Estamos vivendo a era da eletrificação. Quer seja com carros 100% elétricos ou com híbridos de tudo quanto é tipo. Até marcas supertradicionais, como a Porsche, já mergulharam nessa fase com modelos como Taycan, Macan e as versões híbridas de seus modelos tradicionais. Agora, o Cayenne também entrou nessa.
A quarta geração do SUV que salvou a vida da Porsche transformou-se em elétrico. Mas calma, antes de dar chilique nos comentários, a marca alemã prometeu que o modelo a combustão seguirá vivo por pelo menos mais uma década. Por isso, você terá opções com o Cayenne. Mas o elétrico é encantador.
Duas almas diferentes
Durante o evento de lançamento do Porsche Cayenne Electric, pudemos experimentar duas variantes diferentes do modelo: a versão intermediária S e a insana Turbo, mas em situações bem diferentes. Primeiro, tivemos contato com o modelo mais brando nas ruas e estradas do interior de São Paulo.

No Cayenne S Electric, a Porsche disponibiliza 544 cv em regime normal, mas pode chegar a 666 cv com overboost, ativado pelo push-to-pass ou pelo controle de largada. O torque já chega a absurdos 110,1 kgfm, o que faz com que ele chegue aos 100 km/h em 3,8 segundos.
Ele é muito rápido em qualquer situação. A instantaneidade do torque dos motores elétricos faz o Cayenne disparar a ponto de fazer seu estômago colar nas costas. Um dos pontos mais interessantes é que, mesmo sendo um carro enorme, ele mantém a dinâmica de um Porsche.

Existe, claro, a limitação da gravidade, e uma curva mais forte faz com que o deslocamento de massa apareça. Só que isso acontece de forma muito mais sutil do que o esperado para um SUV. Seu ímpeto nas curvas faz inveja a muitos hatches que se dizem esportivos e não fazem um terço do que ele é capaz.
Como todo carro da marca, ele tem direção pesada e direta. Apontou, o Cayenne vai. Isso fica ainda mais evidente na versão cupê, que traz eixo traseiro esterçante como item de série. A suspensão também é firme e permite um melhor controle nas curvas. Mas não chega a ser punitiva com buracos e irregularidades. Para o uso comum, é bem confortável.

Meu almoço voltou
Na hora da pista, o timing não poderia ter sido pior. Havia acabado de almoçar e era hora de ficar atrás do volante do Cayenne Turbo. O perigo é que aqui são 1.156 cv e 152,9 kgfm de torque, capazes de catapultar o SUV aos 100 km/h em 2,5 segundos. E fomos incentivados a fazer uma arrancada já na saída dos boxes.
Quando meu cérebro processou o que havia acontecido, já estava a 200 km/h, atingidos em 7,4 segundos, com o perigo de ver um pedaço da picanha indo parar no painel do Cayenne. O estômago embrulhou tamanha a força de aceleração do SUV alemão, enquanto eu gargalhava de alegria e incredulidade.

Na pista, testamos os limites do Cayenne Electric. Em modo Sport ou Sport+, ele te deixa brincar. A traseira desliza lindamente nas curvas, com tudo sob controle. Até porque, no momento em que o Cayenne entende que haverá problema, os controles entram em ação e deixam você na mão.
No modo Comfort, a suspensão inteligente do Porsche Active Ride compensa as forças gravitacionais e as inclinações da carroceria quase como mágica. Em uma frenagem, por exemplo, quando a frente mergulharia, o sistema eleva a suspensão dianteira para manter o Cayenne nivelado.

Luxo com modernidade
Por dentro, o Porsche Cayenne Electric prova que a marca alemã sabe combinar modernidade com preservação de legado. Mas ele não é perfeito. A central multimídia é uma tela retangular com a parte inferior inclinada para cima, dando a impressão de que são duas telas diferentes.
Ela é muito intuitiva e fácil de usar, trazendo Android Auto e Apple CarPlay e até alguns aplicativos de celular, como o jogo Asphalt 9. Mas a parte inclinada faz com que ela fique muito suscetível aos raios de sol, que refletem diretamente na cara do motorista. Especialmente com o teto panorâmico sem o opcional de cortina opaca.

Os comandos para o ar-condicionado são físicos, mas nem tanto. Controle de temperatura e ventilação possuem seus próprios botões. Só que, se você quiser regular para onde o vento vai soprar, não encoste nas saídas de ar. Para isso, é preciso usar a central multimídia. Um processo totalmente desnecessário.
Há também uma tela para o passageiro, com funções integradas à central multimídia, que desaparece das vistas do motorista quando o D é engatado. O painel de instrumentos também é um exemplo de qualidade de tela e facilidade de uso. Como esperado, o acabamento é impecável.



No quesito espaço, o Porsche Cayenne leva cinco pessoas tranquilamente, ainda que a parte central do assento traseiro pareça ter sido desenhada de maneira proposital para não levar alguém lá. Isso porque o túnel central é alto e as abas laterais dos assentos invadem a parte central.
Motorista e passageiro desfrutam de muito espaço na dianteira e de um monte de porta-objetos. Entretanto, um dos destaques vai para a posição ao volante. O Porsche Cayenne permite ao motorista sentar bem baixo, quase como no Macan, que emula bem um esportivo de verdade. Mas quem quer posição de SUV também consegue.

Veredicto
Um SUV grande, caro e refinado como o Porsche Cayenne elétrico não deveria fazer as coisas que ele faz. Muito menos ser divertido como é. Afinal, todo entusiasta adora encher a boca para dizer que carros elétricos não têm alma. Mas ele consegue ser totalmente diferente.
Absurdamente forte, divertido de dirigir e na mão, essa reencarnação elétrica mantém a alma verdadeira de um Porsche e o jeito do Cayenne. Ao contrário do Macan, que se tornou um Taycan SUV, o Cayenne Electric é legitimamente um Porsche e verdadeiramente Cayenne. Só, por um acaso, elétrico.
Você teria um Porsche Cayenne elétrico? Conte nos comentários.

