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Sport e Cross: como as marcas banalizaram os nomes dos SUVs

Entenda como as montadoras transformaram os termos Cross e Sport em verdadeiros curingas de marketing para batizar novos SUVs

5 min de leitura

O crescimento explosivo dos SUVs nos últimos anos gerou uma padronização visual e de nomes na indústria. Para além das siglas tradicionais, duas palavras específicas se tornaram verdadeiros curingas nos departamentos de marketing: Cross e Sport. Aliás, o fenômeno virou uma tendência tão forte que acabou desgastando o significado original desses termos.

A banalização é nítida. Sobretudo, o termo Cross, que antes batizava hatches aventureiros com adereços de plástico, virou sobrenome obrigatório para utilitários derivados de carros de passeio. Já a palavra Sport ganhou uma função puramente comercial, servindo para batizar variantes menores ou mais baratas de SUVs que já faziam sucesso no mercado.

Jeep Compass Sport azul jazz de frente em um gramado
Jeep Compass Sport [Auto+ / João Brigato]

Honda e a linha Cross

A tendência de usar o sobrenome Cross não é nova e começou com a Honda na década de 1990. Portanto, o pioneiro foi o Crossroad, que nada mais era do que uma versão japonesa da primeira geração do Land Rover Discovery. Anos depois, a marca ressuscitou o batismo em um crossover compacto exclusivo para o mercado japonês.

O fabricante japonês insistiu na receita em 2010 com o polêmico Crosstour, derivado direto do Accord. O modelo tentou antecipar a onda dos SUVs cupê, mas o visual exótico não agradou e as vendas não foram boas. Foi o primeiro sinal de que o público nem sempre comprava a ideia de um carro comum esticado com sobrenome aventureiro.

Nomes de SUVs: a avalanche Cross japonesa

Já o uso do termo Cross virou uma mania generalizada entre as marcas asiáticas. Entretanto, a Toyota liderou o movimento global ao criar o Corolla Cross e o Yaris Cross, expandindo suas famílias de maior sucesso. A Suzuki seguiu o mesmo caminho com o S-Cross e o Across, este último sendo apenas um RAV4 reestilizado.

O caso mais polêmico dessa safra pertence à Mitsubishi, que resgatou o icônico nome do cupê esportivo Eclipse e o transformou no SUV Eclipse Cross. Contudo, a Subaru também entrou na onda com o Crosstrek, mantendo a tradição de dar uma roupagem mais robusta para a plataforma do hatch Impreza.

Mitsubishi Eclipse Cross Black [divulgação]
Mitsubishi Eclipse Cross Black [Divulgação]

As marcas europeias no Cross

Fora do Japão, as montadoras europeias pegaram carona na mesma estratégia para posicionar seus novos produtos. A Volkswagen, que historicamente adota a letra T para batizar seus utilitários, abriu uma exceção de mercado e adicionou o termo Cross para dar vida ao T-Cross, o primeiro SUV derivado do Polo.

O grupo francês PSA também abusou da nomenclatura em suas diferentes divisões de luxo e volume. A Citroën adotou o sobrenome Aircross para sua linha de crossovers compactos, enquanto a DS usou a grife Crossback para identificar seus utilitários premium. Até a Opel seguiu a cartilha ao lançar o Crossland.

Citroën Aircross XTR [Auto+ / João Brigato]
Citroën Aircross XTR [Auto+ / João Brigato]

Nomes de SUVs: Land Rover e a origem do Sport

Enquanto a palavra Cross serve para rebatizar projetos derivados, o termo Sport assumiu uma função bem diferente no segmento. Com raras exceções onde o termo faz parte do nome original, a indústria passou a usar a palavra para sinalizar que aquele SUV é uma versão menor e mais acessível de um topo de linha.

A estratégia foi inaugurada pela Land Rover ao lançar o Range Rover Sport como um irmão menor e mais dinâmico do sofisticado Range Rover Vogue. A marca britânica gostou tanto do resultado comercial que repetiu a dose exata anos depois, criando o Discovery Sport para atuar logo abaixo do Discovery Full.

Ford e Mitsubishi na onda Sport

A Ford aplicou o mesmo conceito recentemente ao trazer o Bronco Sport para o mercado global. O modelo foi desenvolvido como uma alternativa menor, urbana e com construção monobloco, diferenciando-se totalmente do Bronco “raiz”, que mantém a concepção de chassi e foco extremo no off-road pesado.

A Mitsubishi tem um histórico longo com essa tática, vide o Pajero Sport, que sempre foi um derivado direto da picape L200 e menor que o Pajero Full. A marca repetiu a dose ao criar o Outlander Sport, um nome alternativo para o veterano ASX que não compartilhava absolutamente nada com o Outlander original além do logotipo.

Ford Bronco Sport Badlands azul parado de dianteira com as rodas dianteiras esterçadas
Ford Bronco Sport Badlands [Auto + / Rafael Pocci Déa]

Nissan e a estratégia Rogue Sport

A Nissan levou essa lógica de redução de porte ao limite no mercado norte-americano com a linha Rogue. Para preencher uma lacuna nos concessionários sem gastar com o desenvolvimento de um produto inédito, a marca simplesmente pegou o SUV compacto europeu Qashqai e o rebatizou como Rogue Sport nos EUA.

Na prática, o modelo menor não tinha nenhuma relação mecânica ou visual com o Rogue tradicional de tamanho médio. A estratégia funcionou comercialmente por anos, provando que o cliente de SUV muitas vezes se atrai mais pelo sobrenome famoso na traseira do que pelo projeto em si.

E você, qual marca soube usar melhor esses sobrenomes e qual acabou estragando um carro com eles? Escreva nos comentários.

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João Brigato

Formado em jornalismo e design de produto, é apaixonado por carros desde que aprendeu a falar e andar. Tentou ser designer automotivo, mas percebeu que a comunicação e o jornalismo eram sua verdadeira paixão. Dono de um Jeep Renegade Sem Nome, até hoje se arrepende de ter vendido seu Volkswagen up! TSI.

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