Confesso que surgiu uma dúvida quando vi a Fiat Toro 2026 pela primeira vez. Senti um misto de ceticismo ao observar a mudança em um desenho vencedor dos prêmios Red Dot Design Award, em 2016, e iF Design Award, em 2017. Mas, independentemente da minha opinião, renovar é preciso. E acredite: acabei me acostumando.
Tudo bem, ainda prefiro o visual anterior. No entanto, a nova cara da Fiat Toro alinhou a caminhonete monobloco à atual linguagem estilística da marca já vista no Grande Panda, que chegará em nosso mercado como novo Argo, assim como no Cronos, para citar. Ela mantém a receita: atender quem deseja uma caminhonete, sem os inconvenientes das médias, como Chevrolet S10, Ford Ranger e cia.
A Fiat Toro utiliza a plataforma Small Wide, compartilhada com os Jeep Compass, Commander e Renegade, assim como a Ram Rampage. As principais mudanças estilísticas aparecem na pegada verticalizada dos para-choques dianteiro e traseiro, nos elementos da grade do radiador, bem como nas novas lanternas e DRL pixelado.


Isso aumentou o comprimento da carroceria para 4,95 m ante 4,94 m da antecessora, enquanto mede 1,84 m de largura, 1,68 m de altura e 2,98 m de entre-eixos. O acesso à caçamba continua pelas duas portas traseiras e o compartimento oferece uma volumetria de 937 litros e uma capacidade de carga útil de 670 kg nesta versão Volcano Turbo 270 Flex.
Fiat Toro mostra a cara e a traseira diferentes
É inegável que o design frontal da Fiat Toro 2026 conferiu à caminhonete monobloco um olhar intimidador. A porção frontal exibe uma pegada verticalizada, com mais recortes acompanhados por um skid plate em formato de U, bem como a grade do radiador redesenhada transmitir personalidade ao utilitário. É uma tendência que a marca também já aplica no Fiat Fastback.
A traseira não abriu mão da verticalização, com as extremidades simulando saídas de ar, mas também adotou linhas horizontais, reforçadas pelo desenho das lanternas acompanhadas da nova maçaneta da tampa do compartimento de carga. Aliás, a área oferece iluminação e mede 1,33 m de comprimento, 1,36 m de largura e 571 mm de altura. A capota marítima é de série.

Ao abrir a porta, a linha 2026 da Fiat Toro corrigiu uma falha ao adotar o freio de estacionamento eletrônico com função Auto Hold, que mantém a caminhonete parada sem a necessidade de pressionar o pedal do freio. Isso abriu espaço no console central favorecendo a habitabilidade do motorista e do carona.
O quadro de instrumentos digital de sete polegadas é de série para todas as configurações e estreou novos grafismos, enquanto o multimídia vertical de 10 polegadas com Android Auto e Apple CarPlay pega uma carona no estilo da central aplicado nas caminhonetes Full Size da Ram, sendo um opcional dentro do pacote Pack Tech (R$ 6.500).



Itens de série
De série, a Fiat Toro Volcano Turbo 270 Flex inclui banco do motorista ajustável eletricamente, sensores de chuva e crepuscular, retrovisor interno eletrocrômico, carregador de smartphone por indução, ar-condicionado de duas zonas, câmera de ré, indicador de trocas de marchas, faróis Full LED e Isofix para fixação de bancos infantis.
Em segurança, a picape contempla seis airbags (frontais, laterais e de cortina), luzes de neblina em LED, controles eletrônicos de tração e estabilidade, sinalização de frenagem de emergência, assistente de partidas em rampas, monitoramento da pressão dos pneus, luzes ambientes de LED, sensores de estacionamento frontais e traseiros.

O sistema TC+ está presente na Fiat Toro Volcano Turbo 270 Flex e atua em pisos de baixa aderência ao enviar uma maior quantidade de torque para a roda em maior contato com o solo. Sob o capô está o conhecido conjunto formado pelo motor 1.3 16V de quatro cilindros com turbo e injeção direta atrelado ao câmbio automático de seis marchas.
Após se adequar às normas do Proconve L8 desde primeiro de janeiro do ano passado, que exigiu um novo mapa de calibração focado em emissões, a Fiat Toro turboflex passou a oferecer 176 cv a 5.750 rpm (etanol/gasolina) mantendo os 27,5 kgfm com ambos os combustíveis. É o número em alusão à sigla T270. Só que ao volante surgem nuances em relação à época que o conjunto rendia até 185 cv.


Uma nova condução
Os 9 cv a menos fizeram diferença nas respostas ao pedal do acelerador. Se antes a caminhonete monobloco, assim como o Jeep Renegade, era um canhão, agora o desempenho está apenas adequado à proposta. Não é ruim, porém, é menos empolgante em relação ao modelo do passado.
Mesmo assim, a Fiat Toro Volcano Turbo 270 Flex mostra disposição em ganhar ou retomar a velocidade, fôlego cooperado pelo trabalho da caixa automática da Aisin, que possibilita trocas sequenciais pela alavanca seletora de marchas ou pelas práticas borboletas atrás do volante.

