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Jeep Wrangler Rubicon custa um SUV alemão e não precisa provar nada para ninguém | Avaliação

O Jeep Wrangler Rubicon ignora o tempo e o preço de SUV de luxo para transmitir uma experiência única de condução e de valentia off-road

11 min de leitura

Nos dedos de uma mão é possível contar quantos carros novos à venda no Brasil carregam uma carga histórica, seja no nome ou na trajetória. Entre eles, o Land Rover Defender, com o tom Sandglow Yellow das expedições do Camel Trophy, e o Jeep Wrangler, cujas raízes remetem diretamente à Segunda Guerra Mundial e produções de Hollywood, como Jurassic Park.

Barato ele não é: o Jeep Wrangler Rubicon parte de R$ 529.990, o que é equivalente ao Mercedes-Benz GLC 300 4Matic AMG Line (R$ 527.900). O valor ainda é idêntico ao da caminhonete Gladiator Rubicon, que oferece a mesma valentia no fora de estrada, mas com o plus do compartimento de cargas de 1.000 litros e ainda caoaz de acomodar 674 kg de carga útil.

O Jeep Wrangler, aliás, pode ter preço equivalente a um modelo alemão, ficar acima do preço de uma Ram 1500 Big Horn ou custar uma frota de seis Fiat Mobi Like. O ponto é que nenhum deles entrega a mesma proposta ou experiência sui generis ao volante. Afinal, não é apenas a forma, mas a função que faz o jipão ser o que ele realmente é.

Jeep Wrangler Rubicon 4x4 branco parado de traseira
Jeep Wrangler Rubicon 4×4 [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Um brinquedo para adultos, capaz de escalar obstáculos com a mesma facilidade com que se calça um par de tênis. Mais do que isso, ele proporciona uma experiência ao volante similar à de pilotar uma motocicleta, graças à possibilidade de remover as portas, rebater o para-brisa e retirar o teto. Um grande Lego de gente grande!

O Jeep Wrangler Rubicon é fácil de conviver na cidade?

O Jeep Wrangler Rubicon é um daqueles carros que não passam despercebidos. O visual quadrado exibindo o DNA diretamente herdado dos campos de batalha, com para-lamas destacados, ostenta uma grade frontal sutilmente redesenhada nesta linha JL e faróis circulares Full LED. As proporções são de 4,78 m de comprimento, 1,89 m de largura, 1,85 m de altura e 3,00 m de entre-eixos.

Impõe respeito, bem como a posição de dirigir elevada coloca o motorista praticamente no mesmo degrau de altura dos Veículos Urbanos de Carga (VUC). Todavia, o estepe pendurado na traseira exige cuidado nas balizas, embora coloque uma dose extra de obediência nas motos e nos motoristas que gostam de andar colados.

Ele foi projetado para enfrentar o fim do mundo, portanto, a altura em relação ao solo é de 26,8 cm, enquanto os ângulos de entrada e de saída são de 41,4º e 36,1º, respectivamente. Ou seja, até a capacidade de travessia de 760 mm garante tranquilidade ao se deparar com um trajeto alagado.

Apesar disso, no uso cotidiano ele requer uma dose de reaprendizado. Afinal, ao volante o comportamento é bem diferente de um utilitário esportivo tradicional com estrutura monobloco. As respostas são mais lentas e nas curvas existe a tendência da carroceria rolar ligeiramente além da conta. Aliás, algo já percebido desde a geração JK.

Jeep Wrangler Rubicon 4x4 branco parado de frente
Jeep Wrangler Rubicon 4×4 [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Não esquece de oferecer comodidades

A direção possui assistência eletro-hidráulica, com um funcionamento mais lento e pesado do que o de uma caixa 100% elétrica. De batente a batente, são necessárias três voltas. A cabine também resgata a escola clássica: o para-brisa verticalizado fica mais próximo do condutor, enquanto o painel assume uma posição recuada e reta.

É uma ergonomia ímpar, marcada pelo detalhe de guiar enxergando o capô, ou seja, uma característica vinda do Jeep CJ, mas também compartilhada com outros modelos atuais do fabricante, como o Renegade e o Avenger. Só que, embora duro na queda, o Jeep Wrangler não deixa de oferecer uma lista de mimos aos até cinco ocupantes.

