Dirigir um Audi carrega uma certa expectativa específica. Principalmente hoje, quando várias montadoras chinesas entregam potência absurda, telas gigantes e acelerações violentas, mas ainda deixam faltar justamente aquilo que transforma dirigir em experiência. Que bom que o Audi Q3 não se leva a isso.
O grupo Volkswagen sempre soube fazer o pilar de dinâmica muito bem. Seja em um Lamborghini, Porsche, Audi ou até em modelos mais simples da Volkswagen, existe uma assinatura de dinâmica. E isso se torna ainda mais difícil quando falamos de SUVs. Principalmente os chineses não conseguem trazer por pensarem muito mais no conforto, o que tira a dinâmica e a conexão ao volante, algo que a escola alemã consegue entregar.
Fazer SUV divertido exige muito mais engenharia
Diferente de um sedã e um hatch, um SUV trabalha com centro de gravidade mais alto, e por isso quanto mais alto o carro, maior a tendência de rolagem lateral em curvas. Além disso, a suspensão precisa absorver impactos maiores sem deixar a carroceria instável. E o novo Audi Q3, mesmo com essa carinha de chinês, não deixa a desejar nisso.

O SUV compacto da Audi sempre teve boa dirigibilidade. Porém, desde a entrada da plataforma MQB na segunda geração, lá em 2018, esse comportamento ficou ainda mais afiado. Agora, a nova geração baseada na MQB Evo melhora ainda mais com o velho conhecido 2.0 TFSI EA888 que despeja agora 258 cv e 37,8 kgfm de torque.
Aqui, o quatro cilindros turbo evoluiu contra os 231 cv e 34,7 kgfm. Por isso, o SUV acelera de 0 a 100 km/h em apenas 5,9 segundos, mais rápido que os anteriores 7 segundos. Além disso, a Audi aumentou a pressão de injeção de 250 para 350 bar e trabalhou na otimização da turbina para diminuir o turbo lag, que ainda existe.

Ao acelerar forte, principalmente em baixa velocidade, existe uma pequena janela de atraso na resposta. Sim, o Q3 tem o famoso turbo lag. Porém, não podemos confundir isso com o defeito, já que estamos falando de um motor turbo. O turbocompressor depende do fluxo de gases do escapamento para dar pressão positiva.
Legislação capa os carros, mas não é o caso
Ou seja, tem um pequeno intervalo até a turbina atingir velocidade suficiente para entregar pressão máxima. Além disso, os carros modernos tem a questão de emissões extremamente rígida.



Hoje, normas como o PL8 obrigam as fabricantes a reduzirem emissões justamente nas acelerações bruscas, momento em que o motor mais polui. Por isso, existe também uma espécie de filtragem eletrônica na resposta inicial do acelerador.
Só que, quando a turbina enche, o SUV empurra o corpo para trás com força e invade a cabine com um ronco grave extremamente agradável e refinado. Desta forma, as ultrapassagens acontecem rápidas, sem atraso e até passa a sensação de mostrar mais potência que os números sugerem justamente graças a tração Quattro da Audi.
Tração quattro muda a sensação

Enquanto muitos rivais usam apenas a tração dianteira, o Q3 consegue despejar potência no chão bem melhor. O carro sai de curvas com mais confiança, não tem aquelas perdas de aderência e mostra sensação muito mais sólida ao pisar com força no acelerador.
O que acaba deixando os rivais diretos para trás, como o BMW X1 com seus 204 cv e o Mercedes-Benz GLA nem se fala, pois entrega somente 163 cv.

E isso é algo de Audi: conseguir trazer uma condução mais espontânea e envolvente do que os rivais. No caso de um SUV compacto premium, de fato, a montadora das quatro argolas é a que consegue proporcionar melhor.
De volta o câmbio de dupla embreagem
A Audi também acertou ao abandonar o antigo câmbio Tiptronic com conversor de torque para a entrada da transmissão automatizada S tronic de dupla embreagem banhada a óleo.

