje a grande maioria dos híbridos plug-in e elétricos podem ter mais de 1.000 cv, porém ultrapassam facilmente os 2.300 kg. Alguns chegam perto do peso de uma picape

E aí começa o ciclo estranho. Você aumenta a potência para compensar o peso, mas o peso cresce justamente por causa da potência. Aí, na prática, vira uma corrida sem fim.

Menos peso resolve mais do que mais potência

Toyota GR Yaris vermelho visto de lado
Toyota GR Yaris [Divulgação]

Enquanto a maioria segue nessa disputa por números, algumas marcas começaram a olhar para outro caminho. A ideia é simples, mas exige mais engenharia. Em vez de colocar mais potência, reduzir peso.

Empresas como a Caterham já mostraram isso com conceitos elétricos leves, próximos do peso de um Mazda MX-5, mesmo com bateria. Outra que surge com essa proposta é a Longbow, criada por ex-executivos de Tesla, Lucid Motors e até da BYD. O objetivo deles não é bater recorde de potência. É fazer carro leve, simples e eficiente.

Fiat 500 Abarth [Divulgação]

Quando o carro é leve, ele acelera melhor, freia melhor e faz curva melhor. Não precisa de tanta potência para entregar desempenho. Além disso, precisa de menos bateria, menos refrigeração, menos estrutura reforçada. Ou seja, fica mais eficiente em tudo.

É quase voltar ao básico da engenharia automotiva. Não por acaso, quem já dirigiu um carro leve sabe. Às vezes, ele é mais divertido do que um monstro de mil cavalos, justamente por que ele é mais arisco e rápido de brincar. 

VW up! Pepper [divulgação]
VW up! Pepper [Divulgação]

Mas nem todo mundo está comprando essa ideia de potência absurda. Executivos de marcas da Rimac e Koenigsegg já admitiram que a demanda por hipercarros elétricos não é tão alta quanto parecia.

Até a Chevrolet já deixou claro que não vê espaço agora para um Corvette totalmente elétrico. Ou seja, não é falta de tecnologia, e sim falta de motivo mesmo. 

O futuro pode ser menos exagerado

Suzuki Swift Sport Katana (divulgação)

A real é que não estamos ficando sem formas de fazer carros mais potentes, até porque é sempre possível fazer mais, e são os números que enchem os olhos e até eles que vendem os carros. Mas na verdade, muitas montadoras ficam sem razão para fazer isso também. 

Para muitos e até na prática, a potência extrema, hoje, traz mais problemas do que soluções. É mais peso, mais complexidade, manutenções mais caras e, para muitos, uso limitado no dia a dia.  Por outro lado, reduzir peso e simplificar o carro pode trazer ganhos reais, tanto em eficiência quanto em prazer ao dirigir. No entanto, têm que saber equilibrar tudo isso.  

Citroën C4 Cactus THP [Auto+ / João Brigato]
Citroën C4 Cactus THP [Auto+ / João Brigato]

Mas claro que muitos podem não concordar, até porque são os números que enchem os olhos. Mas é um carro leve e suficientemente rápido que faz ele ser ainda mais divertido de guiar. 

E você, prefere um carro com 1.000 cv que você nunca usa ou um leve e equilibrado? Deixe seu comentário!

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Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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