Ao vivo
Home » Curiosidades » Como o Pontiac Aztek, considerado o carro mais feio do mundo, influenciou os SUVs de hoje

Curiosidades

Revolução antes da hora

Como o Pontiac Aztek, considerado o carro mais feio do mundo, influenciou os SUVs de hoje

O Pontiac Aztek ficou famoso como o carro mais feio do mundo, mas ditou as regras visuais que hoje são moda nos SUVs

6 min de leitura

Toda quebra de paradigma traz uma dose de risco. Ou uma ideia vanguardista cria uma tendência inédita de consumo ou acaba virando motivo de chacota. Às vezes, um projeto simplesmente chega antes da hora certa. Pense no mercado de tecnologia: existiram diversos celulares com tela sensível ao toque antes do iPhone, mas foi o modelo da Apple que de fato revolucionou o mundo.

Youtube video

Mesmo sendo terrivelmente odiado, o Pontiac Aztek trazia em seu DNA praticamente tudo o que define os SUVs modernos atuais. Ser odiado não é nenhum exagero quando aplicado ao Aztek. Uma rápida busca por listas dos carros mais feios ou dos maiores fracassos comerciais da história da indústria, o modelo estará lá, garantindo as primeiras posições.

A culpa pelo fiasco mercadológico é sobre uma série de erros conceituais de projeto, mas o principal vilão sempre foi o visual polêmico. Por uma dessas ironias do destino, tudo o que foi classificado como bizarro e desproporcional no Pontiac Aztek durante o seu período de fabricação (entre julho de 2000 e agosto de 2005) virou item quase obrigatório no segmento de SUVs hoje em dia.

Pontiac Aztek bege parado de frente
Pontiac Aztek [Divulgação]

O início conturbado e as tesouradas no orçamento

O desenvolvimento do Pontiac Aztek seguiu a cartilha tradicional dos utilitários esportivos daquela época. A intenção inicial da engenharia era compartilhar a plataforma com o Chevrolet Blazer, o que significava adotar a construção de carroceria sobre chassi. Como a Pontiac tinha uma veia voltada à esportividade, a proposta era criar um modelo urbano e com acerto dinâmico bem mais apimentado que o SUV derivado da picape S10.

Contudo, o centro de custos da General Motors interveio para conter os gastos e rebaixou o nível técnico. Em vez de investir nos caros componentes mecânicos de um SUV com tração traseira e aptidão fora de estrada, a diretoria migrou o Aztek para a plataforma U da GM. O problema é que essa arquitetura era utilizada exclusivamente pelas minivans do grupo, incluindo a Lumina APV, inclusive importado para o Brasil.

SUVs
Pontiac Aztek [Divulgação]

Essa mudança drástica forçou o Aztek a adotar um layout de tração dianteira sobre uma base que não oferecia qualquer preparação para o uso na terra. O resultado foi um crossover mais baixo do que o planejado e com o comportamento dinâmico típico de uma minivan familiar. A engenharia chegou a projetar um sistema de tração integral, mas o componente apresentava mais problemas e defeitos crônicos.

Polêmica no passado, tendência absoluta hoje

O calcanhar de Aquiles do Pontiac Aztek estava nas suas proporções. A carroceria de teto alto e linhas volumosas contrastava fortemente com rodas muito pequenas para o conjunto, deixando o visual pesado. Atualmente, qualquer SUV de porte médio sai de fábrica equipado com rodas de 18 ou 19 polegadas para preencher as caixas de roda. O Pontiac precisava se virar com um jogo de apenas 16 polegadas.

No entanto, basta reparar com atenção na silhueta lateral do carro. O Aztek trazia o vidro vigia traseiro com uma inclinação bastante acentuada, antecipando em quase duas décadas a febre dos SUVs cupê que hoje dominam os portfólios de marcas como Volkswagen (com o Atlas Cross Sport e Nivus) e montadoras de luxo alemãs.

Na estreia do modelo, essa solução foi massacrada pela crítica especializada. O vidro traseiro dividido por um aerofólio central com as lanternas integradas à peça é uma solução visual idêntica à adotada posteriormente por crossovers modernos, como o Mitsubishi Eclipse Cross.

A dianteira do Aztek exibia outros dois recursos de design que eram duramente criticados no ano 2000 e que viraram padrão da indústria atualmente. O primeiro é o conjunto óptico dividido em dois andares, posicionando as luzes de seta na extremidade superior e os faróis principais logo abaixo.

o esquisito Pontiac Aztek amarelo sobre a areia na praia em foto de divulgação 3x4 frontal
Pontiac Aztek [Divulgação]

Esse é exatamente o mesmo arranjo que vemos nos SUVs modernos, que trazem as luzes de rodagem diurna (DRL) em LED na parte superior e os blocos de iluminação principais embutidos no para-choque, a exemplo do Citroën C4 Cactus e do Fiat Toro.

O segundo elemento é a grade frontal dividida em duas porções horizontais, que chamava a atenção pelo formato avantajado. Hoje, as grades frontais gigantescas são utilizadas por quase todas as montadoras para transmitir uma sensação de imponência e robustez.

O desenho da peça no Pontiac remete diretamente ao formato de “duplo rim” utilizado pela BMW, sendo inclusive mais discreto do que as generosas aberturas que a marca alemã adota em seus utilitários esportivos atuais. Na virada do milênio, contudo, o público considerou o conjunto dianteiro do Aztek simplesmente intragável.

O fracasso comercial e a redenção pop como objeto cult

Idealizado para ser um veículo disruptivo e que quebrasse a monotonia das ruas, o Aztek falhou na missão de atrair compradores pela ousadia. Os planos comerciais da General Motors previam emplacar cerca de 75.000 unidades do SUV por ano no mercado norte-americano.

No entanto, o ápice histórico do modelo ficou restrito ao intervalo entre 2001 e 2003, quando registrou uma média modesta de apenas 27 mil emplacamentos anuais. O primeiro ano cheio de lojas foi decepcionante e, nos anos de 2004 e 2005, o veículo já era considerado uma carta fora do baralho pela própria corporação.

SUVs
Pontiac Aztel [Divulgação]

A redenção do Pontiac Aztek ocorreu apenas em 2008, três anos após o fim de sua produção. Ele foi escalado para ser o carro de Walter White na série Breaking Bad. A enorme repercussão do seriado fez o crossover ganhar um status de ícone pop, provocando uma valorização incomum, ainda que seu visual continue dividindo opiniões.

O Aztek permanece registrado nos livros de história como um dos maiores fiascos financeiros e de imagem da GM, mas a perspectiva do tempo mostra que ele talvez tenha sido apenas um pioneiro incompreendido que desembarcou no mercado muito antes da hora certa.

E você, acha que o Pontiac Aztek foi injustiçado pela história ou ele continua sendo feio de doer? Deixe a sua opinião aqui nos comentários!

Deixe um comentário

João Brigato

Formado em jornalismo e design de produto, é apaixonado por carros desde que aprendeu a falar e andar. Tentou ser designer automotivo, mas percebeu que a comunicação e o jornalismo eram sua verdadeira paixão. Dono de um Jeep Renegade Sem Nome, até hoje se arrepende de ter vendido seu Volkswagen up! TSI.

Você também poderá gostar