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Ford Ranger Black: urbana, elegante e bom custo-benefício | Avaliação

Custo-benefício matador contra as picapes médias flex faz da Ford Ranger Black uma ótima alternativa para quem fará um upgrade de um sedã ou SUV
Ford Ranger Black [Auto+ / João Brigato]
Ford Ranger Black [Auto+ / João Brigato]

Se hoje o mundo é dos SUVs, amanhã será das picapes. E a Ford sabe disso. Tanto que decidiu investir somente nesses segmentos no Brasil e no mundo inteiro. Mas se antes as picapes médias eram veículos para a terra e para o trabalho, hoje em dia muito dono de sedã e de SUVs está migrando para elas. E é aí que a Ford Ranger Black entra.

Ela não é uma picape pensada para o off-road, como a Storm, ou para o trabalho, como as versões XL. O objetivo da Ford com a Ranger Black é atrair os donos de sedãs e de SUVs que querem dar o próximo passo na vida. Ou seja, entrar no mundo das picapes. Por R$ 179.900, ela mira nas rivais flex e também na Fiat Toro diesel.

Ford Ranger Black [Auto+ / João Brigato]
Ford Ranger Black [Auto+ / João Brigato]

Custo-benefício

Não há duvidas de que, entre todas as versões da Ranger, a Black é a que traz o melhor custo-benefício. Ela é equipada na medida certa e tem bom conjunto mecânico. Tudo foi pensado para o público urbano que migrará das versões topo de linha de SUVs e sedãs médios para a grandalhona com caçamba.

De série, a Black vem equipada com ar-condicionado digital de duas zonas, bancos revestidos em couro, câmera e sensor de ré, central multimídia com Android Auto e Apple CarPlay, retrovisores elétricos, vidros elétricos, direção com assistência elétrica e seis airbags. Se tivesse sensor de chuva e farol, teria o pacote perfeito.

Ford Ranger Black [Auto+ / João Brigato]
Ford Ranger Black [Auto+ / João Brigato]
Como diferencial visual, a Ranger Black se apresenta somente com carroceria pintada em preto perolizado. O tom escurecido é usado também nas rodas de liga-leve de 18 polegadas, grade frontal e até para-choque traseiro. Destaque também para o rack de teto e santantônio plástico antes restritos somente à Ranger Limited de mais de R$ 200 mil.

Turma do Toyota Corolla

Para aqueles que estão saindo dos sedãs médios, sentirão falta de um acabamento mais esmerado. O da Ranger está longe de ser ruim, mas não há superfícies macias além dos locais em que os braços se apoiam. Os encaixes são bem feitos, mas ela conta somente com plástico duro com texturas diferentes.

Ford Ranger Black [Auto+ / João Brigato]
Ford Ranger Black [Auto+ / João Brigato]
É uma aplicação comum em sua categoria, sendo a cabine da Ranger uma das mais bem resolvidas visualmente, mas está longe do acabamento que um Focus Fastback tinha ou que possui o Toyota Corolla. Ela ganha pontos em sofisticação com a presença de couro acolchoado no volante. Além disso, o couro preto nos bancos transmite sofisticação.

A Ford Ranger se destaca de suas rivais por conta do painel de instrumentos parcialmente digital. A tela da esquerda concentra todas as informações necessárias, incluindo conta-giros e velocímetro digital. Já a da direta replica poucas informações que são vistas na própria central multimídia – o que a torna bem inútil.

Por falar em central multimídia, ela conta com Android Auto e Apple CarPlay. Tem certa lentidão no funcionamento, mas a tela é de qualidade. Os menus são de fácil utilização e dispõe de diversos recursos. Conectada, a Ranger Black pode ser controlada pelo smartphone graças ao sistema Ford PassConnect.

No quesito espeço interno, a Ranger é bem servida. Quem se senta atrás não reclama de falta de espaço para as pernas e nem para os ombros. Já o motorista encontra boa variação de ajuste de altura para o banco. Mas o volante sem ajuste de profundidade é uma falha grave para um carro tão caro.

[Auto+ / João Brigato]
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Outra mancada, essa repetida pela Ranger Storm, é a falta de proteção na caçamba. A Ranger Black não dispõe de capota marítima ou protetor de caçamba, o que faz com que qualquer coisa deixada lá atrás risque a pintura ou esteja sujeita às intemperes da natureza.

Sem tempestade

Quando a Ranger Storm foi lançada há cerca de um ano, ela era a campeã do custo-benefício por trazer motor diesel cinco cilindros. O tempo passou e o preço subiu, fazendo com que a Ranger Black agora seja o modelo com melhor relação entre o que se paga e o que é entregue. Ainda que não tenha o motor mais potente, nem tração 4×4.

Ford Ranger Black [Auto+ / João Brigato]
Ford Ranger Black [Auto+ / João Brigato]
Debaixo do capô fica um motor 2.2 quatro cilindros turbo diesel de 160 cv e 39,2 kgfm de torque. Pode parecer pouco para o mundo das picapes de 200 cv, mas a Ranger Black da conta. Não há falta de potência ou de torque em ambientes urbanos. Como o torque chega cedo, a picape dispara no sinal sem a menor dificuldade.

Para aproveitar melhor a disposição do motor 2.2, a Ranger segura as primeiras marchas um pouco mais do que deveria. Ainda assim, tem trocas extremamente suaves, tanto ascendentes quanto descendentes. Um belo trabalho da transmissão automática de seis marchas que, no segmento das picapes médias, está entre as melhores.

