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Lexus RZ é, antes de tudo, um Lexus; depois, um elétrico | Impressões

Ainda que tenha dois modelos equivalentes de outras marcas, o Lexus RZ exala toda a aura da fabricante japonesa

6 min de leitura

Brigar no segmento de carros elétricos contra as marcas chinesas virou um jogo perdido. Afinal, elas conseguem entregar carros com autonomias esdrúxulas, acabamento digno de uma montadora premium e, ainda por cima, cobrar valores muito abaixo do que uma tradicional conseguiria. Aí vem a Lexus e lança o RZ por meio milhão de reais.

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Pode até parecer não fazer sentido, mas quando vemos que todo o estoque da marca programado para este ano já foi vendido, talvez a estratégia da Toyota não esteja tão viajada na maionese assim. São 60 unidades, mas a Lexus só tem 15 revendas. Ou seja, foram dois carros por concessionária em um mercado muito voraz.

Mas o que explica essa estratégia tímida, mas assertiva, da Toyota? O fato de que o Lexus RZ foi criado como um legítimo modelo da marca de luxo japonesa e que, por um acaso, é elétrico — não o contrário. Basta ver como algumas marcas tradicionais criam seus carros elétricos de maneira muito oposta às suas tradições para entender onde a Lexus quer chegar.

Lexus RZ [Auto+ / João Brigato]
Lexus RZ [Auto+ / João Brigato]

O mais rápido do Brasil

Infelizmente nunca tivemos o Lexus LFA no Brasil. Por isso, o título de carro mais potente e rápido da marca japonesa em nosso território é do RZ. Ele conta com dois motores elétricos, um em cada eixo, entregando 227 cv e 26,9 kgfm cada. Ao todo, são 381 cv e 53,98 kgfm, porque os dois motores não entregam 100% da força ao mesmo tempo.

Na dinâmica, é possível perceber um comportamento mais neutro do Lexus, típico da marca. Ele arranca forte, mas estável e centrado. Enquanto nas curvas, mesmo nas mais abusadas, segura bem a carroceria e não escapa de traseira ou de frente. Em alta velocidade, a estabilidade do SUV chama atenção. Mas ele não passa de 180 km/h.

Lexus RZ cinza de frente [Auto+ / João Brigato]
Lexus RZ [Auto+ / João Brigato]

Diferentemente do que é oferecido lá fora, o Lexus RZ não veio com a polêmica direção yoke, mas mantém a tecnologia de atuação eletrônica da marca. É uma direção que filtra muito bem o que acontece no asfalto, mas ao mesmo tempo entrega peso e velocidade de atuação muito condizentes com a proposta mais refinada do modelo.

Ela não é pesada ou dura, mas é mais firme. O mesmo vale para a suspensão, fazendo com que as duas pareçam ter sido desenhadas para rodar com o Lexus RZ em belas estradas sinuosas da Europa, não nas ruas esburacadas de Osasco. Por conta do peso grande da carroceria e dos pneus finos, a buraqueira o faz sofrer.

Lexus RZ cinza de traseira
Lexus RZ [Auto+ / João Brigato]

Segundo a Toyota, a autonomia total do Lexus RZ é de 420 km na medição WLTP, enquanto no Inmetro ele foi homologado em 357 km. Na prática, você tem um carro com autonomia suficiente para passar dos 400 km com uma carga e capacidade de recarregar em carregadores de até 150 kW.

Luxo japonês

Algo que tem me despertado atenção nos Lexus desde que a marca começou a ter um contato mais forte com a imprensa nos últimos anos é que ela não seguiu a moda das rivais. Apesar de ter cabines modernas, ela não abre mão de comandos físicos e de pensar, com carinho verdadeiro, na ergonomia.

interior caramelo Lexus RZ [Auto+ / João Brigato]
Lexus RZ [Auto+ / João Brigato]

O Lexus RZ segue essa filosofia, mas com um diferencial grande: o uso de materiais diferentes na cabine e algumas soluções estranhas. Os bancos são revestidos em UltraSuede, um material feito com 30% de base vegetal. Ele tem toque agradável e é bonito, mas passa a sensação de que vai envelhecer muito mal, como Alcantara, além de esquentar fácil.

No Brasil, a marca oferece o interior nas colorações preto, azul e caramelo, sendo a última combinada a elementos em couro bege bem claro, que também sujam fácil. Só que a aparência é de um luxo diferente e mais elegante. Esse toque também vem das luzes projetadas nas portas e de detalhes como o revestimento texturizado no console central.

A Lexus também equipou o RZ com uma enorme central multimídia que, mesmo concentrando os comandos do ar-condicionado na parte inferior, manteve controles físicos para temperatura e volume do rádio. Ela traz Android Auto e Apple CarPlay sem fio, além de ser muito fácil de mexer.

O que decepciona é o painel de instrumentos totalmente digital. Ele é uma tela pequena em uma área grande, fazendo parecer o painel digital dos carros de entrada da Stellantis que usam plataforma Small Wide, como Jeep Renegade e Fiat Toro. Além disso, o volante tem comandos touch que mudam a aparência do head-up display só de encostar a mão.

porta-malas lexus rz

Fora essa falha ergonômica e a inexplicável ausência de porta-luvas, todo o interior do Lexus RZ é bem pensado e fácil de usar. O espaço é relativamente bom. Isso porque o piso traseiro é muito alto, fazendo com que os passageiros traseiros precisem ficar com as pernas mais elevadas do que seria confortável. O espaço para cabeça, contudo, é muito bom, assim como o porta-malas de 522 litros.

Veredicto

No final das contas, analisando o Lexus RZ como um puro carro elétrico, ele é caro pelo que oferece. Mas há algo que as marcas chinesas até hoje não conseguiram entregar, salvo exceção da Zeekr: dirigibilidade verdadeiramente boa. Algo capaz de transformar o fato de ser elétrico em apenas um acaso.

É isso que o Lexus RZ entrega: a verdadeira experiência de um Lexus, com a vantagem de ser totalmente elétrico. Além disso, no final das contas, é um Toyota. Ou seja, um carro extremamente confiável, durável e que ainda tem dez anos de garantia.

Você teria um Lexus RZ? Conte nos comentários.

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João Brigato

Formado em jornalismo e design de produto, é apaixonado por carros desde que aprendeu a falar e andar. Tentou ser designer automotivo, mas percebeu que a comunicação e o jornalismo eram sua verdadeira paixão. Dono de um Jeep Renegade Sem Nome, até hoje se arrepende de ter vendido seu Volkswagen up! TSI.

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