Os SUVs híbridos, sejam eles HEV ou PHEV, viraram alternativas para quem busca reduzir as visitas aos postos de combustíveis. De um lado figuram os modelos chineses; do outro, a Toyota investe globalmente nessa tecnologia desde 1997, quando lançou o Prius. No Brasil, essa propulsão se estendeu ao RAV4 a partir da quinta geração, em 2019.
Ele chega em duas versões: S (R$ 317.190) e SX (R$ 349.290), exibindo a linguagem dianteira Hammerhead, cabine modernizada e a quinta geração do conjunto híbrido com 239 cv de potência combinada. O número de desempenho iguala o do BYD Song Plus (R$ 249.990) e fica abaixo do GWM Haval H6 HEV2, que entrega 243 cv por R$ 224.000.
Ainda falando do bolso, o Toyota RAV4 SX ocupa a faixa de preço de híbridos plug-in, como o GWM Haval H6 GT (R$ 326.000) e seus 393 cv, além de encontrar o Honda CR-V por iniciais R$ 353.500 (207 cv). Assim como a conterrânea, a Toyota aposta na confiabilidade construída ao longo das décadas e na capilaridade da rede de concessionárias.


Com mais de 20 milhões de unidades vendidas em 30 anos, o Toyota RAV4 renova as armas para uma batalha onde cada milímetro conta. Segundo o fabricante, a missão é dobrar as vendas do ano passado. Será que ele possui esse poderio bélico?
Toyota RAV4 muda de comportamento e visual
Uma das características históricas do Toyota RAV4 (sigla para Recreational Active Vehicle with 4-wheel drive) era o conservadorismo nas linhas, principalmente nas três primeiras gerações. No entanto, agora na sexta tudo mudou, com o SUV exibindo uma pegada mais dinâmica e moderna.
Construído sobre a plataforma modular TNGA (Toyota New Global Architecture), o Toyota RAV4 apresenta 4,60 m de comprimento, 1,85 m de largura, 1,69 m de altura e 2,69 m de entre-eixos. O porta-malas oferece 514 litros e traz a tampa motorizada para abertura e fechamento. Praticamente não houve alteração em relação ao antecessor, embora o compartimento de bagagens tenha crescido dos antigos 490 litros.

As linhas revelam uma quebra de estilo com o passado, evidenciada pela dianteira Hammerhead com conjuntos ópticos em C e elementos geométricos na dianteira ligados ao Corolla Cross. A traseira verticalizada marca outra ruptura e mostra uma pegada cyberpunk, com o emblema da Toyota escurecido e o nome RAV4 cromado.
As versões S e SX utilizam rodas de 20 polegadas com acabamento diamantado e fundo preto, que deixam os discos de freio à mostra. Apesar da robustez, as novas superfícies e o caimento do teto reduziram o ruído na cabine em até 8% devido à melhor eficiência aerodinâmica.


Interior moderno
É inegável que o interior ficou mais moderno em relação ao Toyota RAV4 antigo, mas segue agradando pela qualidade dos materiais e arremates precisos empregados ao acabamento. Aliás, a Toyota incluiu o novo multimídia de 12,9 polegadas baseado na plataforma Arene, que possibilita atualizações Over The Air (OTA).
A conectividade Apple CarPlay e Android Auto dispensa fios e permite o pareamento simultâneo de dois dispositivos via Bluetooth. E o assistente de voz nativo também recebeu aprimoramentos, entregando reconhecimento de comandos com maior precisão e respostas ágeis. Outra melhoria aparece no quadro de instrumentos digital, que agora exibe informações de navegação diretamente no cluster.

Quem viaja na segunda fileira desfruta de bom espaço para as pernas graças aos 2,69 m de entre-eixos. Só que no Honda CR-V aparecem 2,70 m, enquanto no Haval H6 HEV2 são 2,73 m. Apesar disso, a engenharia da Toyota reposicionou o banco traseiro para uma altura mais baixa, enquanto a ampla área envidraçada beneficia a visibilidade em todas as direções, auxiliando em mudanças de faixa e manobras.