Ford Ranger Black [Auto+ / João Brigato]
Ford Ranger Black [Auto+ / João Brigato]
Na estrada, a Ranger Black precisa de um pouco mais de paciência para as ultrapassagens. Por conta do motor menor, ela tem torque para vencer rápido um obstáculo, mas faltava um pouquinho a mais de fôlego para desenvolver em altas velocidades. Ainda assim, para uma brutamontes de duas toneladas, o motor é mais que suficiente.

Obstáculos urbanos

Para a Ranger Black, a Ford adotou um novo layout de suspensão com molas mais macias. O objetivo era aproximar a picape do ambiente urbano, onde a Volkswagen Amarok é referência. De fato essa versão pula menos que as outras. Mas ainda assim é um modelo de carroceria sob chassi.

Ford Ranger Black [Auto+ / João Brigato]
Ford Ranger Black [Auto+ / João Brigato]
Ou seja, irregularidades no asfalto urbano farão com que a Ranger Black chacoalhe mais que um carro monobloco. Ainda assim, ela se mostrou surpreendentemente comportada e mais rígida que a maioria das suas rivais. Pneus de asfalto também contribuem para isso. Além disso, a Ranger faz curvas em velocidade mais alta com mais precisão.

Já a estrada se mostrou o verdadeiro habitat da picape média da Ford. Com médias de consumo acima de 12 km/l e um rodar suave, ela é companheira para muitos quilômetros. A carroceria se mantém estável e com poucas ondulações. Só poderia ter uma direção um pouco mais firme.

Ford Ranger Black [Auto+ / João Brigato]
Ford Ranger Black [Auto+ / João Brigato]
Com assistência elétrica, a direção da Ranger Black é ótima para o ambiente urbano. É rápida na atuação e exige pouco esforço nas manobras. Contudo, em altas velocidades, fica demasiadamente leve e anestesiada. Qualquer menor superfície irregular já joga o volante para um dos lados, o que causa certa insegurança.

Veredicto

Aqui no Brasil, é praticamente mandatório que uma picape tenha motor diesel. Versões flex de rivais como Chevrolet S10 e Toyota Hilux só estão aí para baixar o preço de entrada. Mas pagam o preço por serem gastonas e não terem tanto força quanto suas equivalentes diesel.

Ford Ranger Black [Auto+ / João Brigato]
Ford Ranger Black [Auto+ / João Brigato]
Por esse motivo, a Ford Ranger Black se mostra tão sedutora. É a versão certa para quem não precisa do 4×4 e vai rodar somente na cidade. Ela traz motor diesel econômico e bastante capaz, ainda que não seja referência em potência na categoria. A lista de itens de série é bem servida e a convivência urbana é tranquila, apesar de seu tamanho abrutalhado.

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Sobre o autor

João Brigato

5 Comentários

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  • Depois do que fez a Ford não tem mesmo vergonha de continuar vendendo aqui? Fora Fordesmanche !! Brasileiro não é tão trouxa como você imagina. Temos empresas concorrentes investindo aqui, gerando empregos e recursos com suas fábricas apostando no Brasil, e não só querendo tirar nosso dinheiro e levar para os gringos.
    Autorizadas já começaram a fechar, e logo não vai sobrar nada da Ford aqui senão a vergonha de uma marca.

  • O problema hoje é a confiança na marca que foi duramente abalada depois que fechou as suas fábricas aqui, gerando desemprego e crises sem se importar com um mercado que a mantinha em posição privilegiada.
    Nunca deu uma solução para os problemáticos câmbios powershift nem para os conhecidos defeitos crônicos da Ranger que nasceram com ela lá em 2012/13.
    No mundo todo está fechando fábricas, e mesmo na Argentina tem demitido e mostrado sinais de fragilidade comercial e industrial.
    Com o fechamento das concessionárias no país e a paralisação de fabricação de peças originais, logo teremos um parque de Rangers sucateadas e desvalorizadas.
    Como disse o leitor aí, temos opções melhores e mais confiáveis. A Ford fechou o seu ciclo no Brasil.

  • João, eu já tive Ranger, mas não foi uma experiência muito positiva. Ela e a Amarok só me deram problemas e sei que isso é muito mais comum nelas quando comparadas aos modelos japoneses.
    Eu acho que a Ford abandonou muito o mercado brasileiro. Estive nos Estados Unidos e a Ranger deles não tem nada a ver com a nossa. Usam motores biturbos interessantes e são bem robustas.
    Eu hoje iria de L200 ou Frontier, e se fosse mais barata e não tão roubada até a Hilux eu escolheria.
    Parabéns pelo artigo !

  • Bem verdade q as camionetes são lindas ,porém deixou a Brasil …e é lamentável oq a Ford fez cm Brasil … desempregados,carros q vão perdendo o valor e agora fazer ranger e bronco ambos caríssimos …podia ir embora e indenizar o povo brasileiro

  • Não entendo o porquê de matérias que criticam o tamanho de picapes. Observei que esse site sempre adjetiva pejorativamente as picapes com relação ao tamanho. Na verdade, quem compra camionete não está preocupado com as proporções do veículo, até porque isso não o incomoda. Quem se incomoda com isso, compra um Fiat Mobi ou outra porcaria do gênero.
    Picape é um veículo para quem gosta ou precisa para o trabalho, não sendo cabíveis críticas desse tipo.