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A ideia era boa?

Mercury: a marca da Ford que morreu sem fazer sentido

Durante seus 84 anos de história, a Mercury teve altos e baixos, mas morreu totalmente irrelevante; confira a história

4 min de leitura

Criada em 1938 por Edsel Ford, filho de Henry Ford, a Mercury é uma das mais emblemáticas marcas norte-americanas. Contudo, sucumbiu à gigantesca crise econômica e nos deixou definitivamente em janeiro de 2011. Em seus últimos anos, ela não passava de uma fabricante que requentava carros da Ford para parecerem apenas mais elegantes.

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Apesar de ter vivido seu auge nos anos 1960 e 1970, a Mercury começou a desandar em 1980 por conta da crise do petróleo. Pensada para ser uma intermediária entre Ford e Lincoln, ela cumpria o papel que hoje têm marcas como Jeep e Mazda. Elas não são generalistas, nem premium, ocupando um espaço nebuloso no mercado.

Nesse especial, vou me ater aos anos finais da Mercury e como, mesmo sem uma crise econômica, a marca hoje não faria sentido. Apesar de ter sido descontinuada vendendo saudáveis 93.195 carros no último ano de vida, a Mercury só tinha modelos reciclados da Ford. Essa falta de identidade própria foi o que selou seu destino.

Mercury Grand Marquis 2006 cinza em foto 3x4 dianteira estático [Divulgação]
Mercury Grand Marquis 2006 [divulgação]

Morreu vendendo bem

Grand Marquis, Milan e Mariner eram seus modelos mais vendidos, com média de 28 mil unidades no último período. O Grand Marquis era um Ford Crown Victoria com grade frontal diferente, enquanto o Milan era um Ford Fusion com as extremidades modificadas. Já o Mariner passava pela mesma situação, sendo baseado diretamente no Ford Escape.

A engenharia de emblema corria solta na Mercury, tanto que as modificações visuais nunca atingiam as partes caras. Todos os carros da marca norte-americana tinham lateral e interior idênticos aos da Ford. O que mudava era apenas faróis, lanternas e para-choques, enquanto o acabamento interno sempre recebia algum plástico barato imitando madeira de luxo.

Mercury Milan 2010 [divulgação]
Mercury Milan 2010 [divulgação]

O grande problema da marca é que sempre havia um Ford com acabamento idêntico e igualmente equipado por preço menor. O único argumento de compra da marca passou a ser o desejo de parecer mais chique que um Ford convencional. Porque, na prática, o consumidor só levava um veículo do oval azul pagando um valor superfaturado.

Última exclusividade da Mercury

A situação da marca foi se agravando tanto que, em 2003, ela teve seu último modelo exclusivo, o Cougar. Não exatamente exclusivo, porque o Cougar era vendido como Ford na Europa e importado aos Estados Unidos com logo Mercury. Dessa vez, contudo, não havia um equivalente direto na concessionária vizinha que vendia os modelos Ford.

Mercury Cougar amarelo em foto 3x4 frontal estático com fundo cinza
Mercury Cougar 2001 [Divulgação]

Além disso, o último modelo exclusivo desenvolvido pela Mercury saiu das concessionárias em 2002, marcando o fim de uma era. Desenvolvida em parceria com a Nissan, a Villager foi uma tentativa da marca de entrar no segmento de minivans grandes. Só que ela não era baseada na Ford Aerostar, conforme o mercado especializado esperava.

Mercury Villager 1998 [Divulgação]

Mas e a Lincoln?

Hoje, todos os carros da marca de luxo Lincoln são baseados em modelos da Ford, assim como eram os Mercury. Contudo, não há sequer uma peça visível compartilhada entre o Nautilus e o Edge, por exemplo. O mesmo vale para o Aviator e o Explorer, ou para o Navigator e o Expedition, garantindo uma identidade visual própria.

SUVs Lincoln [Divulgação]

Antigamente, era mais fácil fazer versões elegantes dos modelos Ford do que sustentar uma marca intermediária sem propósito. A Ford tentou essa estratégia na Europa com a divisão Vignale, mas o projeto não vingou e nunca chegou aos Estados Unidos. É por isso que, hoje, a Mercury não teria espaço nenhum no mercado.

O que você achava dos carros da Mercury? Escreva a sua opinião nos comentários!

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João Brigato

Formado em jornalismo e design de produto, é apaixonado por carros desde que aprendeu a falar e andar. Tentou ser designer automotivo, mas percebeu que a comunicação e o jornalismo eram sua verdadeira paixão. Dono de um Jeep Renegade Sem Nome, até hoje se arrepende de ter vendido seu Volkswagen up! TSI.

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