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Se bater não sobra nem a obturação!

Moto utiliza tecnologia do Século 19 para acelerar de 0 a 100 km/h em 0,4 segundo

Com tecnologia do século 19 e aceleração que esmaga o piloto a 6,8 Gs, a moto Force of Nature vai aos 100 km/h em 0,4 segundo

3 min de leitura

Uma frase comum de ouvir nos meus tempos de motociclista era que na moto o para-choque são as pernas e os dentes. No entanto, o britânico Graham Sykes, de 62 anos, decidiu ignorar esse conselho e desafiou a física sobre um míssil de duas rodas que não usa uma gota de combustível fóssil nem propulsão a foguete.

Sykes ignorou os motores tradicionais e os eletrificados, sendo que a aceleração brutal da moto Force of Nature (Força da Natureza, em tradução livre) vem de uma caldeira de vapor. A física desafia o que conhecemos por aceleração, pois o zero a 100 km/h ocorre em absurdos 0,4 segundo.

Na última passagem no Santa Pod Raceway, no Reino Unido, o míssil de duas rodas a vapor cruzou os 402 metros em apenas 5,5 segundos, passando pelo radar a 310 km/h. Contudo, a evolução tem sido rápida e Sykes iniciou o desenvolvimento há quatro anos. O protótipo da moto já está na quinta geração.

Moto Force of Nature na pista
Force of Nature [Carscoops.com]

Moto a vapor promete quebrar a barreira dos 5 segundos

Durante os testes mais recentes, a marca nos 402 metros baixou para 5,44 segundos. Mesmo assim, a moto ainda não atingiu o limite. O plano é baixar 0,6 segundo para quebrar a barreira dos cinco segundos. Aliás, criado em 1769 pelo engenheiro francês Nicolas-Joseph Cugnot, o Fardier de Cugnot era movido a vapor, sendo amplamente considerado o primeiro veículo autopropelido da história.

Tudo começa com um queimador compacto, alimentado por óleo vegetal ou querosene, que joga calor e aquece um reservatório de pressão com 120 litros de água pura (deionizada e desmineralizada). Quando atinge 250 °C, a pressão interna bate brutais 580 psi.

Fardier de Cugnot
Fardier de Cugnot [prewarcar.com]

É essa força que gera energia e a duração total é de 2,9 segundos. Contudo, a equipe trabalha para eliminar a turbulência interna e esticar por mais de três segundos. Segundo informações do Carscoops.com, Sykes revelou que a aceleração inicial atinge impressionantes 6,8 Gs de força utilizando uma tecnologia diretamente saída de uma usina do Século 19.

Isso é equivalente ao mesmo nível suportado por pilotos de caça em manobras de combate. Sobretudo, durante o pico da arrancada, o corpo do piloto pesa momentaneamente o equivalente a 578 kg.

F-16 Fighting Falcon [www.af.mil/Domínio Público]

E você, teria coragem de encarar essa panela de pressão gigante? Escreva nos comentários.

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Rafael Dea

Cursou Jornalismo para trabalhar com carros. Formado em 2005, atuou na mídia impressa por mais de 16 anos e também em veículos on-line. Embora tenha uma paixão por caminhonetes, não dispensa um esportivo — inclusive, foi o único brasileiro a participar do lançamento global do Porsche Panamera GTS.

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