A Rampage nasceu no Brasil para colocar a Ram em um segmento no qual ela nunca havia entrado, resultando em um crescimento exponencial da marca americana. Agora essa mesma ideia vai atravessar continentes. A Stellantis confirmou que a picape chegará aos Estados Unidos em 2028, onde terá uma missão de ser a menor Ram disponível naquele mercado.
A confirmação veio do próprio Antonio Filosa, CEO global da Stellantis, para o jornal The Detroit News, durante Automotive News Congress, um evento da indústria automotiva em Detroit. Curiosamente, porém, o projeto já havia aparecido no planejamento da empresa em maio, durante o Investor Day de 2026.
Não por acaso, a Rampage entra justamente em uma das lacunas mais evidentes da Ram nos Estados Unidos. Enquanto a marca é fortíssima nas picapes grandes, como 1500, 2500 e 3500, ela não participa hoje da categoria das compactas. É aí que entra um nome bastante conhecido dos brasileiros.
Ford Maverick mostrou que existe espaço

O principal alvo será a Ford Maverick, como acontece no Brasil. Neste caso, falamos de uma picape monobloco menor e bem mais acessível que as tradicionais caminhonetes americanas. O sucesso da Ford chamou a atenção da própria Stellantis, afinal existe um público que quer uma picape, mas não precisa das dimensões de uma Ram 1500. Filosa deixou claro que a empresa quer disputar justamente esse espaço.
Isso também explica por que a Rampage faz bastante sentido nessa história. Diferentemente de começar um projeto completamente do zero, a Stellantis já tem uma picape pronta e testada justamente nessa categoria.

Ela foi desenvolvida pela engenharia sul-americana em 2023 e foi o primeiro modelo da Ram criado e produzido fora da América do Norte. Além disso, o projeto já começou a deixar de ser exclusivamente latino-americano. Em 2026, inclusive, a Stellantis iniciou sua expansão para a Europa.
Não será simplesmente a nossa Rampage
Apesar da origem brasileira, a Rampage vendida nos Estados Unidos pode não ser exatamente igual à encontrada atualmente nas concessionárias brasileiras. Durante o Investor Day, Filosa confirmou na época que uma picape compacta, provavelmente a Rampage, será produzida na América do Norte. Ou seja, não irá de navio do Brasil até os EUA devido às taxas de picapes que não são produzidas no continente.

Mas ainda está muito por cima todas as informações. Ainda faltam detalhes de fábrica, motores e até se o desenho mudará. O que se sabe é que o lançamento ocorrerá em 2028. Nesse intervalo, a atual geração também terá cinco anos de mercado, portanto uma atualização importante seria bastante natural. O modelo americano ainda precisará atender às exigências locais e às preferências daquele consumidor.
Por enquanto, a Stellantis não confirmou nenhuma motorização. No Brasil, a linha 2027 combina o 2.2 turbodiesel de 200 cv com o 2.0 Hurricane turbo flex de 272 cv. A transmissão automática tem nove marchas e a tração é integral. Isso, porém, não significa que os norte-americanos receberão exatamente esses conjuntos.
Rampage faz parte de uma Ram bem diferente

A chegada da Rampage também não acontecerá sozinha. A Ram prepara uma ofensiva para preencher praticamente todos os tamanhos de picape nos Estados Unidos. Acima dela ficará uma nova picape média, com a Stellantis também retomando o espaço ocupado historicamente pela Dakota — mas ela não terá nada a ver com a nossa que deriva de uma chinesa. Depois aparecem as tradicionais Ram 1500 e as maiores 2500 e 3500.
Com isso, a marca quer deixar de depender principalmente das caminhonetes grandes, enquanto aproveita segmentos nos quais concorrentes já vendem bastante, como é o caso da Maverick. A mudança também faz parte de um movimento maior da Stellantis. Filosa afirmou que o grupo prepara 11 novos modelos para a América do Norte nos próximos anos, com forte atenção aos preços mais baixos.

A empresa planeja ter sete desses veículos abaixo de US$ 40 mil, enquanto dois deverão começar abaixo de US$ 30 mil. O preço da Rampage, entretanto, ainda não foi anunciado. A ideia, contudo, é ficar nessa base de preço perto dos US$ 40 mil.
E o Brasil ganha alguma coisa com isso?
A Rampage foi criada pela engenharia sul-americana e continua tendo um peso enorme na operação brasileira. Somente entre janeiro e setembro de 2026, foram 18.605 unidades vendidas por aqui. Agora, porém, o projeto precisa atender também um dos mercados de picapes mais importantes do mundo.

Desta forma, mudanças desenvolvidas para a Rampage norte-americana podem acabar chegando ao modelo brasileiro no futuro, principalmente quando chegar a hora de uma atualização mais profunda.
E você, acha que a Rampage consegue fazer frente à Ford Maverick nos Estados Unidos? Deixe seu comentário!


