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Acertadinho!

MG4 Urban é o elétrico chinês com menos jeito de chinês | Impressões

Novo hatch elétrico da MG chega por R$ 129.990, encara BYD Dolphin, GWM Ora 03 e Geely EX2 e mostra bom acerto 

12 min de leitura

O MG4 Urban chega ao Brasil para disputar espaço com BYD Dolphin, Dolphin Mini, GWM Ora 03, Geely EX2 e GAC Aion UT. Todos apostam em uma fórmula parecida, com muita tecnologia, bom pacote de equipamentos e preços agressivos, mas também carregam características dinâmicas que ainda causam certo estranhamento. Felizmente, esse não é o caso do novo elétrico da MG.

Quem abandona as marcas tradicionais em troca dos novos carros chineses pode estranhar a direção muito leve e anestesiada, além da suspensão excessivamente macia. Por isso, as fabricantes chinesas vêm fazendo clínicas e ajustando seus projetos não apenas para o Brasil, mas também para mercados mais exigentes, como a Europa.

É justamente nesse ponto que o MG4 Urban começa a se diferenciar. Após uma passagem discreta por terras brasileiras, a chinesa de origem britânica tenta recomeçar de maneira mais estruturada. Não por acaso, a nova fase começou por produtos de imagem, como Cyberster, MG4 XPower e MG S5

MG4 Urban Luxury estático no asfalto com sol na cor cinza
MG4 Urban Luxury [Auto+/Luiz Forelli]

Já o MG4 Urban assume a missão de buscar volume e disputar o segmento elétrico mais concorrido do país com preços entre R$ 129.990 e R$ 149.990. E, pelo que sentimos na pista, produto para isso ele tem.

Um chinês que cresceu na Europa

Nosso primeiro contato aconteceu em uma pista no interior de São Paulo. Obviamente, esse não é o ambiente ideal para avaliar um hatch feito para a cidade, já que não tivemos buracos, lombadas, valetas ou remendos suficientes para analisar completamente o conforto.

MG4 Urban Luxury estático no asfalto com sol na cor cinza
MG4 Urban Luxury [Auto+/Luiz Forelli]

Por outro lado, a pista permite explorar com mais liberdade aspectos que normalmente ficam escondidos no trânsito. E um deles bastaram poucas curvas para perceber que o MG4 Urban é o menos chinês entre os hatches elétricos chineses vendidos atualmente no Brasil.

Isso acontece porque o carro não foi desenvolvido pensando apenas no mercado doméstico da SAIC. A plataforma MSP também atende países europeus, onde o consumidor costuma exigir uma direção mais comunicativa, a carroceria controlada e suspensão menos molenga.

MG4 Urban Luxury [Auto+/Luiz Forelli]

Segundo a MG, em conversa com o Auto+, a fabricante avaliou o modelo em diferentes situações no Brasil para verificar se seria necessária uma tropicalização específica. A conclusão foi que a calibração europeia já atendia bem às necessidades brasileiras.

Um europeu com sotaque chinês

Essa personalidade aparece logo nos primeiros metros. Antes mesmo de olhar para potência, autonomia ou lista de equipamentos, o MG4 Urban mostra que seu principal diferencial está na forma como conversa com o motorista.

MG4 Urban Luxury [Auto+/Luiz Forelli]

A direção foi um dos pontos que mais me agradou. Pouco senti, nesse primeiro contato, aquele excesso de assistência elétrica que deixa o volante bobo, artificial e distante do que acontece no asfalto, característica que ainda aparece em boa parte dos elétricos chineses vendidos por aqui.

Aqui, a assistência trabalha de fato em forma progressiva. O peso do volante aumenta naturalmente com a velocidade e permite sentir o que acontece nas rodas dianteiras, sem aquela folga na posição central que sentimos em rivais. 

MG4 Urban Luxury [Auto+/Luiz Forelli]

Além disso, é possível alterar o comportamento do conjunto pelos modos Eco, Normal e Sport. Durante praticamente todo o nosso contato, deixei o MG4 Urban no Sport para sentir o máximo de prontidão da direção e do acelerador.

Bem dosado

O resultado apareceu justamente nas curvas. Assim, a frente aponta exatamente para onde o volante indica, enquanto a direção transmite com clareza o quanto ainda tem de aderência. Ela não mostra aquele peso artificial que vemos em alguns carros da BYD, mas também não some na mão e fica leve demais como modelos da Geely.

MG4 Urban Luxury [Auto+/Luiz Forelli]

Isso permite entrar nas curvas com bastante confiança e fazer pequenas correções de trajetória sem precisar lutar contra o carro. E boa parte dessa sensação também vem devido ao bom controle de carroceria do MG4 Urban traz. 

Graças a bateria instalada sob o assoalho, a concentração de peso na região mais baixa do carro consegue reduzir o centro de gravidade e fazendo com que ele incline muito pouco mesmo quando o ritmo é alto.

MG4 Urban Luxury [Auto+/Luiz Forelli]

Com isso, mesmo forçando o ritmo na pista, a carroceria ficou sempre controlada e o sistema eletrônico precisou intervir poucas vezes, dando confiança para explorar um pouco mais o limite. Mas essa posição mais baixa também pode pagar o pato em ruas esburacadas como temos em nosso grande país. 

