Os brasileiros, em geral, tendem a endeusar carros de luxo e marcas premium. Quer seja pela vontade de um dia ter um modelo mais refinado ou pelo próprio status que esse tipo de veículo dá. Contudo, para a massa menos abastada da sociedade, a solução pode ser um resto de rico.
O que é um carro resto de rico?
O termo, comumente usado na internet, designa carros de marcas de luxo que já rodam bastante. Geralmente, esses modelos estão no terceiro ou quarto dono e atingiram um preço convidativo. Ou seja, pelo mesmo valor de um hatch popular zero km, o motorista consegue andar de resto de rico.
De fato, esse apelido surgiu pelo fato de que, originalmente, quem adquiriu o veículo possuía alto poder aquisitivo. Afinal, modelos de marcas premium custam muito mais caro do que veículos generalistas na concessionária. Além disso, eles exigem manutenções dispendiosas e apresentam um custo total de propriedade elevado.

Por esse motivo, os veículos se tornam pouco acessíveis enquanto novos. Entretanto, a alta desvalorização de um carro desse porte o torna financeiramente viável após alguns anos. Consequentemente, muitos consumidores procuram essas opções no mercado de usados em busca de conforto e tecnologia.
Que carro é considerado resto de rico?
Qualquer modelo de marcas como Audi, BMW, Mercedes-Benz, Jaguar, Land Rover ou Volvo pode receber essa classificação. Geralmente, eles atingem esse status quando o preço de revenda fica abaixo de R$ 100 mil. Além disso, o veículo costuma ter mais de dez anos de fabricação.

Um exemplo muito comum no mercado brasileiro é o Porsche Cayenne. O interessado encontra facilmente unidades fabricadas entre 2006 e 2008 custando na faixa de R$ 80 mil. Ou seja, o comprador leva um Porsche legítimo com interior em couro e motor V6 pelo preço de um Renault Kwid.
O Audi A3 de primeira geração também representa um conhecidíssimo resto de rico no país. Atualmente, o mercado oferece modelos de 2002 por módicos R$ 15 mil. Já o Lexus CT200h, hatch híbrido com mecânica de Corolla, aparece na faixa dos R$ 80 mil para unidades de 2016.

Entretanto, o motorista também pode adquirir um modelo que não pertence a uma fabricante de luxo tradicional. Exemplos da Volkswagen, como o Passat CC, o Touareg e as primeiras unidades do Tiguan, atingem esse status. O mesmo ocorre com o Chevrolet Omega australiano e os Ford Explorer e Edge.
Além desses, modelos mais refinados da Hyundai, como o Equus e o Genesis, entram na lista. Todos compartilham a característica de oferecerem muito luxo por um preço de compra inicialmente baixo. Contudo, o interessado deve observar pontos críticos antes de fechar o negócio para evitar prejuízos.

Tenho que ter algum cuidado extra com um resto de rico?
O fato de pagar R$ 80 mil em um Porsche Cayenne não garante uma manutenção simples ou barata. Afinal, o proprietário lida com um carro que possui quase 20 anos de uso severo. Certamente, ele precisará trocar peças de desgaste natural e arcar com pneus de especificações caras.
Por isso, o comprador deve aplicar uma lógica financeira muito clara antes da compra. O fato de o veículo custar hoje o mesmo que um Renault Kwid não significa que a manutenção seguirá esse padrão. O proprietário deve sempre considerar o preço do carro quando ele era zero quilômetro.

Se o modelo usado vale R$ 80 mil, o custo de reparo ainda pertence a um veículo de R$ 900 mil. As peças custam muito mais caro e exigem mão de obra em locais específicos e especializados. Além disso, o novo dono frequentemente precisa substituir componentes caros logo após a aquisição.
Existem modelos com problemas crônicos que custam verdadeiras fortunas para o conserto. Isso ocorre especialmente em carros equipados com sistemas complexos de suspensão pneumática. Portanto, o sonho do luxo acessível pode se transformar rapidamente em um pesadelo financeiro se não houver planejamento.
Você teria um carro resto de rico? Conte nos comentários.


