As marcas chinesas já mostraram que não estão de brincadeira aqui no Brasil. Cada vez mais fortes e presentes no nosso mercado, elas têm forçado as tradicionais a melhorar seus modelos e a qualidade dos produtos. Mas existe uma característica comum entre várias fabricantes chinesas: tratar seus carros como celulares.
Costumeiramente, fora a Apple, que tem apenas um celular, as outras marcas usam números e siglas que mais parecem aleatórios para nomear seus aparelhos. De G17 a S26, passando por 17T e K62, os celulares possuem nomes que não representam nada além de números e siglas. E muita fabricante de carro chinês segue exatamente o mesmo padrão.
A ideia por trás disso até que faz sentido. Marcas de luxo como Audi, BMW e Mercedes-Benz usam sistemas de siglas, números e letras para batizar seus carros. Isso faz com que, ao se referir a um modelo, seja preciso falar o nome da marca para identificá-lo. Mas, em um segmento de luxo, isso tem prestígio. No mercado generalista, não.

O nome também vende
Há ainda outro fator: o nome de um carro muitas vezes o torna mais memorável que a própria marca, além de carregar um legado. Quer um exemplo? Veja o peso do nome Corolla. Ou Uno. Agora, quando alguém fala que tem um 5, ele pode ser de pelo menos cinco marcas diferentes e não quer dizer absolutamente nada.
O nome de um automóvel carrega consigo suas características e ajuda o modelo a se diferenciar de uma multidão. Veja o segmento de SUVs compactos, em que temos nomes fortes como Renegade, Duster, Creta e Kicks. Mas existem outros genéricos, como T-Cross e HR-V, que funcionam, mas não têm a mesma força.

Um dos exemplos mais fortes do que digo neste vídeo é a GWM. A fabricante chinesa trabalha no Brasil com uma linha de modelos na qual todos têm nomes formados por siglas acompanhadas pela marca original. Até porque, na China, GWM é o grupo, enquanto Haval, Ora, Poer, Tank e Wey são marcas.
Hoje temos apenas duas linhas que contam com dois carros: Ora e Haval. Mas seus modelos originais são chamados, pela grande maioria das pessoas, pelo nome da submarca, e não pelo nome de fato. Quantas pessoas você vê chamando o Haval H6 simplesmente de Haval? Enquanto o GWM Haval H9 passou a ser chamado só de H9 pela maioria.
![GWM Ora 5 [divulgação]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/06/gwm-ora-5-16-1320x743.webp)
Quando o número vira problema
O mesmo vale para o Ora 03, comumente chamado apenas de Ora. Já o novo SUV Ora 5 precisa de seu nome completo. Isso mostra a força de um batismo de fato diante de um número. Até porque, além do Ora 5, temos ainda um carro da Omoda e outro da Jaecoo cujo nome é simplesmente 5.
A GAC tenta seguir pela mesma lógica da GWM com linhas separadas. Temos os SUVs da linha GS, com GS3 e GS4. Os elétricos de volume Aion são formados pelos modelos V, Y, UT e ES, cujos nomes facilmente confundem muita gente. Temos também os Hyptec, por enquanto somente com o HT.
![GAC GS4 Elite [Auto+ / João Brigato]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2025/10/gac-gs4-elite-17-1320x743.webp)
Quando não temos nomes compostos apenas por números, alguma sigla aparece junto sem grande expressividade. É o caso da Geely, que tem EX2 e EX5. Só que EX poderia ser usado para um SUV, por exemplo, como acontece com os SUVs elétricos da Volvo. Mas o EX2 é um hatch compacto.
Na CAOA Changan, temos os SUVs das linhas CS e Uni, sendo que no Brasil temos apenas CS55, CS75 e Uni-T. A CAOA Chery até usa nomes, mas todos os seus modelos são Tiggo, diferenciados pelo número que vem depois, que pode ser 5X, 7 ou 8. Isso quando o sistema de nomes ainda tem uma lógica.

Porque na Zeekr, por exemplo, a marca tem o 001, o X e o 7X, mas também vai trazer a perua 007 GT para o Brasil. Qual a lógica? Nem mesmo a dona da marca sabe mais.
Tem a questão BYD
Talvez a única que se salve dessa lógica seja a BYD. A marca tem carros com nomes de verdade como Dolphin, Han, Tan, Shark e por aí vai. Mas ela mesma faz confusão ao criar modelos como Song Plus e Song Pro, que são dois modelos completamente diferentes e que mudam apenas o sobrenome.

E, ao que tudo indica, a lógica também ficará confusa agora que ela tem o Atto 8 e o Atto 2, sendo que o último é a versão híbrida do Yuan Pro. Temos também Dolphin e Dolphin Mini, mas em breve o Dolphin G. Ou seja, mesmo com nomes, ela os repete incansavelmente e cria uma segunda confusão.
Você entende a lógica dos nomes dos carros chineses? Conte nos comentários.
![Omoda 5 Prestige [Auto+ / João Brigato]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/05/omoda-5-prestige-22-1320x743.webp)