Baixo demais para o Brasil

Mesmo tendo bom controle de carroceria, com pouca torção, isso se dá devido a um carro bem baixo. Segundo a fabricante, o MG4 Urban tem 117 mm de altura livre em relação ao solo, ou 11 cm se preferir. 

MG4 Urban Luxury [Auto+/Luiz Forelli]

Isso é uma medida bastante baixa para a realidade brasileira. E para um carro elétrico, não é tão ideal. Na verdade, com nossas lombadas, valetas proeminentes, rampas de garagem e buracos, pode exigir do motorista mais cautela na hora de passar por elas do que seus concorrentes, principalmente porque a bateria fica justamente na região mais próxima do piso.

Durante nosso contato em pista isso, obviamente, não foi um problema. Ainda assim, é um ponto que precisa de atenção em um teste mais longo. Raspar um protetor plástico já incomoda; atingir a região da bateria é uma situação muito mais delicada e potencialmente cara.

MG4 Urban Luxury estático no asfalto com sol na cor cinza
MG4 Urban Luxury [Auto+/Luiz Forelli]

A MG oferece sete anos ou 150 mil quilômetros de garantia para o veículo e oito anos ou 160 mil quilômetros para a bateria, sempre considerando o que ocorrer primeiro. Ainda assim, impactos externos não são tratados como defeito de fabricação.

Portanto, só a convivência no dia a dia mostrará se esses 117 mm representam um problema real ou apenas uma preocupação no papel.

Suspensão? Difícil ainda dizer

MG4 Urban Luxury [Auto+/Luiz Forelli]

Já em relação a suspensão, o conjunto usa McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira. No papel, é uma solução mais simples do o Geely EX2  e o Dolphin SE que usam uma estrutura mais sofisticada, mas isso pouco interferiu na nossa experiência nesse primeiro contato.

Ao passar sobre as zebras da pista, o conjunto demonstrou uma carga de amortecimento até que firme. O impacto aparece, como era esperado, mas a carroceria não quica nem demora para voltar ao lugar depois da irregularidade.

MG4 Urban Luxury [Auto+/Luiz Forelli]

Ainda assim, passar por cima de uma zebra é bem diferente do uso real com emendas e buracos. Por isso, é cedo demais para dizer como será seu comportamento real. O leve contato agradou, mas será preciso descobrir com que frequência a suspensão chega ao fim de curso em impactos mais severos.

Anda bem sem tentar quebrar seu pescoço

Embora a dinâmica seja o principal destaque do MG4 Urban, o conjunto mecânico também agrada por não tentar vender uma esportividade que ele simplesmente não tem. A proposta aqui é entregar respostas rápidas no uso diário e um desempenho equilibrado para quem procura um hatch elétrico urbano.

MG4 Urban Luxury [Auto+/Luiz Forelli]

As versões Comfort e Luxury equipadas com a bateria de 43 kWh (41,9 kWh úteis) utilizam um motor elétrico dianteiro de 150 cv e 25,5 kgfm de torque, suficientes para levar o hatch de 0 a 100 km/h em 9,6 segundos. Já a Luxury 54 recebe uma bateria maior, de 53,9 kWh nominais, e eleva discretamente a potência para 160 cv, mantendo os mesmos 25,5 kgfm de torque.

Na prática, porém, esses 10 cv extras quase passam despercebidos. O tempo de aceleração cai apenas um décimo, de 9,6 para 9,5 segundos, mostrando que a diferença entre elas está longe de ser o desempenho.

MG4 Urban Luxury estático no asfalto com sol na cor cinza
MG4 Urban Luxury [Auto+/Luiz Forelli]

Até porque, dentro da categoria, o MG4 Urban ocupa exatamente o meio do caminho. O BYD Dolphin GS entrega 95 cv, o Geely EX2 chega aos 116 cv, o GWM Ora 03 sobe para 171 cv e o Dolphin SE tem 177 cv. Já o GAC Aion UT lidera esse grupo com 204 cv.

Não falta força

Como acontece em qualquer elétrico, basta tocar no acelerador para sentir o torque instantâneo entrando em ação. As saídas de semáforo vão acontecer com facilidade, tendo retomadas rápidas e mudanças exigindo pouco esforço. Mas isso, até um Dolphin Mini de 75 cv entrega.

MG4 Urban Luxury [Auto+/Luiz Forelli]

Por isso, enquanto a velocidade é baixa, o carro transmite bastante agilidade. Conforme o velocímetro se aproxima dos 100 km/h, porém, o ganho de velocidade passa a acontecer de forma mais progressiva. Mesmo no modo Sport, ele demora um pouco mais para continuar acelerando.

Isso não significa falta de força. Apenas deixa claro que a proposta nunca foi entregar aquela patada encontrada, por exemplo, no GAC Aion UT. Depois que ganha velocidade, o MG4 Urban continua retomando com segurança e não demonstra cansaço, mas sempre privilegiando um comportamento equilibrado em vez da esportividade.

