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Ford Ranger Storm é custo benefício para estrada e terra – Avaliação

Intermediária na linha, Ford Ranger Storm entrega o melhor conjunto mecânico (3.2 diesel 4×4) com lista de equipamentos justa na categoria
Ford Ranger Storm [Auto+ / João Brigato]
Ford Ranger Storm [Auto+ / João Brigato]

Ganhando terrenos lentamente a cada mês, a Ford Ranger aposta em uma diretriz diferente de suas rivais. Tem apenas motores diesel e tecnologias dignas de carros de passeio com preço equivalente. Mas a estrela da gama está na Ranger Storm.

Depois dos SUVs, as picapes foram a categoria que mais ganhou terreno nos últimos anos – tanto no quesito tamanho quanto no volume de mercado. Grandes, robustas e caras, elas fazem parte de um dos mais concorridos segmentos, que têm na Toyota Hilux e Chevrolet S10 como suas líderes, além da Ranger logo na cola.

Ford Ranger Storm [Auto+ / João Brigato]
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Conta que fecha

Por R$ 185.790, a Ford Ranger Storm é a mais barata da gama com o motor 3.2 Duratorq cinco cilindros turbo diesel. Ele entrega 200 cv, dentro da média da categoria, e torque de 47,9 kgfm, um pouco abaixo do da Chevrolet S10.

A vantagem da Ranger Storm é cobrar pouco pelo conjunto que entrega. Com preço semelhante, não há versão da Volkswagen Amarok disponível, a Chevrolet S10 tem equivalente somente com motor flex e a Toyota Hilux pelo mesmo valor é completamente básica. Há apenas a Nissan Frontier Attack custando o mesmo e também com visual aventureiro.

Ford Ranger Storm [Auto+ / João Brigato]
Ford Ranger Storm [Auto+ / João Brigato]
De série, ela vem equipada com retrovisores elétricos, vidros elétricos nas quatro portas com função um toque para o motorista, ar-condicionado digital de duas zonas, direção elétrica com ajuste de altura, central multimídia com Android Auto e Apple CarPlay.

Além disso ainda vem com faróis de neblina, bancos revestidos de tecido, chave canivete com alarme, sete airbags, controle de tração e estabilidade, sensor de ré e câmera de ré. Sem luxos, apenas o que é estritamente necessário. Não sentirá falta de equipamentos, garanto.

Ford Ranger Storm [Auto+ / João Brigato)
Ford Ranger Storm [Auto+ / João Brigato)

Além das aparências

Um dos grandes chamarizes da Ford Ranger Storm é o visual mais parrudo. Ela traz para-lamas alargados, rodas de liga-leve pretas, santantônio de ferro, grade frontal diferenciada, adesivos na lateral e capô, além de faróis escurecidos.

Isso tudo é acompanhado por pneus de uso misto Pirelli Scorpion AT Plus 265/65 R17 que auxiliam a picape no off-road. Durante o teste, levei a Ranger a diversas situações fora de estrada. Ela rodou mais de 80 km em terra batida e também encarou algumas trilhas.

Ford Ranger Storm [Auto+ / João Brigato)
Ford Ranger Storm [Auto+ / João Brigato)
Mostrando sua robustez, a picape média encarou com tranquilidade o chão de terra, rodando lisa e sem vibrações mesmo em alta velocidade. A Ranger mostrou valentia na suspensão, que trabalha sem barulhos e com maciez elogiável.

Em terrenos mais acidentados onde a tração 4×4 entrou em ação, a Ranger Storm mostrou todos os seus atributos para sair de locais mais difíceis. O controle de tração segura muitas deslizadas da traseira, ao mesmo tempo em que ela transmite confiança para encarar a buraqueira sem medo.

Ford Ranger Storm [Auto+ / João Brigato)
Ford Ranger Storm [Auto+ / João Brigato)
Mesmo em alta velocidade, onde a carroceria tende a ficar mais sensível à qualquer tipo de relevo, a Ranger se manteve estável e transmitiu robustez. Deixando claro que sua aptidão off-road também existe.

