Um dos produtos mais esperados para o nosso mercado é o Jaecoo 5. Assim como seu irmão Omoda 5 fez barulho quando chegou e já aparece bem nas vendas, o novo SUV vem com uma proposta semelhante no conjunto, mas com público mais diferente, com o visual mais quadradão e conservador, exatamente do jeito que o brasileiro costuma gostar.
Segundo informações ligadas à marca, às quais o Auto+ teve acesso, o preço deve começar entre R$ 150 mil e R$ 156 mil na versão somente a combustão que coloca o modelo diretamente na briga com Honda WR-V EXL, Volkswagen Nivus Comfortline, Jeep Renegade Longitude e Nissan Kicks Exclusive, entre outros SUVs compactos.
O Jaecoo 5 terá três tipos de motorização: combustão, híbrido pleno e elétrico. A versão HEV, já confirmada para o Brasil, traz o mesmo conjunto do Omoda 5, ou seja, um um motor 1.5 turbo a gasolina de injeção direta de 135 cv e 20,4 kgfm., combinado a um motor elétrico dianteiro de 204 cv. No total, são 224 cv e 30,1 kgfm, sempre ligados ao câmbio DHT, responsável por gerenciar a atuação entre motor a combustão e elétrico.
Equilíbrio e bem resolvido

O Auto+ teve contato com o Jaecoo 5 por cerca de 600 km em uma viagem longa na China. Durante esse percurso, participamos de uma maratona de consumo, que inclusive vencemos, registrando até 35,7 km/l. Claro, andando extremamente devagar, sem ar-condicionado e com combustível chinês, que está preste a ter cerca de 10% de etanol na gasolina e dependendo pode nem haver, bem diferente dos nossos 30%.
Depois disso, fomos para o uso real. Nesse caso, o carro mostrou comportamento consistente. O conjunto entrega uma boa distribuição de potência, com retomadas rápidas e acelerações consistentes, muito graças ao motor elétrico sempre pronto.



No caso, isso elimina aquele delay chato que vemos em turbos sem eletrificação, como Volkswagen T-Cross e Chevrolet Tracker. O resultado é um carro que responde rápido e permite ultrapassagens com segurança e tranquilidade.
Mesmo assim, o 0 a 100 km/h ficou um pouco acima, feito em 9,2 segundos em nossos testes, acima dos 7,9 s divulgados, mas no caso, com o carro cheio. Isso com o modo Sport ativado, que é o único além do Eco e pode ser selecionado facilmente por um botão no console.
Direção artificial pensado no conforto

A direção se mostrou direta, mas a comunicação ainda deixa a desejar. E isso já é padrão em muitos carros chineses, pois a direção é claramente sobreassistida, ou seja, o sistema elétrico atua tanto para trazer conforto que resulta em uma dirigibilidade mais anestesiada e artificial em velocidades mais altas.
Todavia, em compensação, essa escola chinesa privilegia o conforto urbano, o que sobra facilidade em manobras. Ainda assim, em curvas rápidas, o carro se mantém alinhado, com boa aderência. O problema não é a capacidade, mas sim a falta de comunicação do volante com as rodas que filtra as imperfeições e a força G na condução rodoviária.
Suspensão bem acertada

Em relação a suspensão, o contato foi limitado devido às condições do asfalto chinês, mil vezes melhor que o brasileiro. Mesmo assim, dá para perceber um conjunto bem resolvido. A carga dos amortecedores me satisfez, com uma calibração pensada para equilibrar conforto e controle.
Não é molenga como chineses, nem firme demais como um europeu. Ele usa o curso longo para absorver impactos, mas mostra constância de amortecimento para segurar a carroceria em mudanças de trajetória.

O resultado é um carro com rolagem de carroceria controlada, mesmo sendo um SUV, sem excesso de maciez na hora das imperfeições. Se fosse do jeito que está para o Brasil, aparentemente já estaria bem resolvido. Vale lembrar que estamos falando de suspensão independente, superior aos rivais com eixo de torção.
Interior agrada
Por dentro, o Jaecoo 5 será praticamente igual ao que veremos no Brasil. Como o Auto+ antecipou, ele terá três versões: Comfort, mais simples, e Prestige, topo de linha, que testamos. O painel de instrumentos digital de 8 polegadas achei simples e com pouca personalização, o que decepciona um pouco. Ainda assim, entrega o essencial.



Já a central multimídia vertical de 13,2 polegadas é muito boa, assim como o sistema de som assinado, neste caso, pela Sony. Traz ótima qualidade, boa personalização e tem Apple CarPlay e Android Auto sem fio.
O pacote ainda oferece câmera 540° de boa qualidade, sensores dianteiros e traseiros e um ADAS nível 2 completo, com piloto automático adaptativo com centralização de faixa, que funciona de forma suave, mas ainda um pouco invasivo, como já virou padrão nos chineses.



Também há alerta de ponto cego com tráfego cruzado, frenagem automática e outros assistentes. Os bancos são bem acolchoados e confortáveis, com ajuste elétrico para o motorista e ventilação dianteira. A ergonomia também agrada, com bom recuo dos bancos e espaço traseiro satisfatório, com saídas de ar e USB. O porta-malas, com 480 litros, também é um dos bons argumentos.
Veredicto

O Jaecoo 5, se chegar com esse preço, será uma surpresa até mesmo diante das marcas chinesas já consolidadas. Ele entrega espaço, bom conjunto mecânico e um pacote tecnológico forte. Mesmo se for um pouco acima dos R$ 160 mil e encostar nos R$ 170 mil, será um ótimo custo-benefício ao brasileiro.
Segundo Roger Corassa, Vice-Presidente da O&J, os carros recebem adaptações com base no feedback dos clientes e podemos esperar os modelos flex no mercado, porém ainda não em 2026. Embora o modelo testado seja um protótipo em fase praticamente final, o Jaecoo 5 se mostrou bem calibrado, com ajustes de direção que ainda podem evoluir, mas com muito potencial para fazer bonito no Brasil.



