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A evolução é isso?

Omoda 5 é um soco na cara de outros SUVs compactos | Avaliação

Para quem duvidou dos carros chineses por muito tempo, o Omoda 5 prova que era preciso tempo para que eles os superassem

8 min de leitura

Apesar de ser o segmento mais concorrido do mercado brasileiro, a categoria dos SUVs compactos está lotada de carros que são, basicamente, mais do mesmo. Em geral, a maioria tem motor 1.0 turbo, acabamento lotado de plástico, bom espaço interno e dirigibilidade ok. De híbridos, porém, só temos o Toyota Yaris Cross e o Omoda 5.

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O SUV compacto da Toyota já apareceu por aqui na semana passada e, agora, chegou a vez de testar o chinês. E, alerta de spoiler, em breve teremos comparativo entre os dois. Mas quem chega depois tem obrigação de chegar melhor, certo? Por isso, o Omoda 5 na versão Prestige mostra que essa máxima foi seguida.

Quando testei o Jaecoo 7, ficou claro que a O&J havia começado bem. No entanto, a quantidade de erros bestas que esse SUV carregava mostrava que a marca chinesa ainda precisava aprender um pouco. Só que ficou evidente que o Omoda 5 Prestige de R$ 184.990 não somente aprendeu, como também fez melhor.

Omoda 5 Prestige cinza de traseira
Omoda 5 Prestige [Auto+ / João Brigato]

Consumo absurdo

Um dos pontos que mais chamou atenção no Omoda 5 durante os testes foi a eficiência do conjunto mecânico. Além de ostentar o título de segundo SUV compacto mais potente à venda no Brasil entre as marcas generalistas, perdendo apenas para o BYD Yuan Plus 4×4 de 449 cv, ele também é o segundo mais econômico da categoria nos números oficiais.

Debaixo do capô, há um 1.5 quatro cilindros turbo, puramente a gasolina, com 135 cv e 20,4 kgfm de torque. Não parece muito, já que o torque é igual ao de motores 1.0 turbo da Volkswagen e da Stellantis. Além disso, a potência é apenas 10 cv superior aos 1.0 turbo da Renault e da Nissan.

motor Omoda 5 Prestige [Auto+ / João Brigato]
motor Omoda 5 Prestige [Auto+ / João Brigato]

Só que, ao contrário da maioria dos híbridos, esse motor atua como coadjuvante. Ele impulsiona o Omoda 5, mas trabalha principalmente como gerador de energia elétrica para alimentar o motor elétrico dianteiro de 204 cv e 31,6 kgfm. Quando somadas as forças, o conjunto entrega 224 cv e 30,1 kgfm.

Ou seja, são apenas 20 cv a mais que o motor elétrico sozinho e até menos torque do que o conjunto eletrificado isolado. Por isso, a O&J otimizou ao máximo o consumo do 1.5 e aproveita ao máximo a carga das baterias de 1,83 kWh. Além disso, ele usa transmissão direta de uma marcha focada em economia.

Omoda 5 Prestige [Auto+ / João Brigato] de frente cinza
Omoda 5 Prestige [Auto+ / João Brigato]

O resultado é que o Omoda 5 HEV entrega oficialmente 15,1 km/l na cidade e 13,2 km/l na estrada. Porém, esse não é o resultado real. Durante nossos testes, ele conseguiu absurdos 17,2 km/l na cidade e ainda mais impressionantes 24,4 km/l na estrada. Considerando o tanque de 51 litros, passa dos 1.000 km de autonomia com facilidade.

Eficiência não quer dizer preguiça

Mesmo com essa economia elevada, confesso que nunca andei com o Omoda 5 de maneira vagarosa. Esse consumo na estrada veio com o carro rodando quase sempre acima de 120 km/h e com vigor. Ele acelera forte, a ponto de cantar pneu nas arrancadas na cidade, enquanto ultrapassa na estrada sem esforço.

Omoda 5 Prestige [Auto+ / João Brigato]
Omoda 5 Prestige [Auto+ / João Brigato]

A combinação de motor turbo com o elétrico faz com que o Omoda 5 entregue o melhor dos dois mundos em agilidade e resposta. Para ser chamado de esportivo, ainda falta um acerto dinâmico mais refinado, mas ele não é o típico chinês com suspensão de pudim.

Voltado ao conforto, o Omoda 5 absorve bem os impactos da via e se mantém estável em alta velocidade. Claro que ainda há certo molejo ao passar em buracos, mas nada grave frente a alguns rivais. A direção só fica bem calibrada no modo Sport, sendo leve demais, e até perigosa, nos outros modos.

Omoda 5 Prestige [Auto+ / João Brigato]
Omoda 5 Prestige [Auto+ / João Brigato]

Por conta da construção mais refinada e dos vidros com camada dupla, o interior do Omoda 5 é silencioso. O motor 1.5 turbo aparece apenas em acelerações mais fortes, enquanto o elétrico mantém o silêncio. Até os ruídos externos são bem isolados, mas o som vindo dos pneus chama atenção.

Cuidado com tudo!

Outro ponto típico dos carros chineses são os sistemas de auxílio à condução. O Omoda 5 Prestige vem completo: piloto automático adaptativo, frenagem autônoma de emergência, alerta de tráfego cruzado, alerta de ponto cego, assistente de faixa e farol alto automático.

Omoda 5 Prestige [Auto+ / João Brigato]
Omoda 5 Prestige [Auto+ / João Brigato]

O problema é a calibração, feita para o trânsito chinês. Lá, não há motos cortando corredores com frequência e o comportamento dos motoristas é diferente. Ou seja, o sistema exagera, com muitos alertas e apitos que cansam com o tempo.

