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Territory SEL: por que o SUV é reflexo do futuro da Ford? | Avaliação

SUV mais barato da Ford no Brasil, o Territory SEL mostra como será o futuro da marca aqui e lá fora
Ford Territory SEL [Auto+ / João Brigato]
Ford Territory SEL [Auto+ / João Brigato]

Com o EcoSport fora do jogo e a dúvida sobre o posicionamento do Bronco Sport no Brasil, o SUV mais barato da Ford no país é o Territory SEL. Só não tem o título de carro mais barato da marca por aqui por causa da Ranger – que recentemente ganhou versão Black com preço empatado com o Territory SEL.

Por R$ 179.900, o SUV médio representa uma nova fase da Ford no Brasil. Importado da China, ele e não é um projeto desenvolvido totalmente pela marca norte-americana. O Territory mostra como a marca pretende oferecer modelos de maior valor agregado, mais luxo e somente importados.

Outro território

Antes de começar a falar do Territory é preciso entender um pouco sua origem. O SUV médio, na realidade, não é um projeto Ford. Ele nasceu a partir do modelo chinês Yusheng S330. Ford e Jiangling, a dona da Yusheng, são parceiras na China e o projeto do Territory nasceu a partir daí.

Ford Territory SEL [Auto+ / João Brigato]
Ford Territory SEL [Auto+ / João Brigato]
Ele tomou como base o S330, teve dianteira e interior pesadamente modificados, enquanto a traseira recebeu detalhes únicos. A parte mecânica e o acerto final do modelo foram alterados pela engenharia da Ford para que ele se assemelhasse dinamicamente a outros modelos da marca. Na prática não é o que ocorre, mas será detalhado mais tarde.

Isso é um demérito do SUV? Não. Muito pelo contrário. O compartilhamento do projeto permitiu à Ford gastar dinheiro onde era necessário e dar ao SUV médio mais equipamentos. E esse é o grande destaque mesmo no Territory SEL de entrada.

De série, ele traz ar-condicionado digital, central multimídia com Android Auto e Apple CarPlay, faróis full-LED, teto solar panorâmico com cortina elétrica, chave presencial, câmera e sensor de ré, freio de estacionamento automático, piloto automático, retrovisor eletrocrômico e controle de tração e estabilidade.

Requinte interno

Um dos grandes chamarizes do Ford Territory SEL é, sem dúvida, seu interior. Ele não tem sequer uma peça compartilhada com modelos da marca norte-americana. Isso acaba por se tornar uma vantagem, visto que ele tem acabamento mais esmerado e peças com qualidade perceptiva além do que a marca apresentava em seus produtos nacionais.

Ford Territory SEL [Auto+ / João Brigato]
Ford Territory SEL [Auto+ / João Brigato]
Toda porção superior do painel é revestida de material macio com costuras. Há uma faixa em couro à frente do passageiro que casa bem com a placa de plástico preto brilhante onde fica a enorme central multimídia. As portas tem muito couro, tanto nos puxadores, quanto onde o braço toca.

Pena que esse esmero não foi repetido nas portas traseiras, onde o acabamento é de plástico duro – ainda que de qualidade. O volante é grande e tem boa empunhadura, além de ser revestido com couro perfurado nas partes onde a mão mais permanece apoiada. Só comete um deslize gravíssimo para um carro desse preço: não tem regulagem de profundidade.

Espaço e complexo de Mercedes

Ponto positivo para os bancos extremamente confortáveis. A espuma macia o suficiente para se assemelhar ao conforto de um sofá caro, mas ainda firme para manter o corpo no lugar em uma curva mais forte. Para quem se senta atrás há uma vastidão de espaço, especialmente para as pernas – benefício do projeto de origem chinesa, já que esse quesito é muito valorizado por lá.

É também um benefício das medidas generosas do Ford Territory. Ele entrega 4,58 m de comprimento e entre-eixos de 2,71. Olhando por fora também ele deixa claro que é largo (1,93 m) e baixo (1,67 m) para os padrões de um SUV médio. Porta-malas de 348 litros parece bem maior do que de fato é.

Há de destacar que os comandos atrás do volante são cópias dos usados pela Mercedes-Benz, contendo exatamente o mesmo desenho. Dos modelos da estrela de três pontas também vem a inspiração para o console central com descansa braço com abertura dupla. O rotor para controlar a central multimídia também tem um quê dos modelos da Mercedes.

