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Quais foram os dois maiores arrependimentos da história da Stellantis

Chrysler 200 e Dodge Dart eram bonitos, mas viraram um pesadelo. Descubra o motivo do arrependimento com a dupla de sedans

4 min de leitura

A maior prova de que beleza não garante sucesso no mercado automotivo foi o fracasso comercial da dupla Dodge Dart e Chrysler 200. Desenhos com esmero e elogios do público não impediram que os dois sedans se tornassem o maior pesadelo financeiro do grupo FCA (atual Stellantis) na década passada.

O fracasso foi tão retumbante que o próprio ex-CEO do grupo, Sergio Marchionne, declarou publicamente que nunca houve arrependimento maior do que ter colocado a dupla em produção. A declaração selou a trajetória de dois projetos que deveriam ter mudado o patamar da empresa nos Estados Unidos.

Dodge Dart
Dodge Dart [Divulgação]

A ofensiva dos sedans Dodge Dart e Chrysler 200

O Dodge Dart e o Chrysler 200 nasceram como parte de uma grande investida para ganhar volume no mercado norte-americano. Contudo, o Dart chegou como sucessor tardio do Neon, ocupando o espaço deixado após as tentativas frustradas do crossover Caliber e do esquecido sedan Avenger, para brigar com Toyota Corolla e Honda Civic entre os sedans médios.

Já a segunda geração do Chrysler 200 sucedeu o Sebring (e a primeira geração do 200, que chegou a ser vendida na Europa como Lancia Flavia conversível). O modelo tinha a missão de encarar rivais pesados no segmento médio-grande, como Volkswagen Passat, Honda Accord e Ford Fusion.

Chrysler 200 cinza de frente
Chrysler 200 [Divulgação]

A amarga confissão de Sergio Marchionne

Apesar de cobrirem as categorias mais importantes do mercado americano abaixo dos SUVs, nenhum dos dois emplacou. As perdas financeiras foram tão expressivas que Marchionne adotou um tom extremamente duro e honesto quando a dupla saiu de linha de forma antecipada em 2016.

“Agora posso dizer que tanto o Chrysler 200 quanto o Dodge Dart, por melhores produtos que fossem, foram a pior aventura financeira da FCA nos últimos anos. Todavia, eu não conheço um investimento pior do que esses dois”, afirmou o executivo, falecido em 2018 durante o processo que culminaria na criação da Stellantis.

Plataforma compartilhada e o erro na traseira

Grande parte dos problemas do Chrysler 200 foi repetida no Dodge Dart. No entanto, ambos compartilhavam a plataforma Compact Wide, variante da base Small Wide usada por Jeep Renegade, Compass e Commander, além de apresentarem sérias limitações de espaço no banco traseiro devido ao caimento acentuado do teto.

A falha na cabine rendeu acusações de que a Chrysler teria copiado o visual esportivo do Hyundai Sonata. Marchionne rebateu na época: “Nós não copiamos o carro, copiamos o ponto de entrada para o banco traseiro. Idiotas. Eu avisei. Fomos muito agressivos na aerodinâmica. Temos a melhor da categoria, mas não existe almoço grátis.”

Interior Dodge Dart
Dodge Dart [Divulgação]

Dodge Dart e Chrysler 200: motores fracos, beberrões e com turbolag

O conjunto mecânico foi outro ponto crítico. O motor mais comum na dupla era o 2.4 Tigershark de quatro cilindros aspirado, que entregava 184 cv com um consumo digno de V8, ficando muito atrás dos concorrentes. O Dart ainda oferecia nas versões de entrada o 2.0 aspirado do Compass (igualmente fraco e beberrão) e o 1.4 T-Jet de 160 cv, que sofria com um turbolag acentuado para mover o peso do carro.

Aliás, a única exceção de bom desempenho ficava para as versões topo de linha do Chrysler 200 equipadas com o motor 3.6 V6 Pentastar de 299 cv, que contava com opção de tração integral derivada do sistema 4×4 da Jeep.

Sem sucessores e esquecidos pelo mercado

O acabamento interno também não ajudava: embora fosse superior à era Daimler-Chrysler, ainda ficava devendo em qualidade em relação aos Jeeps lançados pouco depois. Além disso, somando o espaço traseiro, a dirigibilidade sem brilho e a migração em massa do consumidor para os SUVs, a vida útil da dupla não deixou substitutos.

E você, concorda com a avaliação da Stellantis ou acha que o Dodge Dart e o Chrysler 200 mereciam uma sorte melhor? Escreva nos comentários!

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João Brigato

Formado em jornalismo e design de produto, é apaixonado por carros desde que aprendeu a falar e andar. Tentou ser designer automotivo, mas percebeu que a comunicação e o jornalismo eram sua verdadeira paixão. Dono de um Jeep Renegade Sem Nome, até hoje se arrepende de ter vendido seu Volkswagen up! TSI.

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