O Renault Boreal representa uma nova fase para o fabricante no mercado brasileiro, sem laços com a romena Dacia. Totalmente desenvolvido e produzido no Complexo Industrial Ayrton Senna, em São José dos Pinhais (PR), o SUV médio, posicionado acima do veterano Duster, encara nas trincheiras o Jeep Compass, o Toyota Corolla Cross, o Volkswagen Taos, e o Ford Territory, para citar.
Nas concessionárias desde novembro do ano passado, o Renault Boreal soma 3.531 unidades licenciadas entre janeiro e abril deste ano, segundo dados da Fenabrave. Ou seja, o utilitário esportivo médio fica ligeiramente acima do Ford Territory (3.396), mas ainda atrás tanto do Jeep Compass (18.323) quanto do Toyota Corolla Cross (11.998), para comparar.
Mesmo assim, não é nenhum exagero falar que o Boreal é o melhor produto da Renault já fabricado em solo brasileiro. E atributos ele tem de sobra para ostentar esse título. A gama é composta por três versões: a de entrada Evolution (a partir de R$ 179.990), a intermediária Techno (tabelada em R$ 199.990) e a topo de linha Iconic (R$ 214.990).


A começar pela opção de entrada Evolution, nomenclatura também presente no Kardian, o Boreal já traz de série um pacote generoso. A lista soma itens como carregador de smartphone por indução, freio de estacionamento eletrônico, ar-condicionado automático digital de duas zonas, quadro de instrumentos digital de sete polegadas e controlador de velocidade adaptativo.
Techno é a versão intermediária. Será mesmo?
Ou seja, a Evolution já entrega um pacote de série robusto, e a versão Techno vai pelo mesmo caminho, oferecendo mais equipamentos. Entre as adições, destacam-se os faróis de neblina, as barras longitudinais de teto e o quadro de instrumentos digital com tela ampliada para 10 polegadas, mesmo tamanho do multimídia OpenR Link com sistema Google nativo, além de um reforço importante no pacote de segurança.
Para contextualizar, além do ACC, a opção de entrada já soma seis airbags, sensor de fadiga, frenagem automática de emergência, assistente de permanência em faixa em tráfego cruzado, alerta de distância segura e reconhecimento de placas com aviso de excesso de velocidade. Apesar disso, a configuração Techno eleva o nível ao incluir alertas de tráfego cruzado traseiro e de ponto cego, sensores de estacionamento frontais, laterais e traseiros, aviso de saída segura para os ocupantes e seletor de modos de condução.

Com essa lista, o Renault Boreal Techno vale o investimento, custando exatamente o mesmo preço do recém-atualizado Volkswagen Taos Comfortline 250 TSI (R$ 199.990). Só que a conta sobe ao optar pelos opcionais de teto solar panorâmico (R$ 8.000) e pela pintura bitom com teto na cor preto Nacré (R$ 2.000), itens que podem ser adquiridos separadamente.
Aliás, completo, o preço do SUV médio da Renault vai a R$ 209.990 se configurado na cor vermelho Fogo (R$ 2.000). Esse valor o deixa próximo da topo de linha Iconic (R$ 214.990), que já soma mimos extras como massageadores nos bancos dianteiros e sistema de som assinado pela Harman Kardon.


De novo, é mesmo uma versão intermediária?
Sim, pois a Techno anda parelha à Iconic e deixa de lado aquele velho pensamento de que uma versão intermediária deve entregar menos equipamentos ou abrir mão de conveniências. Portanto, dá perfeitamente para ser feliz com ela ao invés de migrar para a opção de topo. Além disso, para quem gosta de um visual dark, as rodas de 18 polegadas vêm escurecidas e são calçadas por pneus de medidas 225/55.
Nascido a partir da plataforma RGMP, arquitetura compartilhada com o irmão menor Kardian e também com a futura picape Niagara, o SUV mede 4,55 m de comprimento, 1,84 m de largura, 1,64 m de altura e ótimos 2,70 m de entre-eixos. Sobretudo, o porta-malas é de 522 litros, uma medida superior à dos rivais Jeep Compass (410 litros), Toyota Corolla Cross (440 litros), Volkswagen Taos (498 litros) e Ford Territory (448 litros).

