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Audi e BMW viram Changan para atravessar fronteiras

Troca temporária de emblemas ajuda carros alemães a chegar à Rússia sem levantar suspeitas

4 min de leitura

As sanções impostas à Rússia após a invasão da Ucrânia fizeram diversas montadoras abandonar o mercado local. Audi, BMW, Mercedes-Benz e outras fabricantes europeias finalizaram suas operações e proibiram a venda de veículos novos ao país. No entanto, isso não significa que os carros desapareceram das ruas russas.

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Um novo esquema descoberto recentemente mostra como modelos alemães continuam chegando ao país. E o método acontece desde registros falsos de veículos usados até uma curiosa troca temporária de emblemas por marcas chinesas.

Carros alemães chegam à Rússia com identidade chinesa

Imagens divulgadas pelo site AutoBlog mostram modelos como o Audi A6L e BMW X5 apareceram transportados em caminhões usando emblemas da chinesa Changan. Sim, a mesma montadora que vende no Brasil o Uni-T e acaba de lançar o CS75

Carros troca emblema
Audi A6L como Changan [Reprodução]

Segundo informações publicadas pela Reuters e pelo portal CarNewsChina, intermediários chineses utilizam uma combinação de brechas burocráticas para levar veículos alemães até a Rússia sem chamar atenção das autoridades. Dessa forma, um Audi pode deixar a China oficialmente registrado como um Changan e, ao chegar na Rússia, recupera sua identidade.

O primeiro passo transforma um carro novo em usado

O esquema começa ainda na China. Antes da exportação, concessionárias registram veículos zero km como se já tivessem sido vendidos no mercado local. Com esse procedimento, o automóvel deixa de ser considerado um veículo novo e passa a ser classificado como usado nos documentos.

Embora nunca tenha rodado sequer um quilômetro, ele já não está mais sujeito às mesmas restrições impostas pelas fabricantes para exportação.

Carros troca emblema
BMW X5 como Changan [Reprodução]

Com eles em concessionárias, a Audi, BMW e Mercedes conseguem impedir que enviem carros novos para determinados mercados. Porém, elas perdem parte desse controle quando o veículo já aparece como usado. Segundo um ex-exportador ouvido pela Reuters, muitos comerciantes fazem esse processo exclusivamente para facilitar exportações.

Troca de emblemas ajuda a atravessar fronteiras

Depois que os documentos classificam o veículo como usado, entra em cena a segunda etapa da operação. Os responsáveis substituem temporariamente os logotipos originais por emblemas de marcas chinesas, principalmente da Changan.

Além disso, a documentação acompanha essa alteração visual. Com isso, as autoridades não enxergam um Audi ou um BMW sujeito às restrições impostas pelas sanções internacionais. 

Carros troca emblema
Audi A6L como Changan [Reprodução]

Em vez disso, os papéis indicam um veículo chinês comum, que não enfrenta as mesmas barreiras comerciais. Dessa forma, o automóvel atravessa as fronteiras com muito menos questionamentos.

Assim que o veículo entra no território russo, os intermediários removem os emblemas chineses e reinstalam os logotipos originais das marcas alemãs.O resultado final é um carro que chega ao consumidor exatamente como saiu da fábrica.

Marcas alemãs continuam presentes no mercado russo

Embora Audi, BMW, Mercedes-Benz e o Grupo Volkswagen tenham anunciado sua saída da Rússia, os números mostram outra realidade.

Dados citados pela Reuters apontam que quase 47 mil veículos dessas fabricantes receberam registro no país durante 2025. Mas mesmo tendo encerrado suas operações, esse crescimento ocorre por conta de comerciantes independentes que abastecem o mercado local. 

E você, acredita que as autoridades conseguirão fechar essa brecha? Deixe sua opinião nos comentários!

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Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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