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Ford não quer mais Ka e Fiesta para virar a Porsche do off-road

Marca abandona de vez os carros populares e diz que vai investir apenas em modelos onde realmente consegue ganhar dinheiro

3 min de leitura

Quando falamos da Ford no Brasil, é praticamente impossível não lembrar dos modelos como o Ka, Fiesta e Escort. Durante décadas, foram eles a porta de entrada da marca para milhares de brasileiros e ajudaram a construir a imagem da fabricante por aqui. Entretanto, essa Ford ficou no passado.

Desde que encerrou a produção de veículos no Brasil e fechou suas fábricas em 2021, a fabricante mudou completamente sua estratégia. Na verdade, essa transformação acontece no mundo inteiro e, segundo o próprio CEO da marca divulgado pelo site Carscoops, Jim Farley, não existe intenção de voltar atrás.

Ford quer vender carros que as pessoas desejam

Durante a divulgação dos resultados financeiros da empresa, Jim Farley deixou claro que a Ford não quer mais disputar espaço no segmento dos carros comuns e baratos.

Ford Fiesta [Divulgação]

Em vez disso, a marca quer concentrar seus investimentos em produtos que dão desejo e tenham uma identidade forte. Nas palavras do executivo, anteriormente, a Ford quer se tornar a “Porsche do off-road”.  

“A Ford quer ser a marca número 1 indiscutível no segmento off-road no mundo. Queremos ser a Porsche do off-road”, disse o executivo à Auto News durante o Salão do Automóvel de Detroit.

Ford Ranger Raptor [Auto+/Luiz Forelli]

“Nós só competimos onde temos uma vantagem competitiva real ou podemos construir uma. E somos implacáveis na forma como investimos nosso dinheiro”, afirmou Farley.

Bronco, Raptor e Mustang são prioridade

A estratégia atual gira em torno de modelos que carregam a imagem da Ford. Temos aí a família Bronco, Maverick, Ranger Raptor, F-150, Mustang, entre outros, que são justamente os carros que a fabricante acredita terem maior potencial para dar lucro.

Ford Bronco Sport Badlands azul parado de frente na estrada de terra
Ford Bronco Sport Badlands [Auto + / Rafael Pocci Déa]

Além da venda do veículo, a empresa descobriu outra fonte importante de receita: acessórios originais. Hoje, muitos compradores gastam milhares de dólares com kits de suspensão, pneus, rodas, iluminação auxiliar, bagageiros, para-choques especiais e diversos itens vendidos pela própria Ford.

Adeus definitivo aos carros populares

Essa mudança também explica por que a Ford deixou praticamente vazio o segmento de entrada. Há cerca de dez anos, o consumidor norte-americano encontrava diversos carros da marca custando menos de US$ 20 mil. Hoje, a realidade é completamente diferente.

Ford Mustang Dark Horse [Auto+ / João Brigato]
Ford Mustang Dark Horse [Auto+ / João Brigato]

Nos Estados Unidos, o veículo mais barato da Ford que não é uma picape custa US$ 31.845. Estamos falando do Bronco Sport. No Brasil, o modelo mais acessível é o Ford Territory, que no fundo é um chinês.  Enquanto isso, rivais continuam apostando em modelos acessíveis.

Chineses ajudam nessa mudança

Outro fator citado por Jim Farley é em relação ao crescimento das fabricantes chinesas. O executivo já afirmou diversas vezes que vê as marcas da China como a maior ameaça para a indústria automotiva mundial nos próximos anos.

Ford F-150 Lariat Chrome azul parada de frente
Ford F-150 Lariat Chrome [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Na visão dele, competir apenas por preço será cada vez mais difícil. Por isso, a Ford prefere investir em veículos que tenham personalidade, tradição e uma comunidade apaixonada de clientes, exatamente como acontece com a Porsche.

Você gostaria de ver a Ford lançar um novo Ka ou acredita que a estratégia atual faz mais sentido? Deixe sua opinião nos comentários!

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Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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