Quando falamos em segurança automotiva, a Volvo se sobressai na cabeça. Só que, hoje, essa história também passa pela Geely. Dona da marca sueca desde 2010, a fabricante chinesa inaugurou em Ningbo, na China, aquele que chama de maior e mais avançado centro de testes de segurança automotiva do mundo, com cinco recordes homologados pelo Guinness World Records.
Mais do que só empilhar números enormes, a Geely quer mandar um recado ao mercado. Em vez de tratar segurança só como crash test e airbag, a empresa decidiu aumentar esse conceito para a era dos carros elétricos.
Por isso, o novo centro não olha apenas para colisões. Além disso, ele também avalia baterias, sistemas de propulsão, proteção de pedestres, segurança ativa, cibersegurança, privacidade de dados e até saúde ambiental dentro do carro.

Com investimento inicial acima de 2 bilhões de yuans (cerca de R$ 1,4 bilhões), a Geely aproveitou o know-how da Volvo, que mantém desde 2000 seu próprio Safety Centre, em Gotemburgo, e, assim, passou a contar com todo apoio técnico e expertise de segurança da subsidiária sueca para bater diversos recordes.
Um novo cartão de visitas da Geely
Na prática, a Geely quer transformar segurança em ativo de imagem, engenharia e posicionamento global. Assim, o novo Centro de Segurança Geely ocupa 45 mil m2 de área no complexo em Ningbo e foi criado para ter testes físicos e digitais no mesmo ecossistema.

Antes, bastava provar que a estrutura do carro aguentava um impacto e que os ocupantes estavam bem protegidos. No entanto, hoje, isso não é o único pilar. Atualmente, um carro elétrico também precisa provar que a bateria resiste, que o software não tem falhas, que os sensores leem o ambiente e que o carro não tenha ataques cibernéticos com ataques digitais, algo que já aconteceu na indústria.
Então, além de testes de colisão, o centro foi projetado para testar chips, criptografia, transmissão de dados, atualizações remotas, sensores e controladores do veículo. Além disso, também há uma equipe dedicada a materiais voláteis, odores e substâncias nocivas.
Primeiro recorde

E são com os cinco títulos homologados pelo Guinness que dá parâmetro do tamanho da ambição da montadora nascida na província de Zhejiang. A Geely cravou o recorde de maior laboratório de segurança automotiva do mundo, com 81.930,745 m2.
Vale lembrar que esses números são um recorte diferente da mesma estrutura quando comparado com os 45 mil m2. Ou seja, o laboratório considerado pelo Guinness é maior porque engloba toda a infraestrutura de testes integrada, e não apenas a área base do centro.

Voltando ao laboratório de segurança, ele ocupa três andares, além do subsolo. Só o primeiro pavimento soma 44.985,723 m2. O segundo tem 27.223,733 m2, o terceiro 9.161,340 m2 e o subsolo, 559,949 m2.
São nessas áreas que ficam pistas de impacto, áreas de preparação, laboratórios de sensores, infraestrutura de medição, instrumentação, áreas de análise e, agora, zonas de validação para carros elétricos e definidos por software.

E mesmo que pareça só números, na prática, quanto maior esse ambiente, maior tende a ser a capacidade da marca de testar mais cenários, aumentar validações e reduzir dependência de terceiros. Portanto, essa é justamente a mensagem que a Geely quer passar.
Segundo recorde
A Geely agora tem a pista interna de crash test mais longa do mundo, com 293,39 metros. Com isso, é essa estrutura que ajuda a lançar os veículos com mais precisão, trajetórias ajustadas e montar cenários reais e complexos em um ambiente controlado para trazer segurança no cotidiano.

