Os carros elétricos com extensor de autonomia são algo que poucas montadoras produzem recentemente. Afinal, depois que a BMW encerrou a produção do i3 REx, muitos fabricantes concentraram os investimentos em híbridos plug-in e carros 100% elétricos. Agora, entretanto, a Ford e a Renault acreditam que essa tecnologia pode ganhar uma nova oportunidade na Europa.
Atualmente, não temos muitos modelos com extensor de autonomia à venda no mercado global. Por exemplo, no Brasil, temos apenas um e talvez um dos mais famosos do mundo: o Leapmotor C10 REEV de R$ 219.990. Além dele, na China essa tecnologia ainda é aderida no GAC Hyptec S600 e o Aito M7 é M8 da Huawei.
Porém, na Europa, mesmo esse conceito não sendo novidade, ele está chamando atenção em mercados onde a infraestrutura de recarga ainda passa por limitações.

Isso porque um veículo com extensor de autonomia utiliza um motor a combustão apenas para gerar energia para a bateria. Ou seja, o motor térmico não movimenta as rodas em nenhum momento. Quem faz todo o trabalho de tração continua sendo o motor elétrico.
Esse sistema difere dos híbridos plug-in convencionais, já que nestes o motor a combustão também pode impulsionar o veículo em determinadas situações. Por isso, muitos fabricantes citam esses modelos com extensor de autonomia como uma espécie de ponte entre os híbridos e os carros totalmente elétricos.
Ford vê potencial para ampliar a eletrificação

Segundo Jim Baumbick, responsável pela operação da Ford na Europa, os veículos com extensor de autonomia podem provocar uma mudança importante no mercado local.
Além dos elétricos convencionais, a marca quer ampliar a oferta de híbridos, híbridos plug-in e modelos com extensor de autonomia nos próximos anos. Dessa forma, a fabricante busca atender consumidores que ainda têm receio de migrar para um carro totalmente elétrico.

Atualmente, a Ford já comercializa na China uma versão eletrificada do Bronco equipada com esse sistema. O modelo combina um motor 1.5 turbo a gasolina com uma bateria de 44 kWh. Ainda assim, a marca não confirmou se utilizará esse mesmo conjunto mecânico na Europa.
Renault também aposta no extensor de autonomia
Enquanto isso, a Renault pode ter o mesmo caminho. François Provost, diretor-executivo da fabricante francesa, acredita que a tecnologia faz ainda mais sentido em veículos maiores.

Segundo o executivo, utilizar baterias gigantescas para mover SUVs pesados diariamente dentro dos centros urbanos nem sempre é a solução mais eficiente. Por isso, os sistemas com extensor de autonomia podem ser uma alternativa interessante para reduzir custos e peso.
Além disso, a Renault estima que seus futuros modelos poderão rodar até 200 km em modo totalmente elétrico antes da necessidade de acionar o gerador a combustão.
Tecnologia já chegou ao Brasil

Embora ainda muitos consumidores não sabem, mas essa tecnologia já desembarcou na no mercado brasileiro. A Leapmotor, marca chinesa representada no país pela Stellantis, vende o C10 REEV com esse conceito.
Nesse caso, o SUV utiliza o motor 1.5 aspirado exclusivamente como gerador de energia para a bateria, enquanto o motor elétrico permanece responsável por movimentar o veículo em todas as situações. Nesse caso, são 215 cv e 32,6 kgfm de torque, o que permite rodar cerca de 900 km no uso real em uma viagem sem depender de recarga externa.
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