Empolgada com o sucesso da Changan, a CAOA projeta voos muito altos para o estreante CS55. Ela quer que o modelo rapidamente se torne o carro mais vendido da marca e, quiçá, o SUV médio mais vendido do Brasil. Mas será que o CAOA Changan CS55 tem tudo para desbancar Jeep Compass e GWM Haval H6?
A estratégia de preços da CAOA Changan foi muito bem acertada para o CS55. Ele começa em R$ 144.990 na versão Prime, cresce para R$ 154.990 na Infinity, que é a versão que a marca pretende vender mais, e fecha em R$ 189.990 na versão topo de linha PHEV.
Durante esse primeiro contato com o SUV médio chinês, pudemos experimentar somente o CAOA Changan CS55 Infinity, a variante mais equipada com motor 1.5 turbo flex puramente a combustão. E as impressões são positivas, apesar de ficar a sensação de que faltaram alguns acertos.

Números versus realidade
Na ficha técnica, o CS55 entrega 180 cv e 29,2 kgfm de torque, mas parece ter menos. Isso acontece por conta do acerto da transmissão automatizada de dupla embreagem com sete marchas. A caixa é um tanto quanto lenta, mas não chega ao mesmo nível do novo Nissan Kicks.
É perceptível que a troca de marcha acontece mais devagar que o típico de uma dupla embreagem. Além disso, ele segura as trocas por mais tempo do que deveria em algumas situações, fazendo o motor roncar alto. Como o isolamento acústico do motor para a cabine deixa a desejar, o 1.5 turbo flex se faz bem presente.

Há também um delay notável no acelerador. Ou o CAOA Changan CS55 demora a arrancar ou, se você se empolgar com a força no terceiro pedal, ele vai cantar pneu com tudo e acelerar forte. Apesar disso, ele não deixa a desejar quanto à força do motor, às retomadas ou ao rendimento em estrada.
Acertos da CAOA
Com dois anos de testes no Brasil e na China antes de chegar ao nosso país, o CS55 passou por um trabalho forte da engenharia da CAOA. E isso aparece ao dirigir. A direção elétrica é muito bem calibrada, com peso ideal para passar a sensação de segurança necessária ao volante, enquanto permanece na medida para manobras.
Já a suspensão precisa de um pouco mais de atenção. Ela não é a típica molenga dos chineses. Pelo contrário, é dura. Como se fosse um carro esportivo, o Changan CS55 copia tudo que acontece no asfalto, fazendo com que a carroceria sacuda e vibre mais do que deveria.

A compensação está no bom comportamento em curvas e na anulação do efeito transatlântico que afeta a maioria dos carros chineses. Ele fica mais na mão e é bem controlável, mas carrega esse complexo de Mini Cooper ao copiar tudo que acontece no solo.
Acabamento é um destaque
Como esperado de um carro chinês, o CAOA Changan CS55 tem acabamento interno excelente. São muitas superfícies com revestimento macio, texturas diferenciadas e encaixes bem feitos. Nas versões puramente a combustão, o interior é todo em preto, enquanto na híbrida ele recebe revestimento caramelo.

O painel de instrumentos se integra visualmente à central multimídia, formando um display praticamente contínuo. Ambas as telas têm ótima qualidade, com destaque para a central pelo formato mais quadrado. Ela traz Android Auto e Apple CarPlay com conexão sem fio e responde rapidamente aos comandos.
Mas temos algumas penalidades. Apesar de ter comandos físicos para controlar a temperatura do ar-condicionado, é preciso acessar um menu na central para regular a ventilação e a circulação do ar. Como não há atalhos, você precisa sair do Android Auto ou do Apple CarPlay para fazer isso.


Outro pênalti está no controle dos retrovisores, que exige acesso a um menu na central multimídia e depois ajustes por botões no volante. Algo nada prático. O comando dos vidros elétricos também possui botões com abertura ao contrário do usual, algo que tem se tornado cada vez mais comum em carros chineses.
Ele é maior que muita gente
Ainda que não seja um SUV médio dos grandes como seu irmão CS75, o CAOA Changan CS55 é maior que muitos rivais, como Jeep Compass, Toyota Corolla Cross e Volkswagen Taos. Isso se reflete no interior. Os passageiros dianteiros contam com muita regulagem para os bancos e porta-objetos de sobra.


Já quem senta atrás é tratado como se estivesse em uma categoria acima em termos de espaço. Eu, com 1,87 m, tenho um palmo fechado de distância entre o meu joelho e o banco dianteiro regulado para a minha posição de condução. E ainda sobra espaço para a cabeça.
O passageiro do meio ainda conta com um assento largo e piso praticamente plano, ajudando a acomodar mais pessoas com conforto total. No porta-malas, o Changan leva 525 litros. Há um segundo andar no porta-malas para guardar ferramentas e pormenores, além de um espaço dedicado ao estepe, que é fino e serve para uso temporário.

Veredicto
A pretensão da CAOA de tornar o Changan CS55 o SUV médio mais vendido do Brasil é bem forte. Ele é um carro que tem potencial para isso por entregar um excelente preço, espaço interno muito generoso, boa lista de equipamentos e uma condução agradável. Além disso, o posicionamento das versões ficou bem acertado para o mercado.
Todavia, é um terreno bem difícil, visto que temos modelos como Jeep Compass e GWM Haval H6 fazendo estrago nessa categoria. Falta um carinho novamente na suspensão e um tapa na transmissão para que ele fique 100%. Por isso, potencial para liderar ele tem. Pois já estamos quase falando de procurar pelo em ovo.
Você teria um CAOA Changan CS55? Conte nos comentários.