Sob o capô, o motor 1.3 turbo com injeção direta possui duplo comando de válvulas variável na admissão e no escape. Ele trabalha associado ao câmbio automatizado de dupla embreagem banhada a óleo de seis marchas para render 163 cv de potência e 27,5 kgfm de torque (etanol). Ao volante, são reações acesas que cooperam diretamente na dirigibilidade urbana ou na estrada, garantindo ultrapassagens seguras.
A relação peso-potência é de 8,73 kg/cv, o que também coopera no bom comportamento tanto nas acelerações quanto nas retomadas. A transmissão automatizada trabalha de forma rápida, seja nas mudanças ou nas reduções e com trocas praticamente imperceptíveis. Ainda é possível utilizar as borboletas atrás do volante garantindo uma pitada extra de esportividade.




Contorno de curvas
Apesar do porte e da altura elevada da carroceria em relação ao solo, o Renault Boreal se comporta com extrema firmeza no contorno de curvas. A arquitetura de suspensão emprega um conjunto frontal do tipo McPherson complementado na traseira por um eixo de torção. Há pouca rolagem de carroceria e a dianteira aponta com extrema facilidade.
Além disso, no uso urbano, o conjunto filtra e absorve muito bem as irregularidades do piso, trabalhando de maneira silenciosa. As rodas de 18 polegadas não sofrem em nosso asfalto por conta do perfil 55 dos pneus, medida que também ajuda no trabalho do conjunto de suspensões. Paralelamente, ponto positivo também para o controle dinâmico da carroceria.

Os freios utilizam discos nas quatro rodas, sendo ventilados no eixo dianteiro e sólidos no traseiro. O sistema oferece boa modulação do pedal e, mesmo nas frenagens mais fortes, não aparece a tendência de a frente mergulhar além da conta. Já a direção com assistência elétrica é leve ao esterço, cooperando nas manobras em baixa velocidade, com o peso correto acima dos 80 km/h.
O Renault Boreal Techno traz de série o seletor de modos de condução, reunindo cinco programas distintos: Eco, Comfort, Sport, Smart e Perso. O mais interessante deles é o Smart, que ajusta automaticamente o mapa de condução de acordo com o ritmo do condutor. Se você pisar mais fundo, o sistema passa para o Sport; se estiver rodando suave, o SUV entende o cenário e migra para o Eco.



O consumo do Renault Boreal
No programa mais brando, as reações ficam mais comedidas, privilegiando a eficiência, como o próprio nome sugere. Segundo o Inmetro, o consumo da é de 7,8 km/l na cidade e 9,4 km/l na estrada quando abastecido com etanol. Com gasolina no tanque, as médias sobem para 11,2 km/l e 13,6 km/l, respectivamente.
Outras características aparecem nos materiais de boa qualidade empregados no acabamento interno e na baixa intrusão de ruídos aerodinâmicos ao trafegar em velocidades mais altas. Só que, durante as acelerações mais vigorosas, surge minimamente na cabine o ruído da válvula aliviando a pressão do turbocompressor. Um prato cheio para quem gosta de carro!

Isso não incomoda em nada. Pelo contrário, ajuda a dar um tempero extra ao Renault Boreal, que também recebe muito bem os ocupantes na segunda fileira graças ao generoso entre-eixos de 2,70 m. Essa medida é superior à do Volkswagen Taos, que tem 2,68 m, e fica parelha à do Ford Territory, que oferece 2,72 m.
Veredicto
Sem dúvidas, o Renault Boreal é o melhor produto da fabricante já fabricado no Brasil. A qualidade construtiva impressiona, bem como a experiência ao volante proporcionada pelas reações do conjunto de motor e câmbio e a forma com que as suspensões copiam o chão.
Para quem precisa de espaço e amplitude, o SUV médio da Renault é uma cartada de mestre, principalmente pelo amplo entre-eixos e pelo porta-malas. Caso você ainda tenha algum preconceito com carros franceses, vá fazer um test-drive, pois às vezes na vida é preciso abrir a mente para desbravar novos horizontes.


A partir de R$ 199.990
4,55 m de comprimento, 1,84 m de largura, 1,64 m de altura e ótimos 2,70 m de entre-eixos
522 litros
1.3 turbo com injeção direta e câmbio automatizado de dupla embreagem banhada a óleo de seis marchas, para render até 163 cv e 27,5 kgfm
Segundo o Programa de Etiquetagem Veicular do Inmetro, o Renault Boreal Techno registra 7,8 km/l na cidade e 9,4 km/l na estrada (etanol). Com gasolina, as médias sobem para 11,2 km/l e 13,6 km/l, na ordem.
E você, o que acha do Renault Boreal? Seria uma opção de compra a ser levada em consideração em meio aos concorrentes? Escreva nos comentários!



