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Coluna Fernando Calmon

Carro popular e bateria de sódio são temas em ampla discussão

Com o sumiço paulatino do carro popular, os consumidores estão recorrendo à inteligência artificial para comprar veículos novos

7 min de leitura

Na recente edição do evento Future Mobility realizado na capital paulista, híbridos e elétricos, conectividade, sustentabilidade e inovação foram motivo de discussões aprofundadas. Reuniu fabricantes, fornecedores, empresas de tecnologia e especialistas que informaram e debateram soluções para os próximos anos.

Uma das pautas mais interessantes foi apresentada pelo consultor Murilo Briganti, executivo operacional-chefe da Bright Consulting. Ele chamou atenção para o desaparecimento paulatino do chamado carro popular. Novas exigências regulatórias de itens de segurança, além de eficiência energética para diminuir consumo de combustível e emissões, tornaram os carros mais caros.

Por outro lado, aumentou a oferta de novos veículos e de marcas chinesas que pressionaram os preços para baixo. Briganti prevê uma concorrência cada vez mais acirrada e até 2030 produtos chineses, importados ou produzidos localmente, poderão aumentar a participação de mercado para 30%.

Também na sua avaliação diferentes tecnologias vão conviver no mínimo em médio prazo. Isso inclui motores flex, semi-híbridos, híbridos plenos e plugáveis, além de veículos apenas elétricos. Assim, o consumidor terá alternativas compatíveis com diferentes perfis de uso.

Em outro evento, o Energy Summit, no Rio de Janeiro, o especialista israelense em eletroquímica Doron Aubarch chamou atenção para as baterias de sódio. “Além de que nunca teremos escassez de sódio, esta é uma alternativa às de lítio. A China representa um grande avanço com o lítio, mas outros países precisam de uma indústria local”, completou.

Bateria de carro elétrico da Dongfeng, suas baterias de estado sólido que permite 1.000 km de autonomia
Bateria de carro elétrico da Dongfeng [Divulgação]

Baterias de sódio apresentam menor risco de incêndio e operam melhor em temperaturas extremas positivas ou negativas. Todavia entregam menor densidade energética. O seu preço deve igualar-se às de lítio no próximo ano.

Quase 60% já usam I.A. na compra de carros no Brasil

Os dados são do Google e apresentados durante o recente seminário Anfavea Visions 2026. Na pesquisa, 57% informaram que usam ferramentas de inteligência artificial (I.A.) no processo de escolha da marca e tipo de veículo. Isso acaba por alongar o tempo até a decisão final.

Organizar informações e comparar opções pelo maior acesso a todo o universo de ofertas incentivam o consumidor a avançar nas pesquisas antes da escolha. Enquanto outros 30% apelam à I.A. para comparar fabricantes e modelos, 13% admitem transferir parte da decisão à própria I.A.

nova concessionária da Geely em São Paulo
Concessionária da Geely [Divulgação]

Aqui estamos entre os mercados mundiais mais receptivos a essa mudança. Outra pesquisa, desta vez Google/Ipsos com 21.000 pessoas em 21 países, havia indicado que 54% dos brasileiros usaram I.A. generativa em 2024, acima da média global de 48%. Também se registram 65% de percepção positiva sobre a tecnologia e 60% acreditam em ganhos econômicos associados ao seu avanço.

Especialistas preveem que o próximo passo virá com agentes de I.A. capazes de executar tarefas de forma autônoma para o usuário desde o processo de compra ao pós-venda. Veículos conectados ajudarão, pois enviarão dados de forma direta a fabricantes e concessionárias.

Mas nem tudo são flores. A Ford acaba de contratar 350 engenheiros seniores para seus quadros técnicos nos EUA. Segundo a agência Bloomberg eles chegaram para corrigir problemas ocasionados pela inteligência artificial, que causaram prejuízos bilionários à fabricante.

Quanto ao transporte por aplicativos, a empresa brasileira Machine, especialista em alternativas de mobilidade e entregas, indica que cinco marcas dominam cerca de 80% das viagens: Chevrolet (20,94%), Volkswagen (19,08%), Fiat (18,40%), Hyundai (11,66%) e Renault (9,53%).

Volkswagen Tera High Outfit [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

GWM confirma a segunda fábrica no Brasil

Na cidade de Aracruz, a 80 km de Vitória, capital do Espírito Santo, será construída a segunda fábrica da GWM. A empresa chinesa produz aqui desde agosto de 2025 nas instalações adquiridas da Mercedes-Benz, que interrompeu a produção em dezembro de 2020.

