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Agora é outra história?

Porsche Cayenne elétrico é insensato (e ainda bem) | Impressões

Pela lógica, um Porsche Cayenne elétrico não teria direito de ser tão divertido quanto ele é

6 min de leitura

Estamos vivendo a era da eletrificação. Quer seja com carros 100% elétricos ou com híbridos de tudo quanto é tipo. Até marcas supertradicionais, como a Porsche, já mergulharam nessa fase com modelos como Taycan, Macan e as versões híbridas de seus modelos tradicionais. Agora, o Cayenne também entrou nessa.

A quarta geração do SUV que salvou a vida da Porsche transformou-se em elétrico. Mas calma, antes de dar chilique nos comentários, a marca alemã prometeu que o modelo a combustão seguirá vivo por pelo menos mais uma década. Por isso, você terá opções com o Cayenne. Mas o elétrico é encantador.

Duas almas diferentes

Durante o evento de lançamento do Porsche Cayenne Electric, pudemos experimentar duas variantes diferentes do modelo: a versão intermediária S e a insana Turbo, mas em situações bem diferentes. Primeiro, tivemos contato com o modelo mais brando nas ruas e estradas do interior de São Paulo.

porsche cayenne s elétrico cinza de traseira
Porsche Cayenne S Electric [Auto+ / João Brigato]

No Cayenne S Electric, a Porsche disponibiliza 544 cv em regime normal, mas pode chegar a 666 cv com overboost, ativado pelo push-to-pass ou pelo controle de largada. O torque já chega a absurdos 110,1 kgfm, o que faz com que ele chegue aos 100 km/h em 3,8 segundos.

Ele é muito rápido em qualquer situação. A instantaneidade do torque dos motores elétricos faz o Cayenne disparar a ponto de fazer seu estômago colar nas costas. Um dos pontos mais interessantes é que, mesmo sendo um carro enorme, ele mantém a dinâmica de um Porsche.

Porsche Cayenne S Electric [Auto+ / João Brigato]

Existe, claro, a limitação da gravidade, e uma curva mais forte faz com que o deslocamento de massa apareça. Só que isso acontece de forma muito mais sutil do que o esperado para um SUV. Seu ímpeto nas curvas faz inveja a muitos hatches que se dizem esportivos e não fazem um terço do que ele é capaz.

Como todo carro da marca, ele tem direção pesada e direta. Apontou, o Cayenne vai. Isso fica ainda mais evidente na versão cupê, que traz eixo traseiro esterçante como item de série. A suspensão também é firme e permite um melhor controle nas curvas. Mas não chega a ser punitiva com buracos e irregularidades. Para o uso comum, é bem confortável.

Porsche Cayenne S Electric Coupé de traseira
Porsche Cayenne S Coupé Electric [Auto+ / João Brigato]

Meu almoço voltou

Na hora da pista, o timing não poderia ter sido pior. Havia acabado de almoçar e era hora de ficar atrás do volante do Cayenne Turbo. O perigo é que aqui são 1.156 cv e 152,9 kgfm de torque, capazes de catapultar o SUV aos 100 km/h em 2,5 segundos. E fomos incentivados a fazer uma arrancada já na saída dos boxes.

Quando meu cérebro processou o que havia acontecido, já estava a 200 km/h, atingidos em 7,4 segundos, com o perigo de ver um pedaço da picanha indo parar no painel do Cayenne. O estômago embrulhou tamanha a força de aceleração do SUV alemão, enquanto eu gargalhava de alegria e incredulidade.

Porsche Cayenne S Electric em várias cores de frente
Porsche Cayenne S Electric [Auto+ / João Brigato]

Na pista, testamos os limites do Cayenne Electric. Em modo Sport ou Sport+, ele te deixa brincar. A traseira desliza lindamente nas curvas, com tudo sob controle. Até porque, no momento em que o Cayenne entende que haverá problema, os controles entram em ação e deixam você na mão.

No modo Comfort, a suspensão inteligente do Porsche Active Ride compensa as forças gravitacionais e as inclinações da carroceria quase como mágica. Em uma frenagem, por exemplo, quando a frente mergulharia, o sistema eleva a suspensão dianteira para manter o Cayenne nivelado.

Porsche Cayenne S Electric traseira cinza
Porsche Cayenne S Electric [Auto+ / João Brigato]

Luxo com modernidade

Por dentro, o Porsche Cayenne Electric prova que a marca alemã sabe combinar modernidade com preservação de legado. Mas ele não é perfeito. A central multimídia é uma tela retangular com a parte inferior inclinada para cima, dando a impressão de que são duas telas diferentes.

Ela é muito intuitiva e fácil de usar, trazendo Android Auto e Apple CarPlay e até alguns aplicativos de celular, como o jogo Asphalt 9. Mas a parte inclinada faz com que ela fique muito suscetível aos raios de sol, que refletem diretamente na cara do motorista. Especialmente com o teto panorâmico sem o opcional de cortina opaca.

Porsche Cayenne S Electric interior
Porsche Cayenne S Electric [Auto+ / João Brigato]

Os comandos para o ar-condicionado são físicos, mas nem tanto. Controle de temperatura e ventilação possuem seus próprios botões. Só que, se você quiser regular para onde o vento vai soprar, não encoste nas saídas de ar. Para isso, é preciso usar a central multimídia. Um processo totalmente desnecessário.

Há também uma tela para o passageiro, com funções integradas à central multimídia, que desaparece das vistas do motorista quando o D é engatado. O painel de instrumentos também é um exemplo de qualidade de tela e facilidade de uso. Como esperado, o acabamento é impecável.

No quesito espaço, o Porsche Cayenne leva cinco pessoas tranquilamente, ainda que a parte central do assento traseiro pareça ter sido desenhada de maneira proposital para não levar alguém lá. Isso porque o túnel central é alto e as abas laterais dos assentos invadem a parte central.

Motorista e passageiro desfrutam de muito espaço na dianteira e de um monte de porta-objetos. Entretanto, um dos destaques vai para a posição ao volante. O Porsche Cayenne permite ao motorista sentar bem baixo, quase como no Macan, que emula bem um esportivo de verdade. Mas quem quer posição de SUV também consegue.

Porsche Cayenne S Electric [Auto+ / João Brigato]

Veredicto

Um SUV grande, caro e refinado como o Porsche Cayenne elétrico não deveria fazer as coisas que ele faz. Muito menos ser divertido como é. Afinal, todo entusiasta adora encher a boca para dizer que carros elétricos não têm alma. Mas ele consegue ser totalmente diferente.

Absurdamente forte, divertido de dirigir e na mão, essa reencarnação elétrica mantém a alma verdadeira de um Porsche e o jeito do Cayenne. Ao contrário do Macan, que se tornou um Taycan SUV, o Cayenne Electric é legitimamente um Porsche e verdadeiramente Cayenne. Só, por um acaso, elétrico.

Você teria um Porsche Cayenne elétrico? Conte nos comentários.

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