De série, inclui multimídia de 12,3 polegadas com Android Auto/Apple CarPlay e GPS, ar-condicionado de duas zonas, quadro de instrumentos com tela TFT de sete polegadas, bancos frontais ajustáveis eletricamente e controlador adaptativo de velocidade. Uma curiosidade está nos comandos dos vidros no painel por conta da possibilidade de retirar as quatro portas.

A lista ainda contempla monitoramento da pressão dos pneus, aviso de colisão frontal, detector de tráfego cruzado, assistentes de descida e de subida, câmera frontal, bancos revestidos em couro, volante com aquecimento, além de controles eletrônicos de tração, estabilidade, anticapotamento e de oscilação de carroceria.

Jeep Wrangler Rubicon 4×4 [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Anda como se não houvesse amanhã

Um dos grandes atributos do Jeep Wrangler Rubicon está em trafegar sem tomar conhecimento das condições do piso. Afinal, ele ignora buracos, valetas ou lombadas. E as rodas de liga leve de 17 polegadas, calçadas por pneus de medidas 255/75, garantem confiança para dirigir sem preocupações.

As suspensões adotam eixo rígido com molas helicoidais na dianteira e na traseira, mostrando-se confortáveis para o uso diário. De todo modo, curso do conjunto é bastante longo. Por conta do tipo de construção, nas frenagens mais fortes é possível sentir a transferência de carga.

Não é nada que assuste e, após poucos metros, o motorista se acostuma com esse comportamento e com a modulação do pedal do freio. Aliás, o sistema de frenagem emprega discos ventilados de 330 mm de diâmetro no eixo frontal e sólidos de 342 mm atrás. Contudo, nos momentos de aceleração forte, a frente não demonstra a tendência de erguer demais.

Turbão

Esta geração JL do Jeep Wrangler emprega o motor 2.0 turbo de quatro cilindros da família Hurricane, com turbocompressor e injeção direta, conectado ao câmbio automático de oito marchas, para render 272 cv e 40,8 kgfm. É eficiente desde os baixos giros, carregando sem esforços os 2.051 kg em ordem de marcha, atribuindo uma relação peso-potência de 7,54 kg/cv e peso-torque de 50,3 kg/kgfm.

Sobretudo, o conjunto garante boas acelerações e até uma dose de tempero esportivo. Afinal, ele acorda rápido e ainda é possível ouvir a válvula aliviando a pressão do sistema, o que dá uma pitada extra à condução. Entretanto, na irmã Gladiator, sob o capô repousa o V6 3.6 a gasolina atrelado à caixa automática de oito marchas, entregando 284 cv e 35,4 kgfm.

Motor do Jeep Wrangler Rubicon 4x4
Jeep Wrangler Rubicon 4×4 [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Segundo o Programa de Etiquetagem do Inmetro, o consumo do Jeep Wrangler Rubicon é de 7,2 km/l na cidade e 7,5 km/l na estrada, unicamente abastecido com gasolina. Na prática, durante a nossa convivência conquistamos médias superiores: o computador de bordo informou mais de 8 km/l e até 9 km/l nos trajetos urbanos.

Jeep Wrangler Rubicon e os recursos no Off-Road

O sobrenome Rubicon e o selo Trailrated confirmam o sistema de tração 4×4 Rock-Trac®, que opera com relação reduzida de 4:1 e entrega um crawl ratio de 77:1. Traduzindo, na prática, essa multiplicação entrega torque máximo nas rodas em baixa velocidade, assegurando um maior controle ao passar por pedras ou terrenos íngremes.

As suspensões vencem as adversidades com facilidade, o que contribui no conforto dos passageiros nas aventuras de finais de semana. De todo modo, a distribuição de força é otimizada pelo bloqueio eletrônico dos diferenciais Tru-Lok®, que trava mecanicamente os eixos para impedir que rodas girem em falso.

O sistema permite bloquear apenas o eixo traseiro ou ambos simultaneamente, além de liberar o travamento traseiro no modo 4HI para terrenos de baixo atrito. Contudo, quando é necessária uma maior articulação, pode acionar eletronicamente a desconexão da barra estabilizadora dianteira pelo botão Sway Bar.

