A indústria automotiva mundial possivelmente atingiu o seu verdadeiro ápice criativo e financeiro durante a década de 1990. Naquele período dourado, as fabricantes japonesas construíram seus ícones esportivos, enquanto marcas americanas e europeias abriam as carteiras para preencher cada nicho. Um reflexo dessa ousadia foi quando Ford e GM transformaram Fiesta e Corsa em esportivos. Ou quase isso.
Até então, a tradição de projetar um legítimo cupê esportivo estava intimamente ligada a modelos de porte médio ou grande. Na Europa, a Opel trocava o antigo Manta pelo Calibra, enquanto a Ford encerrava o ciclo do Probe para abrir espaço ao Cougar. Eram carros de imagem que nasciam a partir do Vectra e do Mondeo, respectivamente.
O felino da Opel derivado da segunda geração do Corsa
![Opel Tigra [divulgação]](https://uploads.automaistv.com.br/2024/02/opel_tigra_327_edited-750x450.jpg)
Contudo, tanto a General Motors quanto a Ford queriam um produto menor, mais acessível e capaz de divertir os jovens. O primeiro passo nessa caminho veio da GM, que espalhou seu modelo pelo mundo como Chevrolet, Opel, Vauxhall e Holden. Apresentado primeiramente como veículo conceito no ano de 1993, o Opel Tigra logo em 1994 já passou a ser produzido.
Ele foi o cupê compacto da Opel, compartilhando a plataforma com a segunda geração europeia do Corsa, a primeira no Brasil e que sobreviveu por mais tempo do que deveria por conta do Chevrolet Agile. Por causa desse compartilhamento, o cupê trazia as mesmas rodas, as maçanetas das portas e o painel completo do Corsa.
![Opel Tigra [divulgação]](https://uploads.automaistv.com.br/2024/02/opel_tigra_33_edited-750x450.jpg)
O consumidor brasileiro o conheceu sob o logotipo da Chevrolet entre 1998 e 1999, saindo de linha precocemente devido à forte desvalorização do real. Mas o formato das portas depois inspirou o design do Celta duas portas no nosso país. Na Europa, o Tigra contava com os motores 1.4 de 89 cv e 1.6 de 105 cv, similares aos propulsores de 16 válvulas da família Corsa.
Sabor Corsa?
A proposta era entregar uma variante estilosa do Corsa, mas segurando a mão nos custos. No entanto, o comportamento não era de esportivo, pois a suspensão era parecida com a do hatch, recebendo apenas ajustes da Lotus. Na verdade, ele andava pior que o Corsa porque pesava 150 kg a mais. A culpa? O complexo e caríssimo vidro traseiro panorâmico curvado.
![Opel Tigra [divulgação]](https://uploads.automaistv.com.br/2024/02/opel_tigra_2_edited-750x450.jpg)
A segunda geração trocou o estilo cupê por conversível. Ele vinha com motor 1.4 aspirado de 90 cv e o 1.8 de 125 cv, os mesmos do Corsa no Brasil, além de uma alternativa 1.3 turbodiesel fornecida pela Fiat. Visualmente, as linhas finais do carro ficaram mais retilíneas, buscando inspiração clara no desenho do Astra e do Vectra GT europeus. Ele morreu em 2009.
Fiesta gatão?
De olho no sucesso comercial do rival da Chevrolet / Opel, a Ford colocou o Puma nas concessionárias em 1997. O cupê usava a mesma plataforma e interior da quarta geração do Fiesta, o famoso Fiesta tristonho. O desenho trazia os primeiros traços da filosofia New Edge, que posteriormente seriam vistos no Focus, no Ka e na reestilização do Fiesta, que ganhou o apelido de gatinho.
![Ford Puma [divulgação]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2024/02/ford_puma_58_edited-1320x792.jpg)
Coincidentemente ou não, Puma é o nome de uma espécie de felino, o que casou com a reestilização do Fiesta.. Diferente da receita do Opel Tigra, o Puma exibia mudanças estruturais muito mais profundas na base do Fiesta em relação ao que a GM fez com o Corsa ao transformar em cupê. Os engenheiros instalaram uma suspensão mais firme, bitolas alargadas e relações de marcha mais curtas.
A grande joia do projeto era o motor 1.7 de quatro cilindros aspirado construído em parceria com a Yamaha. O bloco iniciava sua trajetória com 125 cv e evoluiu até atingir os 155 cv de potência máxima nas versões de topo. Mas era uma bagunça para produzir pois os blocos eram fundidos na Espanha, enviados ao Japão para montagem interna da Yamaha e retornavam à Alemanha para a instalação no Puma.
![Ford Puma [divulgação]](https://uploads.automaistv.com.br/2024/02/ford_puma_uk-spec_1_edited-750x450.jpg)
O fim de uma era e o renascimento do Puma no segmento de SUVs
O cupê do oval azul também oferecia configurações mais mansas, equipadas com os motores 1.4 de 91 cv e 1.6 de 104 cv. Esses propulsores eram idênticos aos aplicados no Fiesta. Apesar do comportamento dinâmico afiado e do visual que permaneceu inalterado, o modelo teve vendas discretas e saiu de cena em 2002. Sua morte coincidiu com a troca de geração do Fiesta.
Diferentemente do Tigra que teve uma segunda geração ainda como um esportivo compacto, o Ford Puma retornou como um SUV. Ele surgiu em 2019 como substituto do Ford EcoSport, trazendo linhas arredondadas da mesma forma que ocorria no passado. A base também é a do Fiesta e, hoje, é um dos produtos mais antigos que a marca tem em linha na Europa.



