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Manutenção negligenciada

5 motores que os mecânicos odeiam e evitam consertar em 2026

Nem sempre um motor odiado pelos mecânicos é ruim, mas sim pela manutenção negligenciada que faz o serviço ser um pesadelo

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Os motores modernos dos carros nunca foram tão eficientes, potentes e econômicos. Por outro lado, a evolução também trouxe sistemas mais complexos, componentes mais caros e reparos que fazem ter ferramentas específicas e mão de obra especializada.

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Desta forma, muitos dos motores dos carros que os mecânicos evitam não quer dizer que sejam ruins. O problema aparece quando eles chegam às oficinas depois de diversas manutenções negligenciadas, óleo errado,  ou combustível de baixa qualidade.

Com isso, o que poderia ser uma manutenção simples acaba sendo em um serviço demorado, caro e cheio de riscos. O Auto+ selecionou cinco motores de carros que costumam fazer os mecânicos respirarem fundo antes mesmo de abrir o capô.

Ford 1.0 Ti-VCT de três cilindros

Qual modelo escolher como primeiro carro - Imagem mostra Ford Ka
Ford Ka [Foto: Divulgação]

O motor 1.0 Ti-VCT da Ford, usado no Ka e Fiesta, conquistou fama por ter um bom desempenho e consumo. Contudo, a engenharia teve a ideia da mesma solução das críticas hoje na família Onix: a correia dentada banhada a óleo. Quando o proprietário usa lubrificantes fora da especificação correta ou atrasa as trocas, a borracha da correia começa a se deteriorar e solta pequenos fragmentos.

O problema fica ainda mais sério porque esses resíduos descem para o cárter e podem entupir o pescador da bomba de óleo. Com a lubrificação comprometida, o risco de danos internos aumenta muito. Além disso, a troca preventiva da correia precisa de ferramentas específicas para sincronizar o motor e uma série de desmontagem.

Peugeot, Citroën e BMW 1.6 THP

Peugeot 2008 Griffe THP 2023 [divulgação]
Peugeot 2008 Griffe THP 2023 [divulgação]

O famoso motor 1.6 THP de primeira geração é um excelente exemplo de como desempenho e complexidade costumam andar juntos. Presente em diversos modelos da Peugeot, Citroën e até BMW, ele entrega força de sobra, mas também precisa de manutenção rigorosa e diagnósticos precisos. Entre os principais pontos de atenção estão a bomba de alta pressão da injeção direta e o sistema de corrente de comando.

Com o passar dos anos, falhas de pressão de combustível, desgaste do tensionador hidráulico e carbonização interna podem dar sintomas parecidos. Por isso, muitos mecânicos consideram o diagnóstico desse motor um verdadeiro quebra-cabeça. Além disso, os scanners, ferramentas específicas de sincronismo e peças de qualidade são praticamente obrigatórios.

Volkswagen 1.0 TSI

Volkswagen Virtus cinza de frente com plantas ao fundo
Volkswagen Virtus [Divulgação]

Os motores da família EA211 ajudaram a popularizar a tecnologia turbo no Brasil. Entretanto, os exemplares com alta quilometragem costumam ter um problema típico dos motores com injeção direta: a carbonização das válvulas de admissão. Como o combustível é injetado diretamente na câmara de combustão, as válvulas deixam de receber a limpeza natural promovida pela gasolina ou pelo etanol.

Com o tempo, resíduos de óleo formam uma crosta de carvão que restringe a passagem de ar e prejudica o funcionamento do motor. O resultado aparece na forma de marcha lenta irregular, perda de desempenho e aumento do consumo. E o reparo também não é simples, pois é preciso desmontar vários componentes para fazer a limpeza. 

GM 3.6 V6 Alloytec e 2.4 Ecotec

Chevrolet Captiva [divulgação]
Chevrolet Captiva [divulgação]

Os motores usados em modelos como Chevrolet Captiva, Omega australiano e Malibu também aparecem na lista restrita dos profissionais. O motivo está na complexidade do sistema de distribuição, especialmente no V6 Alloytec, que usa múltiplas correntes de comando, guias e tensionadores hidráulicos dependentes de uma lubrificação impecável.

Quando o proprietário negligencia as trocas de óleo, a formação de borra compromete o funcionamento dos tensionadores e acelera o desgaste das correntes. Além disso, o reparo costuma precisar da remoção completa do conjunto motriz em diversos casos. Além disso, o espaço pequeno no cofre dificulta ainda mais o trabalho.

Fiat 1.8 E.torQ

carros
Jeep Renegade [divulgação]

O motor 1.8 E.torQ equipou uma enorme quantidade de veículos da Fiat e também alguns modelos da Jeep. Apesar da fama de robusto, tem um componente específico que costuma dar dores de cabeça: o trocador de calor, responsável por controlar a temperatura do óleo do motor. Quando o sistema de arrefecimento opera sem o aditivo correto, a corrosão interna pode atacar as paredes do componente.

Quando isso acontece, óleo e líquido de arrefecimento acabam se misturando. O resultado é uma pasta espessa que contamina mangueiras, reservatório, radiador e diversos componentes do sistema. Além disso, o processo de limpeza é extremamente demorado. Em muitos casos, a oficina precisa realizar várias lavagens e substituir peças contaminadas.

E você, já teve alguma experiência complicada com algum desses motores?

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Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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