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BAIC vem ao Brasil com estratégia da GWM e promete liderança

Executivo responsável pela vinda da GWM ao Brasil assume a BAIC, e marca chinesa vai repetir a estratégia da rival

6 min de leitura

Estamos vendo uma verdadeira invasão de marcas chinesas no Brasil nos últimos tempos. Mas duas montadoras praticamente criaram as regras de como iniciar suas operações no nosso mercado: GWM e BYD. De olho nisso, a BAIC anunciou sua chegada ao país apostando em uma estratégia muito parecida com a da fabricante do Haval H6.

Para isso, a BAIC convocou Oswaldo Ramos para ser o COO (Chief Operating Officer) da operação brasileira. O executivo foi o mesmo que estruturou e operou a GWM em seus primeiros anos. Agora, ele promete mudanças fortes nos produtos da marca para o mercado nacional, além de foco intenso em pós-venda e concessionárias, seguindo uma estratégia semelhante à que adotou anteriormente.

Por aqui, serão três marcas: BAIC, Arcfox e Stelato. Entretanto, a última só chegará dentro de dois anos, já que atua no segmento de luxo. Vale lembrar que a Stellato nasceu de uma parceria com a Huawei, que também trabalha com a Chery no desenvolvimento da Luxeed, já confirmada para o Brasil no ano que vem.

Stelato S9 [divulgação]
Stelato S9 [divulgação]

O primeiro modelo será o Arcfox T1, um hatch compacto elétrico teoricamente feito para brigar com BYD Dolphin, Geely EX2, GAC Aion UT e Dongfeng Box. Entretanto, a BAIC quer que o modelo se torne uma alternativa aos carros a combustão. Durante a apresentação, a marca revelou que ele ficará posicionado entre os SUVs subcompactos e os SUVs compactos.

BAIC quer colocar Arcfox T1 contra Tera e Creta

A ideia da BAIC é que o T1 concorra com Volkswagen Tera e Jeep Avenger e, ao mesmo tempo, ataque Jeep Renegade, Volkswagen T-Cross e Hyundai Creta. Até o Hyundai i20, que é um hatch compacto, entrou na lista. Curiosamente, a marca não citou seus concorrentes mais diretos, que são justamente os outros hatches elétricos.

BAIC Arcfox T1 rosa parado de frente
BAIC Arcfox T1 [Divulgação]

O Arcfox T1 tem versões de 95 cv ou 129 cv, sempre com tração dianteira, e recebeu recentemente uma reestilização na China. A autonomia varia entre 320 km na versão com bateria de 33,4 kWh e 425 km na variante com conjunto de 42,3 kWh. A BAIC ainda não revelou qual delas venderá no Brasil.

O primeiro lote já está no país, com vendas previstas para outubro e entregas a partir de novembro. A marca também adaptou o carro para as necessidades do mercado brasileiro.

Inclusive, a BAIC diz que chamará seus modelos de crossovers porque o brasileiro tem ranço de chamar de SUV um carro que não é SUV. Ainda que o Arcfox T1 também não seja exatamente um crossover, mas sim um hatch. Já o T5, que ocupará o topo da linha Arcfox, é um SUV de fato.

Ele conta com 660 km de autonomia totalmente elétrica na variante divulgada para o Brasil. Na China, contudo, existe uma versão REEV capaz de superar 1.000 km com um tanque e as baterias cheios. Além disso, o SUV traz sistema de direção autônoma já regularizado na China. No Brasil, porém, ainda existe a dúvida sobre a habilitação desse recurso.

BAIC Arcfox T5 [divulgação]
BAIC Arcfox T5 [divulgação]

Seu porte se aproxima do GWM Haval H6, embora ele seja um pouco mais baixo e largo, ganhando aspecto mais esportivo. O Arcfox T5 já está em processo de homologação para o mercado brasileiro. Entretanto, a BAIC promete alterações no modelo para atender ao gosto nacional.

“Não vamos brigar com BYD. Vamos convencer o cara do carro a combustão a ir para o carro elétrico. E por que ele ainda não foi? Porque ou a marca não convenceu, ou porque as montadoras tradicionais fazem carros parecendo um carro brinquedo de borracha. O consumidor quer carro de verdade. E nós temos”, provoca Oswaldo.

Arcfox T1 será adaptado ao mercado brasileiro

“Suspensão, calibração, direção, software em português, Apple CarPlay sem fio, estepe, sugestão que deram e aderiram, tudo alinhado para o mercado brasileiro”, afirma Oswaldo Ramos sobre as mudanças feitas nos modelos da BAIC para o nosso país.

Inclusive, essa estratégia, aplicada anteriormente na GWM, será repetida pela BAIC. A marca promete lançar 10 carros no Brasil até o fim de 2028. Em 2026, teremos o Arcfox T1 e mais um modelo. Já em 2027 chegam o BAIC B30, mais dois SUVs e uma caminhonete.

BAIC B30 [divulgação]

Em 2028, estreia o X55, já com motor flex, além de mais cinco carros ainda não divulgados. O Arcfox T5, por sua vez, ainda não teve a data de lançamento confirmada.

Pós-venda e rede de concessionárias serão prioridade

“Um bom pós-venda é não faltar peça. Então, antes dos carros chegarem, já estamos importando as peças. 97% das peças críticas vão ficar disponíveis. A Foton Caminhões já tem galpões e terá esse sistema”, explicou Oswaldo. Para sustentar a operação, a marca já garantiu que terá 150 concessionárias até o fim de 2028.

BAIC Beijing X55 [divulgação]
BAIC X55 [divulgação]

“A rede já está em treinamento agora em outubro, querendo entender os consumidores, ler o que falam nas redes sociais, interagir e entender a demanda dos clientes e entregar uma rede de primeira linha para dar um serviço diferenciado”, disse Oswaldo Ramos durante a coletiva de imprensa.

Além disso, a BAIC pretende produzir carros no Brasil. “No Brasil você pode alugar, pode comprar e pode fazer do zero uma fábrica. Mas já temos um plano. Não será CKD, SKD, será importar peça a peça para usar componentes corretos em escala. Em breve faremos anúncio de estratégia e localização”, revelou Oswaldo Ramos.

Outro objetivo da operação brasileira é transformar o país no maior mercado da BAIC fora da China. Além disso, a empresa quer conquistar espaço entre as principais montadoras brasileiras. “Não gosto de falar quantos carros quero vender. Mas, olhando esse investimento todo, em 2028 queremos estar entre as 10 montadoras que mais vendem e, em 2030, entre as 5 que mais vendem”, disse Oswaldo.

Você teria um carro da BAIC? Conte nos comentários.

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João Brigato

Formado em jornalismo e design de produto, é apaixonado por carros desde que aprendeu a falar e andar. Tentou ser designer automotivo, mas percebeu que a comunicação e o jornalismo eram sua verdadeira paixão. Dono de um Jeep Renegade Sem Nome, até hoje se arrepende de ter vendido seu Volkswagen up! TSI.

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