Um dos destaques vai para o controle automático de decida, que acelera e freia a Ranger sozinho dentro de uma velocidade programada. Assim, o motorista precisa se preocupar somente com o volante e com a trajetória à frente.

[Auto+ / João Brigato)
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Hit the road Jack!

Por conta do tanque de 80 litros, a Ford Ranger também é uma boa companheira de estrada. Ela conseguiu consumo melhor que o divulgado na rodovia durante os testes: 12 km/l contra 9,4 km/l do divulgado oficialmente.

A Ranger Storm se provou estradeira, apesar do ruído acentuado do pneu de uso misto – um preço a se pagar por ter capacidade off-road. Entre as picapes médias ela é uma das que menos tem comportamento saltitante.

Ford Ranger Storm [Auto+ / João Brigato)
Ford Ranger Storm [Auto+ / João Brigato)
Além disso, não passa tanto a sensação de ser um trambolho como suas rivais. Isso não quer dizer que ela não seja um trambolho. Afinal, com 5,35 m de comprimento, 1,86 m de largura e 1,82 m de altura, ela é grande. Mas estacionou na minha apertada garagem mais fácil que a Chevrolet S10, isso porque ela não tem sensor de estacionamento dianteiro como a rival na versão avaliada.

O capô mais inclinado e os retrovisores com tamanho de televisão de tubo ajudam na manobrabilidade da picape Ford. Aliado a isso o ótimo raio de giro, fazem dela uma picape amiga do ambiente asfaltado.

[Auto+ / João Brigato)
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Na cidade o câmbio automático de seis marchas trabalha com suavidade. Mas há um aspecto notável. Para reduzir vibrações, ela desacopla do motor. Quando o motorista acelera, o acoplamento faz com que ela parta da inércia como em um pulo, mostrando já de cara a sua força.

A carroceria inclina bem em curvas por conta da altura elevada da suspensão, mas nada perigoso. A Ranger transmite confiança ao volante e controle. É nessa situação que a picape da Ford mostra que é versátil para a terra e para o asfalto, diferentemente de algumas de suas rivais que são boas somente em um desses tipos de terreno.

[Auto+ / João Brigato)
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Céu fechado

A direção é extremamente leve e grande, com comandos por todos os lados, o que facilita a vida do motorista. De cada lado há comandos para as duas telas do painel de instrumentos. A da esquerda concentra conta-giros, marcador de combustível e computador de bordo.

Já a da direita é meio inútil, pois replica informações de entretenimento e celular da central multimídia. Entre os mimos há um porta-objetos enorme no descansa-braço (feito de um desconfortável plástico duro) com direito a refrigeração.

Ainda na parte de tecnologia, a Ranger tem central multimídia com tela de boa definição e bem posicionada. Com Android Auto, ela se da bem e é veloz. Contudo, seus menus já estão datados e as animações usadas fazem com que ela pareça lenta, algo que não é. Ainda assim, é uma central boa.

Mas a Ranger tem seus pecados. A direção ajusta somente em altura, não em profundidade. O banco do passageiro é alto em demasia, fazendo com que pessoas altas quase raspem a cabeça no teto. Além disso, ela não tem proteção para a caçamba nem capota marítima.

[Auto+ / João Brigato)
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Além de fazer gastar mais combustível por conta da aerodinâmica, a capota marítima protege os objetos contidos na caçamba. Por sua vez, a ausência de qualquer tipo de proteção no piso e laterais torna qualquer objeto mínimo colocado ali motivo de riscos à pintura irreversivelmente.

Veredicto

Custo-benefício é a grande arma da Ranger Storm em todos os sentidos. Ela é uma das raras picapes médias que é igualmente boa em asfalto e em terra. Não é a melhor do off-road ou a mais estradeira, mas vai além de ser simplesmente boa em ambas as situações para ser uma alternativa mais versátil que as rivais.

Ford Ranger Storm [Auto+ / João Brigato)
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Tem lista de equipamentos justa, onde apenas as proteções para a caçamba se fazem sentir falta – mas é algo facilmente resolvível na concessionária. Por R$ 185.790 não é somente uma das mais interessantes opções entre as picapes médias, como é a versão com melhor conjunto dentro da família Ranger.

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João Brigato

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