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Estratégia de sobrevivência

Para otimizar investimentos, Mitsubishi prioriza parcerias em novos elétricos

Para evitar os altos investimentos de plataformas do zero, a Mitsubishi aposta em projetos compartilhados para seus novos elétricos

3 min de leitura

A Mitsubishi foi uma das pioneiras na eletrificação ao lançar o i-MiEV em 2009, muito antes da febre dos carros elétricos. Contudo, o pioneirismo parou por ali. O modelo não recebeu uma segunda geração. Sobretudo, nenhum kei car teve fôlego para cruzar as fronteiras rumo a grandes mercados ocidentais.

Desenvolver um carro novo exige investimentos bilionários. Um dinheiro que a Mitsubishi não tem em caixa. Essa realidade financeira apareceu com o Eclipse Sportback, que por baixo dos logotipos e do visual é, essencialmente, o novo Nissan Leaf elétrico rebatizado.

Mitsubishi i-MiEV prata parado de frente com fundo neutro
Mitsubishi i-MiEV [Divulgação]

O tombo da concorrência

O posicionamento e o pé no freio foi explicado pelo principal comandante do fabricante, o CEO Takao Kato, durante a última assembleia anual de acionistas do fabricante, conforme os relatórios originais da Automotive News em reportagem publicada pelo Carscoops.com.

“Os veículos elétricos estão enfrentando uma desaceleração em seu crescimento global. Nossa postura atual é de responder ao mercado por meio de parcerias estratégicas”, afirmou Kato aos investidores. Para entender o risco que a Mitsubishi quer evitar, basta olhar para a Honda. Ela optou por cancelar o lançamento dos veículos elétricos da Série 0. Uma decisão drástica que gerou uma reestruturação de quase US$ 16 bilhões.

Honda 0 Saloon parado de lateral
Honda 0 Saloon [Divulgação]

Sereia uma quantia fatal para a marca dos três diamantes. Enquanto a Honda emplacou mais de 3,3 milhões de veículos globalmente no ano passado, a Mitsubishi fechou o mesmo período com 883.828 unidades vendidas. Ou seja, não tem margem de erro. Na visão do executivo, arcar com perdas por conta de um produto encalhado criaria um problema de gestão, colocando em risco a saúde da companhia a longo prazo.

A ofensiva dos carros clonados

Diante do cenário instável, a ordem é jogar na retranca e pegar carona nas plataformas prontas da parceira com a Nissan e até de outros setores. Ainda este ano, a Mitsubishi deve anunciar um novo veículo elétrico inteiramente fabricado em Taiwan pela Foxconn (a gigante que monta o iPhone) com foco nos mercados do Japão e da Austrália.

Na Europa, a empresa comercializa um SUV elétrico com o icônico nome Eclipse Cross que, na verdade, segue a mesma receita do Sportback: trata-se de um Renault Scenic E-Tech rebatizado com a identidade visual da Mitsubishi.

Até o maior sucesso atual da marca, o SUV Outlander, é construído sobre a base do Nissan Rogue. A única joia da coroa verdadeiramente desenvolvida pela Mitsubishi é o elogiado sistema híbrido plug-in do Outlander PHEV. E até isso virou moeda de troca: a tecnologia fez o caminho inverso e deu vida ao Nissan Rogue PHEV.

Ao optar pela saúde financeira, a Mitsubishi pode até virar alvo por copiar os rivais. Entretanto, no mercado elétrico, abrir mão do ego é a estratégia de sobrevivência que manterá as finanças da empresa no azul.

Mitsubishi Outlander PEHV [Auto+ / João Brigato]
Mitsubishi Outlander PHEV [Auto+ / João Brigato]

E você, acha que a Mitsubishi está certa em economizar bilhões copiando os rivais? Escreva nos comentários.

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Rafael Dea

Cursou Jornalismo para trabalhar com carros. Formado em 2005, atuou na mídia impressa por mais de 16 anos e também em veículos on-line. Embora tenha uma paixão por caminhonetes, não dispensa um esportivo — inclusive, foi o único brasileiro a participar do lançamento global do Porsche Panamera GTS.

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