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Volkswagen defende convencer o cliente em vez de proibir motor a combustão

Diretor da Volkswagen, afirma que proibir motor a combustão é um erro e projeta que carros a gasolina serão raros até 2035

3 min de leitura

O fim dos carros com motores a combustão a gasolina e diesel, como a meta de 2030 no Reino Unido, gerou um efeito oposto no consumidor. Essa é a visão de Martin Sander, membro do conselho de administração da Volkswagen responsável pelas áreas de vendas, marketing e pós-vendas.

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Para o executivo, a indústria e os governos erraram ao focar em proibições burocráticas em vez de ressaltar os benefícios da eletrificação. Em entrevista à publicação britânica Auto Express, Sander usou uma analogia para criticar as pressões políticas atuais:

“É por isso que não gosto da discussão sobre a proibição dos motores tradicionais. Todos só falam da proibição. Então, como convencer os consumidores sobre uma nova tecnologia quando apenas se comenta em quando haverá uma data para o fim da combustão interna?

Motor a combustão

O debate, segundo Sander, envolve focar em soluções estruturais, passando pela expansão da infraestrutura de recarga pública, por um discurso voltado nas vantagens reais dos veículos elétricos e por ações diretas para mitigar e estabilizar os preços da energia.

Caso essas barreiras de custo e recarga sejam plenamente atendidas pelas autoridades, a Volkswagen projeta uma virada de chave drástica. O interesse global em veículos zero-quilômetro equipados com motores a combustão interna despencaria para uma fatia residual entre apenas 3% e 5% até o ano de 2035, de acordo com informações também publicadas pelo Carscoops.com.

Volkswagen ID.3 fábrica de Dresden na Alemanha que fecha
Volkswagen fábrica de Dresden (ALE) [Divulgação]

Com a migração natural em massa, os motores tradicionais sofreriam uma mudança profunda de percepção: virariam itens de nicho e seriam vistos exatamente como um meio de transporte puramente nostálgico.

O laboratório chinês e o veto aos híbridos na Europa

Para acelerar essa maturidade sem pular etapas, a Volkswagen usará de forma agressiva a bagagem acumulada no mercado chinês. Contudo, as lições asiáticas terão filtros no Velho Continente. Um exemplo são os veículos elétricos com extensor de autonomia, que utilizam um motor térmico só para alimentar as baterias.

Enquanto o W ID. 9X com especificações chinesas traz esse sistema, o fabricante confirmou que não haverá EREVs para o mercado europeu. Essa exclusão sinaliza que a matriz alemã projeta uma demanda fraca para esse tipo de motorização, optando por concentrar seus esforços na transição direta para elétricos puros.

Escalada chinesa

Ainda que o portfólio mude entre as regiões, o aprendizado técnico obtido na Ásia servirá para a marca defender suas fronteiras comerciais no restante do mundo. Sander deixa claro que a experiência na China é vital para garantir a sobrevivência contra novos concorrentes:

“Tudo o que estamos aprendendo na China nos ajudará a sermos competitivos em todos os outros mercados onde competimos com os chineses. Da nossa parte, trata-se muito de escala, eficiência e custo, e é nisso que estamos trabalhando. Precisamos ser competitivos. Não há alternativa.”

Volkswagen ID. Polo e ID. Polo GTI
Volkswagen ID. Polo [Divulgação]

E você, acredita que focar na infraestrutura e no preço da energia convencerá o motorista, ou o fim dos carros a gasolina só acontecerá com prazos e proibições dos governos? Escreva nos comentários!

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Rafael Dea

Cursou Jornalismo para trabalhar com carros. Formado em 2005, atuou na mídia impressa por mais de 16 anos e também em veículos on-line. Embora tenha uma paixão por caminhonetes, não dispensa um esportivo — inclusive, foi o único brasileiro a participar do lançamento global do Porsche Panamera GTS.

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