Esse recurso amplia a articulação da suspensão em até 30%, mantendo o eixo dianteiro livre para que os pneus conservem o contato com o solo. A eletrônica ainda atua de forma integrada por meio do sistema Off-Road+, que calibra automaticamente as respostas do acelerador, do controle de tração e das trocas de marcha. A tração é selecionada pela alavanca dedicada, nos modos 4×2, 4×4 Auto, 4×4 Part Time e 4×4 Low.

Jeep Wrangler Rubicon 4×4 [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Os olhos que tudo veem

Já para auxiliar nas manobras, a câmera frontal TrailCam exibe no painel linhas guia que mostram a trajetória, oferecendo esguicho para lavar a lente em caso de acúmulo de lama. E a proteção da estrutura fica a cargo de placas de aço no cárter, na transmissão, no tanque de combustível e na caixa de transferência.

Nas laterais e na traseira, os trilhos de aço rock rails protegem a caixa de roda e a base da cabine contra impactos em rochas. Todo esse aparato chancela o selo Trailrated, cujos requisitos atestam a capacidade de transpor trechos alagados de até 76 cm a 8 km/h, manter tração integral em articulações severas e superar pedras com o auxílio do vão livre do solo de quase 27 cm.

Embora ofereça a possibilidade de retirar as portas e o teto, o Jeep Wrangler possui vidros dianteiros acústicos e espuma adicional de isolamento no para-brisa, na capota dianteira e nas colunas B, proporcionando uma rodagem surpreendentemente silenciosa no asfalto.

E quem viaja atrás?

Com 3,00 m de entre-eixos, o espaço para as pernas e joelhos dos ocupantes traseiros é generoso. O encosto assume uma posição ereta e o interior segue equipado com drenos para escoar a água. Já o acesso é facilitado pelo ângulo de abertura das portas. Ainda inclui entradas USB-C, somando até sete portas USB (tipos A e C). Há também tomadas de acessórios de 12V, enquanto o porta-malas, a capacidade volumétrica é de 498 litros.

Custando exatamente o mesmo valor da caminhonete Gladiator, a decisão entre os dois resume-se ao gosto pessoal ou à necessidade prática da caçamba nas expedições de fim de semana. No frigir dos ovos, o Wrangler é a transposição perfeita de um tanque de guerra adaptado à vida civil e ainda com um apelo visual absolutamente atemporal.

Jeep Wrangler Rubicon 4×4 [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Veredicto

O Jeep Wrangler Rubicon não tenta agradar a todos, sendo essa a sua maior virtude. Em um mercado saturado por SUVs monobloco que priorizam telas gigantes, o jipão norte-americano mantém-se como um bastião purista de engenharia robusta e proposta puramente funcional. No entanto, custar R$ 529.990 até pode o inserir em uma prateleira de SUVs de luxo.

Só que ele entrega uma experiência de liberdade e valentia que nenhum carro consegue replicar, justificando a etiqueta de preço não pela racionalidade do uso diário na cidade, mas pela exclusividade de ser um brinquedo sem limites de ir e vir, assim como repleto de detalhes como no bocal de abastecimento do tanque de combustível e as travas do capô!

Ficha Técnica

  • Preço: R$ 529.990
  • Motor: 2.0 quatro cilindros turbo e injeção direta, duplo comando de válvulas com variação na admissão e no escape
  • Potência e torque: 272 cv e 40,8 kgfm
  • Transmissão: automática de oito marchas
  • 0 a 100 km/h: 7,6 segundos
  • Tração: 4×2, 4×4 e 4×4 com reduzida
  • Medidas: 4,78 m de comprimento, 1,89 m de largura, 1,85 m de altura e 3,00 m de entre-eixos
  • Porta-malas: 498 litros
  • Altura livre do solo: 26,8 cm
  • Consumo gasolina: 7,2 km/l na cidade e 7,5 km/l na estrada

E você, gastaria os R$ 529.990 no Jeep Wrangler ou optaria por um SUV alemão? Escreva nos comentários!

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Rafael Dea

Cursou Jornalismo para trabalhar com carros. Formado em 2005, atuou na mídia impressa por mais de 16 anos e também em veículos on-line. Embora tenha uma paixão por caminhonetes, não dispensa um esportivo — inclusive, foi o único brasileiro a participar do lançamento global do Porsche Panamera GTS.

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