Com isso, temos respostas muito mais espertas e acontecem quase instantaneamente. Desta forma, o SUV de 4,53 metros de comprimento ganha também uma sensação mais esportiva em retomadas e reduções
Além disso, o modo Dynamic tem a capacidade de segurar as rotações mais altas e permite uso praticamente manual das aletas atrás do volante. O que deixa o SUV muito mais conectado ao motorista, além de deixar o volante levemente mais firme e as respostas mais rápidas.



Por isso, em vários momentos, você até esquece que está em um SUV quando o assunto é percepção de esportividade. Só que ao mesmo tempo, consegue lembrar que está em um SUV tradicional graças a boa altura do solo, com visão alta e filtragem bem dos buracos sem ser duro demais.
Suspensão consegue ser duas caras
Outro ponto é que a Audi deu uma recalibrada na suspensão do novo Q3. Segundo a marca, amortecedores e molas receberam novos ajustes justamente para melhorar a absorção de impactos sem perder estabilidade.

Mesmo utilizando rodas Audi Sport de 19 polegadas com pneus 255/45, o SUV consegue filtrar buracos bem. O pouco de irregularidades que pegamos, o Q3 não se mostrou ser extremamente macio, porém, também não cai naquele erro de suspensão dura artificial.
Existe firmeza, mas acompanhada de curso bem trabalhado dos amortecedores. Isso faz o carro ter estabilidade excelente em curvas sem sacrificar conforto. Inclusive, o Q3 se mostra excelente pelo limite de aderência. Demora bastante até ouvir um pneu reclamar em curvas mais rápidas, muito pela tração integral e suspensão independente.

A direção também tem um peso excelente, praticamente não apresenta zona morta e responde imediatamente aos movimentos das mãos. Com cerca de 140 mm de altura do solo, o SUV fica bem plantado no chão.
Refinamento acústico
Outro ponto comentado pela Audi é o isolamento acústico melhorado devido aos vidros dianteiros e o para-brisa para reduzir ruídos externos. De fato, um bom isolamento e pouco barulho do fluxo de vento na cabine ou rodagem de pneu.

Além disso, o coeficiente aerodinâmico caiu de 0,32 cx para 0,30 cx. Senti sim uma melhora com o fluxo conseguindo passar mais limpo pela carroceria e quase sem turbulências em velocidades altas, além de uma leve demora para perder a velocidade. Vale lembrar ainda que o Sportback fica 42 milímetros mais baixo que o SUV convencional.
Mais potente, mas perdeu equipamentos
Por outro lado, para compensar uma melhora de potência, a Audi também tirou algumas coisas difíceis de ignorar. Assim como aconteceu com o Audi A5, o novo Q3 perdeu itens como faróis Matrix LED e câmera 360°, além de ainda não contar com monitoramento de ponto cego com tráfego cruzado.

O ADAS, embora bem calibrado, apenas corrige a trajetória no assistente de faixa, pois não há centralização do carro automaticamente como os rivais já fazem.
Nesse aspecto, o SUV deixa a sensação de cabine menos tecnológica do que o esperado para um carro próximo dos R$ 400 mil. Porém, para quem prioriza dinâmica, o prazer ao volante é de fato o melhor distribuído entre os rivais.
Veredicto

Nesse primeiro contato, conseguimos entender que o novo Audi Q3 faz algo que muitos SUVs modernos deixaram de lado: ele ainda consegue envolver o motorista. E mais uma vez a marca da quatro argolas mostra que acertou muito mais na engenharia do que simplesmente na ficha técnica.
O SUV consegue carregar aquela sensação típica dos alemães ao volante com um conjunto mecânico extremamente bem casado. Além disso, vende o fato de ser um carro montado no Brasil.

Por outro lado, o Q3 não fecha com chave de ouro justamente pela ausência de equipamentos importantes para a categoria e próximo dos R$ 400 mil. Porém o Auto+ apurou que futuramente ele pode ganhar sim esses equipamentos como aconteceu com o A5 um ano depois.
Você ainda prefere SUVs com dinâmica esportiva ou prioriza apenas tecnologia e conforto? Deixe seu comentário!



