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Toyota FJ Cruiser: o Bandeirante moderno cheio de extravagâncias

Um dos carros mais icônicos da Toyota nos anos 2000 surgiu de um projeto feito nos bastidores

5 min de leitura

No começo dos anos 2000, a onda retrô invadiu o mercado automotivo. Tivemos modelos icônicos como o primeiro Mini Cooper, Volkswagen New Beetle, Fiat 500, Ford Mustang de quinta geração e o Toyota FJ Cruiser. Apesar de nunca ter sido vendido oficialmente no Brasil, nós tivemos uma participação bem curiosa em seu desenvolvimento.

O FJ Cruiser é a interpretação moderna do clássico Toyota Bandeirante e surgiu justamente a partir dele. De 1984 até 2001, o Brasil era o único país do mundo que ainda produzia a geração FJ40 do Toyota Land Cruiser, sob o nome de Bandeirante. O modelo carregava um peso histórico gigantesco para a marca e era amado por executivos da Toyota e norte-americanos.

Com isso em mente, o diretor de produto Dave Danzer e o vice-presidente de vendas e operações da Toyota, Yoshi Inaba, trabalharam secretamente com Akio Toyoda, CEO da Toyota, em um projeto nos EUA. Em um canto da planta NUMMI, em Fremont, Califórnia, hoje pertencente à Tesla, surgiu o projeto do FJ Cruiser.

Toyota FJ Cruiser [divulgação]
Toyota FJ Cruiser [divulgação]

Os três, junto a uma equipe de engenheiros, tentaram encaixar a carroceria de um Toyota Bandeirante brasileiro zero-quilômetro na plataforma da caminhonete Tacoma. A ideia deu tão certo que Akio Toyoda levou o projeto ao Japão para receber luz verde da alta cúpula da marca.

Claro que colocar a carroceria de um carro de 1960 na plataforma de uma caminhonete de 1995 não daria certo. Mas as raízes do que viria a ser o FJ Cruiser nasceram ali. A ideia era fazer um SUV parrudo, robusto e de visual retrô que evocasse a icônica geração FJ40 do Land Cruiser, o nosso Bandeirante.

Toyota FJ Cruiser [divulgação]
Toyota FJ Cruiser [divulgação]

FJ Cruiser nasce com inspiração no Bandeirante

Para viabilizar o projeto, a Toyota precisava compartilhar o máximo possível de componentes. Por isso, a marca trocou a plataforma da Tacoma pela do Land Cruiser Prado lançado em 2002 e vendido no Brasil. Ele era menor que o Land Cruiser padrão, característica importante para posicionar o FJ Cruiser como um carro jovial.

A ideia da Toyota era apelar para o público masculino jovem, em especial os millennials. Com isso, a marca apresentou o conceito FJ Cruiser Concept no Salão de Detroit em 2003. O mais interessante é que ele trazia a cor exclusiva Voodoo Blue, que só existiu por conta do programa AutoCAD.

A equipe desenvolveu algumas peças do modelo nesse modelador 3D, que tinha esse tom de azul como cor padrão. A tonalidade agradou tanto aos designers e executivos que a Toyota decidiu usá-la no conceito. Mas ainda faltava descobrir se o público aceitaria a ideia de um SUV grande de duas portas e estilo retrô. E não é que amaram?

A Toyota aprovou a versão de produção e, em 2005, apresentou o FJ Cruiser definitivo no Salão de Chicago. Durante os dois anos de desenvolvimento final, a marca testou mulas do modelo em diversas trilhas dos EUA, inclusive na famosa Moab, onde os carros da Jeep recebem a certificação Trail Rated.

Toyota FJ Cruiser [divulgação]
Toyota FJ Cruiser [divulgação]

Em relação ao conceito, o modelo de produção passou por algumas alterações sutis. A Toyota trocou o logotipo redondo da dianteira pelo nome da marca, tal qual fazia no Bandeirante. Os faróis ficaram mais simples, com lentes halógenas, mas a seta gigante permaneceu.

Outro ponto foi o desenho destacado dos para-choques, que dava ao FJ Cruiser excelentes ângulos de entrada e saída. Como o para-brisa era muito reto, baixo, mas largo, a marca precisou usar três limpadores. A versão de produção também ganhou o estepe pendurado na tampa do porta-malas, ausente no conceito.

Toyota FJ Cruiser [divulgação]
Toyota FJ Cruiser [divulgação]

Por dentro, Toyota corta extravagâncias

Por dentro, a Toyota precisou cortar custos e deixar as coisas mais amigáveis. A cabine tinha detalhes de metal na mesma cor da carroceria, bancos dianteiros que ficavam totalmente retos ao dobrar e manopla de câmbio em formato de pá. A marca removeu tudo isso no modelo de produção.

Na parte mecânica, o FJ Cruiser era oferecido somente com motor 4.0 V6 aspirado a gasolina. Havia câmbio automático de cinco marchas, sempre ligado à tração 4×4. Quem queria pedal de embreagem tinha uma caixa manual de cinco marchas nas versões com tração traseira, enquanto o FJ Cruiser 4×4 manual entregava seis marchas.

Toyota FJ Cruiser [divulgação]
Toyota FJ Cruiser [divulgação]

Apesar de ter os EUA como seu principal mercado, o FJ Cruiser teve produção exclusiva no Japão, na planta da Hino, em Tóquio. Ao longo da sua vida, ele ganhou diversas versões e séries especiais, mas nunca recebeu uma reestilização. A Toyota encerrou a produção em 2014, quando as vendas estavam estáveis em cerca de 13 mil unidades por ano desde 2009. O pico aconteceu em 2007, com 55.170 emplacamentos nos EUA.

A morte do FJ Cruiser aconteceu por conta do projeto desatualizado e também das críticas ao consumo alto. Indiretamente, o Land Cruiser FJ substituiu o modelo em 2026. Ele é a versão SUV da Hilux Champ, variante de baixo custo da caminhonete média, e carrega todo o visual retrô do Bandeirante, mas em uma proposta mais racional.

Além disso, o Land Cruiser FJ é um carro muito menos exótico que o FJ Cruiser. Afinal, ele tem quatro portas do jeito certo, contra a solução de portas traseiras suicidas do antecessor. Outro ponto é que a Toyota pensou o novo modelo para ser um carro barato e bem utilitário, enquanto o FJ Cruiser tinha uma proposta mais voltada ao off-road pesado e a esbanjar estilo retrô.

Você teria um Toyota FJ Cruiser? Conte nos comentários.

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