Os motores modernos dos carros nunca foram tão eficientes, potentes e econômicos. Por outro lado, a evolução também trouxe sistemas mais complexos, componentes mais caros e reparos que fazem ter ferramentas específicas e mão de obra especializada.
Desta forma, muitos dos motores dos carros que os mecânicos evitam não quer dizer que sejam ruins. O problema aparece quando eles chegam às oficinas depois de diversas manutenções negligenciadas, óleo errado, ou combustível de baixa qualidade.
Com isso, o que poderia ser uma manutenção simples acaba sendo em um serviço demorado, caro e cheio de riscos. O Auto+ selecionou cinco motores de carros que costumam fazer os mecânicos respirarem fundo antes mesmo de abrir o capô.
Ford 1.0 Ti-VCT de três cilindros

O motor 1.0 Ti-VCT da Ford, usado no Ka e Fiesta, conquistou fama por ter um bom desempenho e consumo. Contudo, a engenharia teve a ideia da mesma solução das críticas hoje na família Onix: a correia dentada banhada a óleo. Quando o proprietário usa lubrificantes fora da especificação correta ou atrasa as trocas, a borracha da correia começa a se deteriorar e solta pequenos fragmentos.
O problema fica ainda mais sério porque esses resíduos descem para o cárter e podem entupir o pescador da bomba de óleo. Com a lubrificação comprometida, o risco de danos internos aumenta muito. Além disso, a troca preventiva da correia precisa de ferramentas específicas para sincronizar o motor e uma série de desmontagem.
Peugeot, Citroën e BMW 1.6 THP
![Peugeot 2008 Griffe THP 2023 [divulgação]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Peugeot-2008-2023-3-1200x720.jpg)
O famoso motor 1.6 THP de primeira geração é um excelente exemplo de como desempenho e complexidade costumam andar juntos. Presente em diversos modelos da Peugeot, Citroën e até BMW, ele entrega força de sobra, mas também precisa de manutenção rigorosa e diagnósticos precisos. Entre os principais pontos de atenção estão a bomba de alta pressão da injeção direta e o sistema de corrente de comando.
Com o passar dos anos, falhas de pressão de combustível, desgaste do tensionador hidráulico e carbonização interna podem dar sintomas parecidos. Por isso, muitos mecânicos consideram o diagnóstico desse motor um verdadeiro quebra-cabeça. Além disso, os scanners, ferramentas específicas de sincronismo e peças de qualidade são praticamente obrigatórios.
Volkswagen 1.0 TSI

Os motores da família EA211 ajudaram a popularizar a tecnologia turbo no Brasil. Entretanto, os exemplares com alta quilometragem costumam ter um problema típico dos motores com injeção direta: a carbonização das válvulas de admissão. Como o combustível é injetado diretamente na câmara de combustão, as válvulas deixam de receber a limpeza natural promovida pela gasolina ou pelo etanol.
Com o tempo, resíduos de óleo formam uma crosta de carvão que restringe a passagem de ar e prejudica o funcionamento do motor. O resultado aparece na forma de marcha lenta irregular, perda de desempenho e aumento do consumo. E o reparo também não é simples, pois é preciso desmontar vários componentes para fazer a limpeza.
GM 3.6 V6 Alloytec e 2.4 Ecotec
![Chevrolet Captiva [divulgação]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2023/09/chevrolet_captiva_502_edited-1200x720.jpg)
Os motores usados em modelos como Chevrolet Captiva, Omega australiano e Malibu também aparecem na lista restrita dos profissionais. O motivo está na complexidade do sistema de distribuição, especialmente no V6 Alloytec, que usa múltiplas correntes de comando, guias e tensionadores hidráulicos dependentes de uma lubrificação impecável.
Quando o proprietário negligencia as trocas de óleo, a formação de borra compromete o funcionamento dos tensionadores e acelera o desgaste das correntes. Além disso, o reparo costuma precisar da remoção completa do conjunto motriz em diversos casos. Além disso, o espaço pequeno no cofre dificulta ainda mais o trabalho.
Fiat 1.8 E.torQ

O motor 1.8 E.torQ equipou uma enorme quantidade de veículos da Fiat e também alguns modelos da Jeep. Apesar da fama de robusto, tem um componente específico que costuma dar dores de cabeça: o trocador de calor, responsável por controlar a temperatura do óleo do motor. Quando o sistema de arrefecimento opera sem o aditivo correto, a corrosão interna pode atacar as paredes do componente.
Quando isso acontece, óleo e líquido de arrefecimento acabam se misturando. O resultado é uma pasta espessa que contamina mangueiras, reservatório, radiador e diversos componentes do sistema. Além disso, o processo de limpeza é extremamente demorado. Em muitos casos, a oficina precisa realizar várias lavagens e substituir peças contaminadas.
E você, já teve alguma experiência complicada com algum desses motores?