Felizmente, é possível reduzir o volume dos alertas por dois botões touch na lateral esquerda do painel. Ali também fica o controle de brilho do painel, que não é vinculado ao da central multimídia.

O nível é bem alto

interior Omoda 5 Prestige [Auto+ / João Brigato]
interior Omoda 5 Prestige [Auto+ / João Brigato]

Por falar em interior, o Omoda 5 eleva o nível de refinamento da categoria. Se antes as referências eram Jeep Renegade e CAOA Chery Tiggo 5X, agora é ele. Isso vale especialmente para materiais e construção.

Se tampar o logotipo, muita gente pode achar que está em um carro de marca premium. Os mais atentos perceberão a cópia de comandos da Mercedes, como os dos vidros e retrovisores. É uma prática comum entre marcas chinesas, ainda que questionável.

cabine interior Omoda 5 Prestige [Auto+ / João Brigato]
Omoda 5 Prestige [Auto+ / João Brigato]

Toda a parte superior do painel e das portas usa material macio. O couro artificial aparece em áreas intermediárias, além de console, volante e bancos. A qualidade é alta e transmite sensação de carro mais caro.

A montagem também é sólida, com tudo bem encaixado. Peca apenas na faixa que imita madeira e no excesso de preto brilhante em áreas de toque, que ficam facilmente marcadas.

Os pontos de espaço

A Omoda aproveitou bem o espaço interno do 5. O console central é alto e traz três porta-objetos, além de uma área inferior ampla. Na traseira, mesmo sendo um SUV cupê, o espaço é bom. Com 1,87 m, consigo sentar atrás de um motorista do mesmo porte com espaço razoável para cabeça e joelhos.

O porta-malas de 372 litros tem abertura elétrica e nichos sob o piso. Porém, não há estepe, algo importante para o público brasileiro. Vale destacar o teto solar em todas as versões, mas apenas para os ocupantes dianteiros.

porta-malas omoda 5
Porta-malas Omoda 5 Prestige [Auto+ / João Brigato]

Integração presente

Na cabine, o Omoda 5 integra duas telas de 12,3 polegadas como se fossem uma só. A central tem Android Auto e Apple CarPlay sem fio, com boa estabilidade de conexão, algo ainda raro. Ela traz muitos menus e submenus, o que pode confundir. Ainda assim, o uso é agradável.

Para reduzir botões, o ar-condicionado foi integrado à central. Pelo menos, o acesso é fácil, com gesto de deslizar na tela. Para funções mais avançadas (como controle de ventilação e aquecimento dos bancos), é necessário deslizar mais uma vez para entrar em outro menu.

O painel de instrumentos também tem boa definição e menus claros. Em alguns momentos, ele responde de forma lenta e exige mais de um toque. Outro ponto estranho é que o consumo é medido a cada 50 km, limitando a análise de trajetos maiores.

Itens de série

  • Ar-condicionado digital de duas zonas
  • 7 airbags
  • Chave presencial
  • Teto panorâmico
  • Piloto automático adaptativo
  • Câmeras 360 graus
  • Sensor de estacionamento dianteiro e traseiro
  • Piloto automático adaptativo
  • Frenagem autônoma de emergência
  • Bancos revestidos em couro, sendo os dianteiros com ajuste elétrico, aquecimento e resfriamento
  • Central multimídia com Android Auto e Apple CarPlay sem fio
  • Alerta de ponto cego
  • Alerta de tráfego cruzado
  • Sistema de manutenção em faixa
  • Faróis full-LED com acendimento automático
  • Freio a disco nas quatro rodas
  • Retrovisor elétrico com rebatimento automático
  • Carregador de celular por indução
  • Sistema de som Sony

Veredicto

Omoda 5 Prestige [Auto+ / João Brigato]
Omoda 5 Prestige [Auto+ / João Brigato]

Apesar de pertencer a uma marca que está começando, o Omoda 5 chegou ao Brasil mostrando evolução clara. Ainda assim, ele entrega consumo excelente na vida real, desempenho forte e interior de marca de luxo. E lembre-se, só ele e o Yaris Cross são híbridos de verdade na categoria.

Some a isso o visual esportivo e chamativo, além do preço de R$ 184.990, e temos um dos melhores custos-benefício do segmento. A dirigibilidade ainda pode evoluir, mas já não apresenta as falhas típicas de outros chineses. Por fim, a garantia de 7 anos ajuda na confiança, que ainda precisa de tempo para se consolidar.

Omoda 5 Prestige [Auto+ / João Brigato]
Omoda 5 Prestige [Auto+ / João Brigato]

Ficha técnica

  • Motor 1.5 quatro cilindros turbo+ motor elétrico
  • Híbrido HEV
  • Motor a combustão: 135 cv e 20,4 kgfm
  • Motor elétrico: 204 cv e 31,6 kgfm
  • Potência total: 224 cv
  • 0 a 100 km/h: 7,9 segundos
  • Consumo gasolina: 15,1 km/l cidade / 13,2 km/l estrada
  • Medidas: 4,44 m comprimento / 1,82 m largura / 1,58 m altura / 2,61 m entre-eixos
  • Altura do solo: 14,5 cm
  • Porta-malas: 372 litros
  • Peso: 1.546 kg

Você teria um Omoda 5? Conte nos comentários.

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João Brigato

Formado em jornalismo e design de produto, é apaixonado por carros desde que aprendeu a falar e andar. Tentou ser designer automotivo, mas percebeu que a comunicação e o jornalismo eram sua verdadeira paixão. Dono de um Jeep Renegade Sem Nome, até hoje se arrepende de ter vendido seu Volkswagen up! TSI.

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