Um dos destaques em estilo no Territory está no console central que traz bordas de metal que se fundem aos botões estilo aviação. A central multimídia tem ótimo layout, tela de boa definição e menus fáceis de usar, além de intuitivos. Evidentemente uma evolução frente ao SYNC3 usado por outros Ford. Conta com Android Auto e Apple CarPlay.

Ford Territory SEL
Ford Territory SEL [Auto+ / João Brigato]

Modus operandi

De antemão fica claro que o Territory não anda como um Ford. Ele não tem o mesmo comportamento dinâmico esperado por modelos da marca norte-americana. Mas, novamente, não é um ponto negativo. Todo Ford é ligeiramente durinho, bom de curva e tem tempero levemente esportivo. Mesmo quando um SUV ou um hatch 1.0 aspirado.

O Territory não: ele é pensado plenamente para o conforto. Sua suspensão trabalha com maciez e pouco curso, o que faz com que ele não seja adepto ao off-road e reclame em buracos mais fundos. Nessa mesma tocada está a direção elétrica, que é leve até em excesso. Ótimo para manobras, mas passa um pouco de insegurança em velocidades mais altas.

Ford Territory SEL [Auto+ / João Brigato]
Ford Territory SEL [Auto+ / João Brigato]
Dinamicamente fica evidente a tocada mais mansa e confortável do Territory. O que não surpreende a escolha de uma transmissão CVT para ele. Algo raríssimo entre os Ford, esse câmbio foge totalmente das caixas automáticas tradicionais que a marca usa e deixa evidente o tipo de condução mais oriental do SUV.

Ela simula marcha somente no modo manual, mantendo as relações infinitas quando deixada em D. Mas é um câmbio inteligente: basta encontrar uma descida e tocar levemente no freio que a rotação sobe para fazer uso do freio motor. No plano, basta um toque mais forte no acelerador, que ele rapidamente sobe a rotação.

Ford Territory SEL [Auto+ / João Brigato]
Ford Territory SEL [Auto+ / João Brigato]
Isso faz com que os 150 cv e 22,9 kgfm de torque do motor Mitsubishi 1.5 quatro cilindros turbo sejam bem aproveitados. Os 0 a 100 km/h em 11,8 segundos parecem ser cumpridos em menos tempo que o declarado, apesar da gritaria do câmbio CVT em altas rotações. Retomadas são fáceis para o Territory.

O problema está no consumo de combustível um tanto quanto além do esperado. A Ford declara 9,2 km/l na cidade e 10 km/l na estrada. Em nossos testes o Territory SEL cravou 8,5 km/l em ambas as situações. E vale lembrar que ele só bebe gasolina.

Ford Territory SEL [Auto+ / João Brigato]
Ford Territory SEL [Auto+ / João Brigato]
Contudo, os 1.602 kg do SUV médio mal são sentidos durante a condução. Ele entrega agilidade em diversas situações. Só não é muito fá de curvas fortes, onde a carroceria inclina e os pneus cantam com facilidade.

Veredicto

Com lista de equipamentos generosa e interior mais do que espaçoso, o Ford Territory SEL aposta em um custo-benefício forte. Conta outros SUVs médios, entrega uma sensação de mais refinamento e luxo no interior. Visual chamativo com clara presença nas ruas é outro diferencial. Ele só não tem gosto de Ford.

Ford Territory SEL [Auto+ / João Brigato]
Ford Territory SEL [Auto+ / João Brigato]
Não anda como um Ford e não se comporta como um Ford. Afinal, não é um Ford de verdade. Isso só é ruim para quem tem expectativas extremamente específicas com modelos da marca do oval azul. Afinal, ele se volta totalmente ao conforto. Entre os SUVs médios grandinhos, é um dos mais atraentes por todo conjunto da obra.

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Sobre o autor

João Brigato

2 Comentários

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  • Considerando que os carros brasileiros em geral custam no mínimo 30% mais do que realmente deveriam custar, dizer que o Territory tem um bom custo X benefício é no mínimo super exagerado ele está muito acima do que o Ford Bronco Sport deveria custar. Com essa política de preços completamente fora da realidade a Ford está caminhando rapidamente para sair definitivamente do Brasil e nem como importadora.