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Não caia nessa ladainha

Motores 1.0 turbo já superam os antigos 2.0, 1.8 e 1.6 aspirados?

Volkswagen, Chevrolet e Stellantis mostram que cilindrada já não define desempenho como antigamente.

5 min de leitura

Durante muitos anos, motores 2.0, 1.8 e 1.6 aspirados dominaram o mercado brasileiro. Eles equipavam desde hatches compactos até sedãs médios e SUVs. Entretanto, a popularização dos motores 1.0 turbo mudou completamente esse cenário.

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Mesmo assim, ainda é comum encontrar quem defenda os antigos motores maiores e desconfie dos modernos propulsores de três cilindros. Afinal, como um motor de apenas 1 litro poderia substituir um 1.8 ou até mesmo um 2.0? A resposta está nos números.

Graças à sobrealimentação, à injeção direta e ao avanço da eletrônica, os motores 1.0 turbo atuais conseguem entregar mais potência, mais torque e respostas mais rápidas do que muitos propulsores aspirados do passado. Por isso, vale a pena comparar alguns exemplos dentro das próprias montadoras.

Volkswagen mostra como os tempos mudaram

motor 1.0 turbo do Volkswagen T-Cross comfortline
Volkswagen T-Cross Comfortline [Auto+ / João Brigato]

A Volkswagen foi uma das primeiras marcas a apostar nos motores turbo de baixa cilindrada no Brasil. Ainda nos anos 2000, Gol e Parati chegaram a oferecer um 1.0 turbo, mas a tecnologia ainda estava longe da maturidade atual.

Anos depois, o Up! TSI abriu caminho para uma nova geração de motores compactos sobrealimentados. Hoje, Polo, Virtus, Nivus e T-Cross utilizam o conhecido 1.0 TSI. Na configuração 200 TSI, o propulsor entrega 116/128 cv a 5.500 rpm e 20,4 kgfm de torque já a partir de 2.000 rpm. Já o 170 TSI oferece 109/116 cv a 5.000 rpm e 16,8 kgfm de torque entre 1.750 e 4.250 rpm.

Volkswagen Jetta 2.0 2014
Volkswagen Jetta 2.0 [Divulgação]

Agora compare com o antigo 2.0 EA113 de oito válvulas, utilizado durante anos em modelos como Golf, Bora e até algumas versões do Jetta. O motor desenvolvia 120/116 cv e 18,4/17,7 kgfm de torque, mas só atingia o pico de força a 4.000 rpm.

Na prática, o 1.0 turbo entrega mais potência e disponibiliza seu torque muito antes. Por isso, os carros equipados com ele respondem melhor nas retomadas e nas saídas de semáforo.

Stellantis também trocou cilindrada por eficiência

Peugeot 2008 GT cinza de frente
Peugeot 2008 GT [Auto+ / João Brigato]

A mesma situação aconteceu dentro da Stellantis. Atualmente, o motor 1.0 turbo da família GSE entrega 130/125 cv e 20,4 kgfm de torque. Além disso, ele equipa diversos modelos da Fiat, Citroën, Peugeot e Jeep. Antes dele, a Fiat utilizava amplamente o conhecido 1.6 eTorQ. Presente em modelos como Punto, Grand Siena e Idea, esse motor rendia 117/115 cv e 16,8/16,2 kgfm de torque.

Os números já mostram uma diferença importante. Entretanto, o cenário fica ainda mais favorável ao turbo quando analisamos a faixa de utilização. Afinal, o torque máximo do eTorQ aparecia apenas a 4.500 rpm. Na Peugeot, a situação era semelhante.

Fiat Punto [divulgação]

Até pouco tempo atrás, 208 e 2008 utilizavam o motor 1.6 EC5 aspirado. Em sua configuração mais recente, ele entregava 118/115 cv e 15,5/15,4 kgfm de torque. Mais uma vez, o 1.0 turbo leva vantagem tanto em potência quanto em torque. Além disso, ele disponibiliza toda essa força muito antes, tornando a condução mais agradável no uso diário.

Chevrolet mostra que nem sempre o motor maior vence

A Chevrolet também oferece um exemplo interessante. Hoje, Onix, Onix Plus, Sonic e Tracker utilizam o moderno 1.0 turbo de três cilindros. O motor entrega 116 cv com gasolina ou etanol e gera 16,8/16,3 kgfm de torque a apenas 2.000 rpm. Do outro lado está um velho conhecido dos brasileiros.

Chevrolet Sonic RS [Auto+ / João Brigato]

A Spin continua utilizando o tradicional motor 1.8 Família I, um projeto cuja origem remonta aos anos 1990. Atualmente, ele desenvolve 111/106 cv e 17,7/16,8 kgfm de torque. Nesse caso, o motor 1.8 ainda consegue uma pequena vantagem no torque com etanol. Porém, ele só entrega essa força a 2.600 rpm.

Enquanto isso, o 1.0 turbo já disponibiliza praticamente todo o torque em rotações mais baixas. Além disso, ele oferece potência superior e consumo mais eficiente.

Não é só potência, é a forma como ela chega

Volkswagen Tera High Outfit [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Quando muita gente compara motores, costuma olhar apenas para a potência máxima. Entretanto, esse não é o único fator importante. O grande diferencial dos motores turbo modernos está justamente na curva de torque.

Enquanto os antigos aspirados exigiam rotações elevadas para entregar desempenho, os motores atuais oferecem força quase instantaneamente. Como resultado, os carros ficam mais ágeis no trânsito e exigem menos trocas de marcha.

Renault Kardian Iconic vs Fiat Pulse Impetus vs Volkswagen Tera High vs Chevrolet Sonic RS [Auto+ / João Brigato]
Renault Kardian Iconic vs Fiat Pulse Impetus vs Volkswagen Tera High vs Chevrolet Sonic RS [Auto+ / João Brigato]

Além disso, a evolução dos sistemas de injeção, da eletrônica e dos próprios turbocompressores permitiu reduzir o consumo e as emissões sem sacrificar o desempenho.

Cilindrada deixou de ser sinônimo de desempenho

Durante décadas, era fácil associar motores maiores a carros mais rápidos. Hoje, porém, essa lógica já não funciona da mesma forma. Os números mostram que os modernos motores 1.0 turbo superam boa parte dos antigos 2.0, 1.8 e 1.6 aspirados em potência, torque e eficiência energética.

Nissan Kicks Exclusive [Auto+ / João Brigato]
Nissan Kicks Exclusive [Auto+ / João Brigato]

Obviamente existem exceções, especialmente quando falamos de motores esportivos ou projetos mais sofisticados. Entretanto, entre os carros de uso cotidiano, os propulsores compactos turbinados provaram que conseguem entregar mais desempenho utilizando menos combustível.

Por isso, a próxima vez que alguém disser que um antigo 2.0 é sempre melhor do que um 1.0 turbo, vale a pena olhar os números antes de responder.

E você, ainda prefere os antigos motores aspirados ou já se convenceu das vantagens dos modernos 1.0 turbo? Deixe seu comentário!

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Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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