De lá saem os SUVs H6 e H9 e a picape Poer. A marca não informou o total a investir no estado capixaba, nem todos os produtos escolhidos. Contudo, há a confirmação de pelo menos um modelo: o SUV elétrico Ora 5, lançado no mês passado.

GWM Ora 05 [Divulgação]

A nova instalação industrial em área de 1,7 milhão de m² prevê a produção de veículos a combustão (certamente com motores flex), híbridos e elétricos. O novo investimento faz parte dos R$ 10 bilhões que a marca reservou ao Brasil ao longo de 10 anos (até 2032) e vai gerar 9.000 empregos diretos e indiretos.

Local escolhido é estratégico por estar em um dos maiores polos logísticos e portuários, que abriga a primeira Zona de Processamento de Exportação de capital privado do País, inaugurada em julho de 2023. A GWM terá então condições competitivas de exportar para os principais mercados da América Latina: Argentina, Chile, Uruguai, Colômbia e México.

GWM Haval H6 2027 cinza parado de traseira
GWM Haval H6 2027 [Auto+ / João Brigato]

Em janeiro deste ano a fabricante já havia anunciado tratativas com o governo estadual e agora, apenas seis meses depois, acertou o segundo investimento que poderá superar o total antes previsto de R$ 10 bilhões, a depender do crescimento do mercado brasileiro.

Geely EX5 EMi Ultra: destaque para espaço interno

Produção acertada agora no segundo semestre na fábrica paranaense da Renault e a conveniência de um híbrido colocam o Geely em um bom posicionamento pelo preço competitivo. Caracterizado por uma parte frontal típica dos modelos chineses, o EX5 exagera um pouco no formato das tomadas de ar laterais. De perfil destacam-se rodas de 19 pol., frisos em torno das janelas e barras no teto discretas. Traseira inspira-se ligeiramente no Porsche Cayenne.

Dimensões (mm): comprimento, 4.740; entre-eixos, 2.755; largura, 1.905 (2.200 com espelhos); altura, 1.685. Volumes (L): porta-malas, 428; tanque, 60. Massa: 1.782 kg. Híbrido pleno. Motor 4-cilindros 1,5 L: potência 160 cv; torque 12,3 kgf·m. Motor elétrico: 218 cv; torque 26,7 kgf·m. Potência combinada: 262 cv; Torque combinado: 38,7 kgf·m. Consumo (Inmetro km/L, cidade/estrada): 14,6/13,3. Alcance (Inmetro km, cidade/estrada): 876/798. Tração dianteira. Câmbio automático DHT, uma marcha. Aceleração 0 a 100 km/h: 7,8 s.

Geely EX5 EM-i verde estático para avaliação e teste
Geely EX5 EM-i [Auto+/Luiz Forelli]

No interior, chamam atenção o formato do volante, quadro de instrumentos de 10,2 pol. e acréscimo do sempre útil projetor de dados no para-brisa, além da grande tela multimídia de 15,4 pol. de boa resolução e espelhamento sem fio de Android Auto e AppleCarPlay.

Carregador de celular por indução no console fica em posição alta e exposta (na China não deve haver quadrilhas de quebradores de vidros para roubos). Espaço muito bom, inclusive para passageiros do banco traseiro. Porta-malas inclui estepe e ainda oferece mais de 400 litros. Há opção de interior claro ou escuro.

Geely EX5 EM-i interior para avaliação e teste
Geely EX5 EM-i [Auto+/Luiz Forelli]

Conforto de marcha destaca-se pela maciez, sem exagerar, além de lidar bem com buracos e ondulações. Surpreende a qualidade do sistema de áudio pelos alto-falantes nos encostos de cabeça, na frente e no teto, atrás. Respostas ao acelerador muito boas para um SUV desse porte.

Quanto ao consumo depende da escolha do motorista, que pode optar pelo motor recarregar a bateria. No quadro de instrumentos, estando a bateria com carga completa, aparecem mais de 1.000 km de alcance. Mas esta projeção cai rapidamente em uso cotidiano, mesmo sem excessos no acelerador.

Geely EX5 EM-i verde estático para avaliação e teste
Geely EX5 EM-i [Auto+/Luiz Forelli]

Preço: R$ 244.990

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Rafael Dea

Cursou Jornalismo para trabalhar com carros. Formado em 2005, atuou na mídia impressa por mais de 16 anos e também em veículos on-line. Embora tenha uma paixão por caminhonetes, não dispensa um esportivo — inclusive, foi o único brasileiro a participar do lançamento global do Porsche Panamera GTS.

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