A relação peso-potência é de 9,49 kg/cv contra 9,03 kg/cv da Volcano à época com maior poderio mecânico. Há pouco turbolag (atraso antes de o turbocompressor atuar) e a calibração do pedal do acelerador é claramente voltada para o conforto. Essa característica também aparece na direção assistida eletricamente.
Ela é leve ao esterço e transmite o peso correto ao dirigir mais apressadamente. Além disso, a caminhonete monobloco da Fiat acelera de 0 a 100 km/h em 10 segundos, com velocidade máxima de 197 km/h. Com 185 cv, o modelo cumpria a prova em 10,7 segundos e cravava 201 km/h de máxima.


Como é a convivência?
Da mesma forma que uma Ford Maverick, a sensação a bordo da Fiat Toro é de guiar um utilitário esportivo. Não há batidas secas tampouco o pula-pula característico das caminhonetes médias ao trafegar sem carga. É um automóvel com quase cinco metros de comprimento, mas com uma personalidade amigável e fácil de ser conduzido.
Apesar da área envidraçada traseira reduzida, a visibilidade à frente e lateral é boa, auxiliada pelo desenho dos retrovisores. Entretanto, o diâmetro de giro de 12,2 m melhorou em relação à primeira Fiat Toro de 2016, facilitando as manobras em locais apertados, como em vagas de shopping ou de prédios. Já as rodas de liga leve são de 18 polegadas e calçadas por pneus de medidas 225/60.

Mesmo com a menor potência a Fiat Toro Volcano Turbo 270 Flex encara bem subidas íngremes e supera adversidades urbanas, como lombadas e valetas com coragem por conta dos ângulos de entrada de 25º, de saída de 29º e pela altura em relação ao solo de 198 mm. Por curiosidade, um Jeep Compass possui 20,9º, 20,9º e 209 mm, respectivamente.
O conjunto de suspensões da Fiat Toro
As suspensões adotam arquitetura McPherson à frente e Multilink atrás, sendo confortáveis e com curso longo. A tração é 4×2 ficando o sistema 4×4 reservado às versões Volcano Turbodiesel (a partir de R$ 217.490) e Ranch Turbodiesel (R$ 235.490). Uma boa característica está na modulação dos freios, que empregam discos ventilados nos dois eixos.
Eles medem 305×28 mm no eixo frontal e 320×22 mm na traseira contribuindo para paradas eficientes e uma boa modulação do pedal. Contudo, para quem deseja consumo, segundo os dados do Inmetro, as médias com etanol são de 6,5 km/l na cidade e de 7,8 km/l na estrada, enquanto na gasolina são de 9,4 km/l e 10,8 km/l, respectivamente.


Contudo, quem deseja um extra no pacote de segurança deve incluir o Pack Tech (R$ 6.500). Paralelamente ao multimídia de 10 polegadas vertical, ele também inclui itens extras a exemplo da frenagem automática de emergência, do aviso de saída de faixa e da comutação automática do farol alto. Completa e finalizada na cor preto Carbon (R$ 2.450), a caminhonete da Fiat custa R$ 201.480.
Ou seja, ela encosta na versão Ultra Turbo 270 Flex, que parte de R$ 202.490 e traz como diferencial a tampa rígida do compartimento. Esse item transforma a caçamba em um grande porta-malas, o que eleva a versatilidade e a proteção da bagagem ao encarar terrenos fora de estrada ou dias chuvosos.

Veredicto
Mesmo com a perda de 9 cv para atender às normas ambientais, a Fiat Toro Volcano Turbo 270 Flex mantém o equilíbrio entre o conforto de um SUV e a versatilidade de carga. O design atualizado pode até dividir opiniões, porém, a inclusão do freio de estacionamento eletrônico resolve uma crítica antiga.
Além disso, se você busca o desempenho da antecessora, sentirá falta daquela patada extra. Mas, para quem vive na cidade e precisa de uma caminhonete que caiba em vagas de condomínio sem abrir mão da caçamba, a Fiat Toro segue a rainha do segmento. Ela não é mais um canhão, embora siga um utilitário pensado de forma inteligente.


A partir de R$ 192.490
4,95 m de comprimento, 1,84 m de largura, 1,68 m de altura e 2,98 m de entre-eixos
937 litros e carga útil de 670 kg
O Pack Tech é um opcional de R$ 6.500. Ele inclui multimidia de 10 polegadas com Apple CarPlay e Android Auto sem fio, comandos de voz, MP3, Radio AM/FM, entrada auxiliar, porta USB, frenagem automática de emergência, aviso de saída de faixa e comutação automática do farol alto
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