A BYD decidiu mexer justamente no carro que virou símbolo da popularização dos elétricos — o Dolphin Mini, conhecido na China como Seagull, acaba de receber a linha 2026 com tecnologia vista só em carros de luxo acima dos R$ 500 mil. O hatch compacto agora pode ser equipado com sensor LiDAR, equipamento considerado hoje uma das soluções mais avançadas para sistemas de assistência à condução.
Curiosamente a BMW e Mercedes-Benz abandonaram recentemente o uso dessa tecnologia em alguns de seus carros mais sofisticados devido ao alto custo de implementação. Enquanto isso, a fabricante chinesa colocou o equipamento em um hatch elétrico vendido por cerca de 69.900 a 85.900 yuans, algo entre R$ 50,3 mil e R$ 61,8 mil em conversão direta.
Na prática, a BYD tenta responder rapidamente ao crescimento do Geely EX2 no mercado chinês. O rival começou a roubar espaço justamente no segmento dos elétricos compactos urbanos, obrigando a marca chinesa a mudar rapidamente o hatch compacto para manter o carro competitivo no maior mercado de elétricos do planeta.
O que é o LiDAR

Apesar de muita gente associar condução semiautônoma apenas às câmeras, o LiDAR é uma peça-chave nos sistemas mais sofisticados do setor. O nome vem de Light Detection and Ranging, tecnologia que usa feixes de laser para mapear o ambiente em três dimensões.
Diferente de uma câmera tradicional, o LiDAR consegue medir profundidade e distância com muito mais precisão, inclusive em situações de baixa luminosidade, chuva, neblina ou obstáculos pouco visíveis. Ele também trabalha em conjunto com radares e câmeras para criar uma leitura mais detalhada do ambiente ao redor do veículo.

É justamente por isso que boa parte da indústria considera o sistema superior ao uso exclusivo de câmeras. No Dolphin Mini 2026, o sensor aparece instalado no teto, em um módulo bem visível.
Como funciona o sistema God’s Eye da BYD
A novidade faz parte do pacote God’s Eye B, também chamado de DiPilot 300, que representa o sistema intermediário de assistência à condução da BYD. A marca chinesa criou três níveis diferentes de tecnologia para seus carros eletrificados.

O primeiro é o God’s Eye C, conhecido como DiPilot 100. Ele equipa modelos mais acessíveis da fabricante e trabalha sem LiDAR, usando 12 câmeras, cinco radares de ondas milimétricas e 12 sensores ultrassônicos.
Nesse caso, o objetivo fica mais em condução assistida em rodovias, manutenção em faixa, frenagem automática e estacionamento automático, como vemos por exemplo nos modelos atuais à venda no Brasil — Song Pro/Plus, King, Seal, entre outros modelos.

Já o novo God’s Eye B, presente no Dolphin Mini chinês, adiciona um sensor LiDAR ao conjunto e aumenta drasticamente a capacidade de leitura do ambiente. O sistema usa chip Nvidia Orin-X e permite funções mais interessantes, como navegação assistida em ambiente urbano, desvio de obstáculos, leitura de semáforos e uma direção mais refinada.
Acima dele existe ainda o God’s Eye A, chamado de DiPilot 600, usado nos modelos mais caros da Yangwang. Nesse caso, o conjunto utiliza até três sensores LiDAR e tem um refinamento em condução ainda maior.

Porém esse equipamento é um item opcional que encarece mais o modelo. Na China, adicionar o pacote aumenta o preço do Dolphin Mini para 97.900 yuans, cerca R$ 70 mil em conversão direta. Vale lembrar que o nosso Dolphin Mini brasileiro só conta com piloto automático comum, sem ser o adaptativo mais sofisticado.
Interior recebeu melhroias
Além do novo pacote de assistência, o hatch elétrico recebeu melhorias no interior. A central multimídia antiga de 8,8 polegadas saiu de cena e deu lugar ao novo sistema DiLink 150 com tela de 12,8 polegadas.

O compacto também ganhou carregador de celular por indução de 50 W, banco do motorista com ajuste elétrico em seis posições, chave NFC e até aquecimento dos bancos dianteiros em algumas versões.
Mecânica segue praticamente igual
Embora tenhámos melhorias, a parte mecânica permanece com o motor motor elétrico de 75 cv e 13,8 kgfm de torque. As baterias continuam com opções de 30,1 kWh e 38,9 kWh, entregando autonomia de até 405 km no ciclo chinês CLTC.

Também não houve alterações significativas na estrutura do hatch compacto, que permanece com os 3,78 metros de comprimento, 1,71 m de largura (sem retrovisores), 1,58 m de altura e 2,50 m de entre-eixos. O porta-malas possui 230 litros de capacidade.
E o Brasil?
Por enquanto, a novidade não virá ao Brasil. Isso porque o Dolphin Mini continua vendendo muito bem por aqui e a BYD já monta o modelo em Camaçari (BA). Além disso, a marca já mostrou que costuma simplificar algumas atualizações globais antes de trazer os carros para o mercado brasileiro.

No caso, a própria reestilização recente do Dolphin Mini é um exemplo disso. Na China, o modelo ganhou mudanças mais perceptíveis no para-choque dianteiro e traseiro, além de novos recortes visuais.
Aqui, a atualização ficou restrita às rodas redesenhadas, nova tonalidade azul e substituição da inscrição Build Your Dreams pelas letras BYD na traseira. O hatch também recebeu um pequeno acerto de suspensão.

Ainda assim, não seria surpresa ver mudanças em um futuro próximo tomando em conta que o Geely EX2 já começou a incomodar o Dolphin Mini no Brasil, enquanto o futuro GAC Aion UT promete aumentar ainda mais a pressão nesse segmento.
E você, gostaria de ver o novo B YD Dolphin Mini no Brasil? Deixe seu comentário!


