Até mesmo modelos aclamados podem ter a reputação arranhada por decisões de engenharia. Quando a falha atinge carros voltados para o uso diário, o transtorno é maior, já que a confiabilidade é o pilar fundamental para os motoristas.
É exatamente o impasse enfrentado por donos de veículos da Ford equipados com o motor 1.0 EcoBoost nos Estados Unidos, que se viram no centro de uma investigação ampliada pelo órgão de segurança viária norte-americano, a NHTSA (National Highway Traffic Safety Administration).

Entupimento na bomba de óleo
O processo ganhou corpo após uma onda de denúncias formais envolvendo unidades do Fiesta e do Focus fabricadas na última década. A apuração inicial concentrava-se no risco de a correia dentada, que roda imersa em óleo, se deteriorar prematuramente. Por isso, ao se desintegrar, o componente solta detritos que acabam bloqueando a sucção da bomba de lubrificação, cortando o fluxo e provocando a quebra do motor.
Lá fora, diante do volume de relatos, segundo o Carscoops.com, as autoridades decidiram expandir o escopo da investigação, que agora abrange mais de 135.000 veículos. Aliás, a lista sob análise inclui exemplares do Fiesta (2014 a 2017), Focus manual (2015 a 2018), Focus automático (2016 a 2018) e o SUV compacto EcoSport (2018 a 2021), todos compartilhando a mesma solução técnica para a distribuição do motor.

Ford: quebra sem aviso prévio
O mecanismo da falha surpreende pela vulnerabilidade. O desgaste do material da correia ocorre durante o funcionamento rotineiro do veículo e as partículas soltas se acumulam na peneira da bomba de óleo. Sem lubrificação suficiente, os componentes internos sofrem atrito extremo, podendo causar a perda repentina de potência ou o travamento imediato do propulsor em plena rodagem.
Relatos de proprietários indicam que o problema raramente dá sinais claros antes do colapso. Enquanto alguns motoristas viram a luz de advertência de óleo acender no painel, muitos afirmam que o motor simplesmente apagou sem aviso prévio. Os dados apontam que a falha costuma surgir por volta dos 112.000 quilômetros rodados, sendo que quase a totalidade dos casos registrados ocorreu bem antes do intervalo original de troca recomendado pela marca, que era de 240 mil quilômetros.
![Ford Fiesta mk7 [divulgação]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2024/04/Ford-Fiesta-MK7_edited-1320x792.jpg)
Risco de recall no horizonte
A NHTSA destacou ainda que os danos se repetiram mesmo em veículos com a manutenção rigorosamente em dia. Para tentar mitigar o problema, a Ford reduziu a recomendação de troca da correia para 160 mil quilômetros (ou seis anos) e passou a ressarcir clientes afetados. No entanto, o órgão regulador considera que o risco à segurança segue elevado e manterá os testes de engenharia para definir se um recall compulsório será exigido.
Vale lembrar que o motor 1.0 EcoBoost teve uma passagem curta pelo mercado brasileiro entre 2016 e 2019, equipado exclusivamente no Fiesta Titanium. Por aqui, o propulsor trazia a mesma construção com correia banhada a óleo, mas rodava apenas com gasolina e era associado ao câmbio automatizado PowerShift.

E você, já teve experiência com motores que utilizam correia banhada a óleo? Acredita que esse sistema vale a pena ou prefere a corrente de comando? Escreva nos comentários!


