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Por que vários carros da Porsche nos videogames se chamavam Ruf?

Entenda a história da Ruf, a fabricante alemã que transforma modelos da Porsche em supercarros autênticos e exclusivos

4 min de leitura

Já reparou que diversos jogos de corrida dos anos 1990 e 2000 traziam modelos idênticos aos da Porsche, mas registrados sob a marca Ruf? Existe uma razão contratual histórica para isso, um assunto para outro momento, porém, a pergunta que fica é: afinal, o que é a Ruf? Ela pertence à Porsche? E por que seus carros carregam esse nome?

Criada por Alois Ruf em 1939 na cidade de Pfaffenhausen, na Alemanha, a Ruf nasceu longe dos holofotes dos supercarros. A empresa começou como uma simples oficina mecânica e, mais tarde, expandiu suas operações com um posto de combustíveis. No final da década de 1940, a companhia passou a construir ônibus de turismo, lançando um modelo próprio em 1955.

O rumo da história mudou quando o filho do fundador, Alois Ruf Jr., assumiu a paixão pelos automóveis. Na década de 1960, o jovem começou a restaurar esportivos da Porsche por conta própria. Com a morte do pai em 1974, Ruf Jr. assumiu o comando do negócio e redirecionou todo o foco da empresa para a modificação dos modelos de Stuttgart.

Ruf Rodeo [divulgação]
Ruf Rodeo [Divulgação]

A ascensão como preparadora

O primeiro projeto de alta performance da casa foi um Porsche 911 Turbo com motor 3.3 preparado. Logo em seguida, em 1978, a empresa apresentou o 911 SCR, consolidando sua reputação no mercado. Na prática, a Ruf atuava como uma espécie de divisão esportiva independente para os modelos da Porsche, elevando o rendimento dos carros muito além dos limites de fábrica.

A grande virada ocorreu em 1981, quando a Ruf deixou de ser apenas uma preparadora e passou a ser reconhecida oficialmente pelas autoridades alemãs como uma fabricante de automóveis. A empresa começou a adquirir da Porsche carrocerias pré-montadas peladas, sem número de chassi impresso. A partir dessa estrutura básica, a Ruf instalava conjuntos próprios de suspensão, motor, transmissão e direção.

Por essa razão, quem adquire um veículo da marca não está comprando um Porsche, mas sim um Ruf legítimo. O número do chassi e a documentação oficial registram o nome da empresa de Pfaffenhausen, e não o da fabricante do Grupo Volkswagen. Essa parceria comercial sempre foi vantajosa para ambas as partes, garantindo à Porsche a venda de estruturas parciais com alta margem de lucro.

O lendário “Passarinho Amarelo”

Entre todas as criações da marca, a mais emblemática é o Ruf CTR, imortalizado com o apelido de Yellowbird (“Passarinho Amarelo”). Produzido entre 1987 e 1996 com tiragem restrita a apenas 26 unidades, o modelo utilizava como base a estrutura de um 911 Carrera 3.2, mas entregava um nível de desempenho inédito para a época.

Ruf CTR Yellowbird [Divulgação]

O esportivo era equipado com um motor 3.4 biturbo de 469 cv e câmbio manual de cinco marchas desenvolvido pela própria Ruf. Graças ao peso reduzido de 1.150 kg, o Yellowbird alcançava impressionantes 342 km/h, cravando o recorde de carro de produção mais rápido do mundo na ocasião. Sobretudo, em 1995, seu sucessor, o CTR2, elevou essa marca para 350 km/h, posto mantido até a chegada do lendário McLaren F1.

Aliás, o famoso apelido foi batizado pelos editores da revista norte-americana Car and Driver, impressionados com a pintura amarela vibrante e o comportamento arisco do cupê na pista.

A Ruf no cenário atual

Hoje, a fabricante alemã segue produzindo veículos próprios inspirados no design clássico e moderno da Porsche, mas sem utilizar as carrocerias originais do modelo de Stuttgart. A linha atual conta com a chancela da Porsche e inclui modelos de apelo retrô como o Rodeo, o SCR e o CTR Anniversary. Todos eles, inspirados na silhueta clássica do 911, além de projetos mais radicais como o R Spyder e o CTR3 Evo. Embora a estrutura seja autoral, alguns componentes específicos ainda são fornecidos diretamente pela Porsche.

E você, lembra de ter pilotado um Ruf nos games Gran Turismo ou Need for Speed? Escreva nos comentários!

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João Brigato

Formado em jornalismo e design de produto, é apaixonado por carros desde que aprendeu a falar e andar. Tentou ser designer automotivo, mas percebeu que a comunicação e o jornalismo eram sua verdadeira paixão. Dono de um Jeep Renegade Sem Nome, até hoje se arrepende de ter vendido seu Volkswagen up! TSI.

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