Condução
Uma das qualidades da nova geração do Toyota RAV4 está na condução silenciosa. O SUV utiliza a quinta geração do sistema híbrido pleno da Toyota, unindo o propulsor 2.5 de quatro cilindros (186 cv e 22,5 kgfm) aos motores elétricos dianteiro (136 cv e 21,2 kgfm) e traseiro (54 cv e 12,3 kgfm).
Os motores elétricos também atuam na recarga da bateria de íons de lítio, eliminando a dependência de fontes externas e livrando o proprietário de tomadas ou estações de carregamento. Esse balé tecnológico assegura 239 cv combinados, embora a Toyota não divulgue o torque total do conjunto.

O Toyota RAV4 sempre foi correto. Tão certo que às vezes irritava. Brincadeiras à parte, ele não é o SUV híbrido mais rápido, tampouco o que transmite um tempero ácido; a mística está na entrega do conjunto, que se mostra linear e previsível. É um carro para colocar a alavanca seletora em D e curtir o caminho.
Ao andar de forma civilizada, o modelo responde com suavidade aos comandos do acelerador. Essa previsibilidade define o que o Toyota RAV4 representa: conforto e a missão de levar o condutor do ponto A ao ponto B com a típica segurança do fabricante japonês.


Toyota RAV4: suspensão recalibrada e desempenho no fora de estrada
As suspensões trabalham de forma elogiável e passaram por uma recalibração. A Toyota redesenhou as molas para reduzir o atrito e aprimorar o conforto, instalou novos amortecedores e pontos de fixação mais robustos. Também vieram novas buchas e o reposicionamento da barra estabilizadora.
Essa mudança otimizou as respostas da direção assistida eletricamente, que se mostra precisa e direta. O Toyota RAV4 permite uma dose de estripulias ao inserir muito bem a dianteira no contorno de curvas, enquanto o conjunto de suspensão controla a carroceria sem excessos. A calibração evita batidas secas de final de curso em lombadas ou valetas, mantendo os cinco ocupantes isolados do exterior.

Se no asfalto o SUV cumpre sua função, ele também não faz feio no fora de estrada. Ao encarar um piso de terra após forte chuva, o terreno virou um sabão, mas o SUV lidou com a adversidade de maneira competente, quase como se dançasse no gelo. A tração integral elétrica (AWD) e a distribuição dinâmica de torque entre os eixos venceram a situação com facilidade.
Modos de condução e o pacote Safety Sense 4.0
O condutor pode optar pelos modos Eco, Normal, Sport, Custom e EV, além das funções Trail e Snow. Eles alteram a forma de entrega do desempenho: o modo Eco atua de maneira branda, enquanto o Sport libera todo o potencial dos 239 cv. Além disso, os freios eletrônicos atuam em conjunto com o sistema regenerativo para enviar energia de volta à bateria.
Em consumo, segundo o Inmetro, o novo Toyota RAV4 crava médias de 15,3 km/l na cidade e 14,1 km/l na estrada, sempre com gasolina. No quesito segurança, o SUV vem equipado com o Toyota Safety Sense (TSS 4.0). O pacote inclui pré-colisão com detecção de pedestres, controle de cruzeiro adaptativo, alerta de saída de faixa com assistente de centralização e farol alto adaptativo.



O pacote de anjos da guarda ainda contempla assistentes de permanência em faixa, proativo de condução, saídas seguras e sinalização de trânsito. Soma-se a isso a câmera 360°, sensores de estacionamento com frenagem automática, alerta de esquecimento no banco traseiro, monitor de ponto cego, alerta de tráfego cruzado, HUD colorido e memória para o banco do motorista.
Veredito
O Toyota RAV4 renovou as armas contra a concorrência chinesa. A reputação consolidada ao longo das décadas e a capilaridade da rede de concessionárias pesam a favor do SUV japonês. É um projeto bem nascido e bom de conduzir, que preserva as qualidades conhecidas da marca.
Embora o modelo não foque em acelerações de arrepiar os cabelos, ele preza pela linearidade de condução. Outro fator que pode seduzir o comprador em busca de um utilitário esportivo fora do universo de BYD, GWM ou Honda, por exemplo, é o preço das revisões: a primeira custa R$ 559 e as demais saem por R$ 1.109.

E você, o que achou do novo Toyota RAV4? Compraria ou optaria por um SUV chinês? Escreva sua opinião nos comentários.