MG4 Urban Luxury [Auto+/Luiz Forelli]

E essa sensação de naturalidade não desaparece quando precisamos frear. Em muitos eletrificados chineses, há aquela sensação de pedal borrachudo, longo e difícil de modular. Aqui no MG4 Urban a sensação foi de um curso bem definido e fácil dosar. Assim, fazendo os 1.422/1.504 kg (Comfort/Luxury) pararem super bem, graças também aos freios a disco nas quatro rodas.  

Porém, essa filosofia aparece mesmo na diferença entre as versões. Já que os 10 cv extras quase não mudam a experiência ao volante, o verdadeiro motivo para investir R$ 10 mil a mais na Luxury 54 está na autonomia.

Autonomia vira um dos maiores argumentos

MG4 Urban Luxury [Auto+/Luiz Forelli]

É justamente aí que a Luxury 54 passa a fazer sentido. As versões Comfort 43 e Luxury 43 percorrem 299 km pelo ciclo do Inmetro. Como o instituto aplica uma redução bastante conservadora sobre os números de laboratório, existe uma boa possibilidade de elas rodarem algo entre 320 km e 330 km no uso real, dependendo principalmente da temperatura e do estilo de condução.

Já a Luxury 54 eleva a autonomia homologada para 358 km. Desta forma, os números podem ficar próximos dos 380 km e até flertar com os 400 km em uso predominantemente urbano. Ou seja, a melhor marca entre os hatches elétricos. 

Recarga acompanha os rivais

MG4 Urban Luxury [Auto+/Luiz Forelli]

Nas versões equipadas com a bateria de 43 kWh, a potência máxima de recarga em corrente contínua chega a 82 kW. Já a Luxury 54 aceita aproximadamente 87 kW. Em corrente alternada, todas trabalham com até 11 kW.

Com isso, a bateria pode passar de 10% para 80% em cerca de 30 minutos quando ligada a um carregador rápido compatível. Não é um número revolucionário, mas também não deixa o MG4 Urban atrás dos principais concorrentes.

MG4 Urban Luxury [Auto+/Luiz Forelli]

Para efeito de comparação, o Geely EX2 aceita até 70 kW, o GWM Ora 03 trabalha com aproximadamente 67 kW, o BYD Dolphin chega perto dos 80 kW e o GAC Aion UT alcança cerca de 87 kW.

Finalmente um chinês não apertado

Por fim, não menos importante, a ergonomia do MG4 Urban, Com meus  1,88 m e costumo sofrer em vários carros chineses, principalmente porque o trilho do banco termina cedo demais.

MG4 Urban Luxury [Auto+/Luiz Forelli]

Isso acontece porque muitos projetos foram pensados para consumidores de estatura menor. Às vezes sobra espaço atrás, mas quem dirige fica apertado, próximo demais do volante e com as pernas dobradas sobre os pedais.

No MG4 Urban, felizmente, a história foi diferente. O banco recua bastante, oferece uma ótima amplitude de regulagem de altura e permite acomodar corretamente as pernas. O volante também tem um bom ajuste de distância.

Três versões, mas apenas duas receitas

MG4 Urban Luxury [Auto+/Luiz Forelli]

O MG4 Urban chega ao Brasil em três versões. A Comfort 43 parte de R$ 129.990, a Luxury 43 custa R$ 139.990 e, no topo da gama, a Luxury 54 sai por R$ 149.990.

Entre as duas primeiras, a diferença está basicamente na lista de equipamentos. A Comfort utiliza rodas de 16 polegadas com calotas aerodinâmicas, enquanto a Luxury adiciona rodas de liga leve de 17 polegadas, volante revestido em couro, aquecimento para os bancos dianteiros e também para o volante.

MG4 Urban Luxury [Auto+/Luiz Forelli]

Ela ainda acrescenta iluminação ambiente com 64 cores, câmera de 360 graus, banco do motorista com ajuste elétrico, vidros traseiros escurecidos, retrovisores com rebatimento elétrico automático, alto-falantes traseiros e carregador de celular por indução.

Já a Luxury 54 mantém praticamente o mesmo pacote de equipamentos, mas troca aquilo que realmente muda a experiência de uso: a bateria. É ela que entrega a autonomia maior e justifica os R$ 10 mil adicionais, já que o ganho de desempenho é praticamente imperceptível.

Veredicto

MG4 Urban Luxury estático no asfalto com sol na cor cinza
MG4 Urban Luxury [Auto+/Luiz Forelli]

Depois desse primeiro contato, ficou claro que o maior mérito do MG4 Urban não está na ficha técnica. Sua potência, autonomia e equipamentos são competitivos, mas vários concorrentes também entregam esses números parecidos.

O diferencial aparece justamente onde boa parte dos elétricos chineses ainda deixa a desejar: na forma como o carro dirige. A direção conversa com o motorista, a carroceria é controlada, enquanto a suspensão…. é precisamos de mais tempo. Mas nesse leve contato, deu a entender que ele se comporta muito mais como um hatch europeu do que como um elétrico chinês tradicional.

E você, compraria o MG4 Urban? Deixe seu comentário!

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Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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