A Ford passou décadas operando como se fosse um conjunto de marcas distintas espalhadas pelo globo. Modelos europeus, americanos e australianos não compartilhavam quase nada visualmente até o início da década de 1990. Em 1992, a fabricante decidiu mudar esse cenário e unificar sua linguagem estética em torno do seu símbolo máximo.
O resultado foi uma obsessão por formas elípticas que moldou carros como Fiesta, Taurus e Scorpio.
Mondeo e o início da padronização mundial
O Ford Mondeo surgiu em 1992 com a missão ingrata de substituir o Sierra na Europa e o Tempo nos Estados Unidos. Ele foi o primeiro grande passo para criar um carro verdadeiramente global dentro da companhia. Nos EUA, o modelo foi batizado de Contour e apresentava lanternas ainda mais arredondadas que o irmão europeu.

Essa padronização visual foi o marco zero de uma identidade baseada inteiramente no oval azul A grade frontal desses modelos seguia o formato de elipse e parecia se fundir ao desenho dos faróis. O conjunto passava uma sensação visual de desânimo, reforçada pela entrada de ar inferior com o mesmo traço chateado.

Até mesmo as lanternas e o vidro traseiro respeitavam essa geometria rigorosa imposta pelos designers. No interior, o painel e os comandos também eram recheados de elipses por todos os lados.
O auge da polêmica com Scorpio e Taurus

Em 1994, a Ford lançou na Europa a segunda geração do Scorpio, lembrado até hoje como um dos carros mais feios da marca. O visual frontal apelidado de bagre exibia faróis redondos e uma grade elíptica que não conversava com o restante da carroceria. A traseira, com lanternas baixas e estreitas em formato oval, selou o fracasso estético do modelo perante o público.
O Scorpio virou o exemplo máximo de que a repetição de um símbolo nem sempre resulta em harmonia. Do outro lado do Atlântico, o Ford Taurus sofreu um destino semelhante em 1995 ao entrar na sua terceira geração. O sedan, que até então liderava as vendas nos Estados Unidos, perdeu o trono rapidamente para a concorrência.

A Ford abusou tanto das curvas que até o vidro traseiro era uma elipse perfeita, deixando o carro com aspecto datado. O modelo anterior, com linhas mais sóbrias, parecia mais moderno que o seu sucessor arredondado.
New Edge e o fim da era das elipses
A quebra dessa obsessão só começou em 1996 com a chegada do Ford Ka e sua proposta disruptiva. Embora o carro fosse pequeno e arredondado, ele introduziu cortes retos e triângulos marcantes na lataria. Essa mistura de curvas com vincos fortes evoluiu para a linguagem New Edge, consolidada pelo Focus em 1998.

Foi o fim da hegemonia dos ovais e o início de uma era de design muito mais agressiva. A identidade New Edge foi um sucesso absoluto e permitiu que a Ford finalmente unificasse seus modelos em diferentes continentes. Esse movimento atingiu seu ápice com o estilo Kinetic e a estratégia One Ford, que alinhou o portfólio mundial sob uma única assinatura.
Hoje, os ovais dos anos 1990 são vistos apenas como um capítulo exótico e controverso na história da engenharia de Detroit.

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