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Por que o Ford Focus nasceu global, mas teve um desvio na segunda geração?

Segunda geração do Ford Focus nos EUA desviou totalmente do objetivo do modelo. E deu certo?

5 min de leitura

Quando a Ford lançou o Focus em 1998, ela tinha um objetivo claro: criar um carro verdadeiramente global que substituísse, de uma vez só, os modelos médios vendidos pela marca ao redor do mundo. Sua concepção buscava diferenças mínimas entre os mercados e pretendia unificar a Ford em torno de um único produto.

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A primeira geração cumpriu exatamente esse papel. O Focus europeu, o norte-americano e o sul-americano tinham poucas diferenças entre si. Mas tudo mudou na segunda geração, quando cada mercado passou a seguir um caminho diferente. Só a terceira geração conseguiu reunificar o modelo novamente, inclusive sendo a última vendida nas Américas. E hoje vamos explorar justamente o estranho caso do Focus americano.

Separação de bens

Em 2005, a Ford apresentou o Focus de segunda geração na Europa, mas cancelou sua estreia nas Américas. O motivo era simples: o custo de produção do novo modelo subiu bastante, enquanto o Focus antigo ainda mantinha vendas suficientes para justificar sua continuidade.

Além disso, os concorrentes da época também já mostravam sinais de envelhecimento, reduzindo a pressão por uma renovação total.

Ford Focus MK1 US-Spec [divulgação]
Ford Focus MK1 US-Spec [divulgação]

A fábrica argentina continuou produzindo nosso Focus praticamente sem alterações até 2008. Quando o Brasil finalmente recebeu a segunda geração do hatch médio, os europeus já conviviam com ela havia um ano. Enquanto isso, os Estados Unidos seguiram um caminho completamente diferente.

No mesmo ano em que a Europa recebeu um novo Focus e o Brasil ficou a ver navios, a Ford decidiu reestilizar o modelo antigo nos Estados Unidos. A marca basicamente aplicou a dianteira da segunda geração europeia sobre a carroceria da primeira geração.

Ford Focus MK1 US-Spec amarelo de frente
Ford Focus MK1 US-Spec [divulgação]

O carro ganhou faróis menores, grade frontal sorridente e um visual mais maduro. Na traseira, apenas o sedan mudou de verdade, enquanto o hatch praticamente continuou igual. O interior também adotou referências dos carros americanos daquela época.

Made in USA

Esse foi apenas o primeiro passo do que viraria o Focus norte-americano de segunda geração. Em vez de seguir a Europa, a Ford criou um modelo novo usando a plataforma antiga do MK1. Ele manteve o nome Focus e a proposta de carro médio, mas trouxe visual fortemente inspirado no Fusion e soluções bem diferentes.

Ford Focus mk2 US-Spec vermelho de frente e azul de traseira
Ford Focus mk2 US-Spec [divulgação]

Enquanto o Focus MK1 aparecia nos EUA como hatch, sedan e perua, a segunda geração passou a existir apenas como sedan. A Ford vendia uma versão tradicional de quatro portas e outra de duas portas, chamada de cupê.

A marca tomou essa decisão porque o sedan registrava maior volume de vendas por lá, enquanto o cupê tentava suprir a ausência do hatchback. Curiosamente, os EUA nunca receberam o hatch de quatro portas.

Ford Focus mk2 US-Spec [divulgação]
Ford Focus mk2 US-Spec [divulgação]

Um Focus totalmente diferente do europeu

Apesar de usar a base antiga, o Focus americano de segunda geração praticamente não compartilhava painéis de carroceria com o modelo anterior. Como mandava a moda da época, ele adotou uma enorme grade frontal cromada e faróis bem grandes.

As linhas da carroceria ficaram mais quadradas e vincadas, fazendo o carro parecer maior do que realmente era.

Ford Focus mk2 US-Spec [divulgação]
Ford Focus mk2 US-Spec [divulgação]

Os cromados também apareceram na traseira por conta do desenho das lanternas. Já o interior ficou bem mais simples que o do Focus europeu. O acabamento trocou materiais macios por bastante plástico rígido e linhas mais retas e conservadoras. O estilo seguia claramente a linguagem visual do Explorer daquele período.

Nos EUA, a Ford vendeu o modelo exclusivamente com motor 2.0 aspirado de quatro cilindros. O cupê entregava 145 cv, enquanto o sedan gerava 142 cv. O cliente podia escolher entre câmbio manual de cinco marchas ou automático de quatro velocidades.

Ford Focus mk2 US-Spec [divulgação]
Ford Focus mk2 US-Spec [divulgação]

Durante seus quatro anos de produção, a marca ofereceu as versões S, SE, SES e SEL.

Vendeu bem, mas nunca brilhou

As vendas nunca alcançaram números espetaculares, mas o Focus manteve resultados sólidos para o segmento de entrada nos Estados Unidos. O modelo chegou a representar 7,6% do mercado de carros pequenos por lá.

Ford Focus mk2 US-Spec [divulgação]
Ford Focus mk2 US-Spec [divulgação]

Vale lembrar que, apesar de o Brasil enxergar o Focus como um carro médio, os americanos sempre o trataram como compacto.

Em 2012, a Ford finalmente lançou nos EUA a terceira geração global do Focus. Mesmo assim, as concessionárias continuaram vendendo o modelo antigo durante algum tempo por causa dos estoques enormes acumulados.

Ford Focus mk2 US-Spec [divulgação]
Ford Focus mk2 US-Spec [divulgação]

Isso gerou uma situação curiosa. Naquele ano, o antigo Focus americano apareceu com descontos de até 50%, enquanto a terceira geração já ocupava as lojas simultaneamente.

Você já tinha visto o Ford Focus norte-americano? Conte nos comentários.

2 comentários em “Por que o Ford Focus nasceu global, mas teve um desvio na segunda geração?”

  1. Gilberto Macedo dos Santos

    Tenho um Focus sedã 2018….. não troco por nada um carro macio parece um carro que não sai da moda …um carro macio espaçoso muitas visibilidade..em matéria parte elétrica tem tudo mas um pouco ….

  2. Paulo Ricardo Pereira dos Santos

    Tive um 2000, um 2013 e um 2019, todos sedâs e se tivesse zero eu continuava. Um carro perfeito em todos os detalhes.
    Todos eles andei mais de 150 mil km e não tive problemas com nada, apenas as manutenções corriqueiras.

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João Brigato

Formado em jornalismo e design de produto, é apaixonado por carros desde que aprendeu a falar e andar. Tentou ser designer automotivo, mas percebeu que a comunicação e o jornalismo eram sua verdadeira paixão. Dono de um Jeep Renegade Sem Nome, até hoje se arrepende de ter vendido seu Volkswagen up! TSI.

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