Isso ganha ainda mais relevância em um cenário em que as montadoras precisam validar não só estrutura e airbags, mas também os assistentes de condução, frenagem autônoma e eletrônicas de mitigação de impacto.
A própria inauguração do centro foi usada para mostrar um crash test ao vivo com dois modelos Lynk & Co 900, justamente para provar a capacidade do complexo de reproduzir cenários extremos.
Terceiro recorde

O centro da Geely também bateu o recorde de maior zona de testes de colisão com ângulo arbitrário entre 0 e 180 graus, com 12.709,293 m2. Segundo o Guinness, isso é possível por meio de uma pista continuamente ajustável, capaz de configurar impactos em qualquer ângulo dentro dessa faixa.
Esse recorde é justamente tentar aproximar o laboratório do mundo real. Por exemplo, na rua, a colisão nem sempre acontece em linha reta, com velocidade perfeita e alinhamento. Há cruzamentos, manobras de desvio, perda de controle, entre outras coisas que mudam o ângulo de uma batida.

Quanto maior é a liberdade para variar o ângulo do teste, mais rica tende a ser a leitura sobre deformação estrutural, a atuação dos airbags, comportamento dos sistemas de segurança, entre outros pontos.
Além que em carros elétricos, a estrutura é ainda mais complexa. No carro a combustão, a estrutura já é complexa. Já em um elétrico, além de proteger os ocupantes, é preciso assegurar os módulos eletrônicos e, sobretudo, o pacote de baterias.
Quarto recorde

A Geely homologou a maior instalação de túnel de vento com altitude e clima ajustáveis para testes automotivos, com 28.536,224 m2. Segundo o Guinness, essa área se distribui em três pavimentos.
O primeiro tem 9.760,969 m2, o segundo 10.347,977 m2 e o terceiro 8.427,278 m2. A Geely afirma que a instalação consegue simular neve, chuva, radiação solar e ventos de até 250 km/h.
![Geely EX5 DM-i Ultra [Auto+ / João Brigato]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/04/geely-ex5-dm-i-ultra-18-1320x743.webp)
Um carro seguro precisa ter funcionamento estável em frio extremo, chuva forte, calor intenso e diferentes altitudes. Em veículos elétricos, isso é ainda mais fundamental, pois há a bateria que é afetada. Além disso, com o ADAS, o clima adverso também interfere na leitura de câmeras, radares e sensores.
Por isso, o túnel de vento recordista sustenta o discurso da Geely de que a segurança, hoje, não se resume à resistência da carroceria.
Quinto recorde

O quinto e último recorde do Guinness foi reconhecer a Geely como a montadora com o maior número de testes disponíveis em um laboratório de segurança próprio, com 27 modalidades. São 11 testes em nível de veículo, 7 em nível de sistema, 3 em nível de componente e 6 em nível funcional. Ou seja, mostra a amplitude do centro. Pois um centro pode ser grande, e ainda assim, ser limitado.
Também entra aqui a parte menos visível, que envolve os possíveis ataques cibernéticos. O novo centro foi desenhado para avaliar cibersegurança, transmissão e criptografia de dados, atualizações OTA, chips, firmware, sensores e controladores veiculares.

Além disso, também há uma equipe dedicada a materiais voláteis, odores e substâncias nocivas, que são chamadas de Golden Nose, criada para permitir um padrão zero de gases e odores nocivos no interior dos carros, algo que também já afetou diversos carros em estudo nos EUA.
Volvo é a base
Não é novidade que a Volvo construiu sua reputação em cima da segurança, e por isso continua usando seu Safety Center, na Suécia, como uma das bases de desenvolvimento de estruturas.

E com a Geely, agora dona da marca sueca, há um capital ainda maior para transformar esse conhecimento em plataforma global para várias marcas do grupo e até parceiros externos, como o caso da Renault aqui no Brasil.
Um grande exemplo é a chegada do Renault Koleos, que usa a mesma base CMA desenvolvida pela Volvo em parceria com a Geely, aproveitada no XC40 e atual C40. Essa mesma base será usada também em marcas do grupo, como a Lynk & Co.

Por curiosidade, em 2002, quando ainda dava seus primeiros passos na indústria, o fundador da Geely Li Shufu já falava em comprar a Volvo. O negócio virou realidade em 2010. Quinze anos depois, a Geely usa justamente a área em que a Volvo construiu sua fama para sustentar um salto de imagem próprio.
E você, acha que a segurança pode virar o principal diferencial da Geely contra outras chinesas? Deixe seu comentário!



