Ao vivo
Home » Novidades » Bugatti encerra uma era de 28 anos e muda seu futuro

Novidades

Fim

Bugatti encerra uma era de 28 anos e muda seu futuro

Venda encerra uma história iniciada por Ferdinand Piëch em 1998 e coloca de vez o futuro da Bugatti nas mãos de Mate Rimac e novos investidores

6 min de leitura

Depois de quase três décadas, a Bugatti não tem mais ligação societária com o Grupo Volkswagen. A Porsche concluiu a venda de toda sua participação na Bugatti Rimac e também saiu do Grupo Rimac, encerrando uma história que começou ainda em 1998 pelas mãos de Ferdinand Piëch. E não por menos, a venda foi grande: a fabricante alemã vai receber cerca de 1 bilhão de euros com a operação. 

A conclusão aconteceu no dia 9 de setembro, depois das aprovações regulatórias. Até então, a Porsche tinha 45% da Bugatti Rimac e cerca de 21% do Grupo Rimac. Portanto, enquanto a Bugatti já não funcionava havia alguns anos como uma marca tradicional diretamente controlada pela Volkswagen, ainda existia uma ligação bastante forte com o grupo através da Porsche. Agora não existe mais. 

Só a Rimac não simplesmente comprou os 45% da Porsche e virou dona de 100% da Bugatti. Quem comprou as participações foi um consórcio internacional liderado pela HOF Capital, dos Estados Unidos. A BlueFive Capital, de Abu Dhabi, aparece como maior investidora desse grupo, além de outros fundos norte-americanos e europeus. 

Bugatti Tourbillon [Divulgação]

Enquanto isso, o Grupo Rimac continua sendo o acionista majoritário da Bugatti Rimac, com 55%. Desta forma, mudou o dinheiro por trás da Bugatti, mas Mate Rimac continua sendo o homem que vai ditar seu futuro.

Porsche quer dinheiro e menos coisas para administrar

A saída também acontece em um momento bastante específico para a Porsche. A alemã está passando por uma reorganização grande e já deixou claro que quer voltar a concentrar dinheiro e energia no seu negócio principal. 

Bugatti Tourbillon vermelho parado de traseira com oito saídas de escape
Bugatti Tourbillon [Divulgação]

Nos últimos meses, ela cortou projetos paralelos, começou a rever investimentos e tenta lidar ao mesmo tempo com a queda das vendas na China e uma transição para carros elétricos que não aconteceu na velocidade que boa parte da indústria esperava. Nesse cenário, 1 bilhão de euros entrando no caixa ajuda bastante.

Dos recursos obtidos com a venda, 250 milhões de euros serão destinados às obrigações previdenciárias da Porsche. Além disso, a empresa elevou a previsão de margem de fluxo de caixa líquido da divisão automotiva em 2026. Antes, trabalhava com algo entre 3% e 5%. Agora espera de 5,5% a 7,5%. 

Bugatti Mistral Caroline parado de frente com fundo neutro
Bugatti Mistral Caroline [Divulgação]

Portanto, não parece uma questão de a Porsche ter simplesmente desistido da Bugatti porque o projeto não funcionou. A lógica é outra. A marca alemã está vendendo ativos e simplificando sua estrutura justamente para colocar a própria casa em ordem.E a Bugatti, curiosamente, chega nessa separação em uma situação bem diferente daquela que tinha quando entrou na Volkswagen.

Tudo começou com uma ideia maluca de Ferdinand Piëch

Para entender o tamanho dessa mudança, temos que voltar até o fim dos anos 1990. Ferdinand Piëch queria fazer algo que basicamente não existia. Em 1997, durante uma viagem de trem-bala pelo Japão, começou a desenhar a ideia de um motor com 18 cilindros. Pouco depois, decidiu que a Bugatti seria a marca perfeita para transformar aquilo em carro.

Bugatti Veyron vermelho e preto parado de lado
Bugatti Veyron [divulgação]

Em 5 de maio de 1998, a Volkswagen garantiu os direitos sobre o nome Bugatti. Piëch não queria apenas colocar mais uma fabricante de luxo dentro do grupo. A ideia era criar um carro capaz de passar dos 400 km/h, entregar mais de 1.000 cv e, ao mesmo tempo, não ser uma máquina impossível de usar na rua. 

Parece normal falar de hipercarro com quatro dígitos de potência hoje, todavia em 1998, definitivamente não era. Dessa obsessão nasceu o Veyron. O carro chegou em 2005 com motor W16 8.0 quadriturbo, 1.001 cv e velocidade máxima superior a 400 km/h. 

Bugatti Veyron vermelho e preto parado de traseira
Bugatti Veyron [Divulgação]

Na época, basicamente obrigou a indústria inteira a rever aquilo que considerava possível fazer em um carro de rua.  Depois vieram Chiron, Divo, Centodieci, Bolide e Mistral. Só que a estrutura da Bugatti já começaria a mudar antes mesmo do fim definitivo da era W16.

Em 2021, Bugatti já começou a sair da Volkswagen

A primeira grande separação aconteceu há cinco anos. Em 2021, Porsche e Rimac criaram a Bugatti Rimac. O Grupo Rimac ficou com 55% do novo negócio, enquanto a Porsche ficou com os outros 45%. Ao mesmo tempo, a própria Porsche também possuía pouco mais de 20% do Grupo Rimac. 

Bugatti Chiron Pur Sport preto em foto de movimento na pista com arquibancadas ao fundo
Bugatti Chiron Pur Sport [Divulgação / autowp.ru]

Foi uma solução bastante diferente daquela velha estrutura em que a Bugatti estava diretamente debaixo do guarda-chuva da Volkswagen. Assim, a Rimac passou a comandar o desenvolvimento da nova era da marca, enquanto a Porsche continuava dentro do negócio e mantinha uma ponte direta com o Grupo Volkswagen. Com isso, essa ponte acabou agora.

Bugatti do futuro tem V16 e 1.800 cv

Se alguém imaginou que Mate Rimac transformaria a Bugatti simplesmente em uma Rimac Nevera francesa, aconteceu quase o contrário. O Tourbillon abandonou o velho W16 quadriturbo, mas não foi para um conjunto totalmente elétrico. 

Bugatti Tourbillon [Divulgação]

No lugar dele apareceu um novo V16 8.3 aspirado desenvolvido com ajuda da Cosworth, capaz de chegar a 9.000 rpm. São 1.000 cv somente no motor a combustão. Além disso, três motores elétricos adicionam outros 800 cv. O sistema híbrido chega, portanto, aos 1.800 cv. A Bugatti fala em 0 a 100 km/h em aproximadamente dois segundos e velocidade máxima de até 445 km/h. 

É justamente esse carro que inaugura a fase da Bugatti sem qualquer participação da Volkswagen ou da Porsche. Serão apenas 250 unidades, com preço inicial de 3,8 milhões de euros (cerca de R$ 22,4 milhões antes de impostos). E não adianta aparecer agora com o cheque, pois todos os espaços de produção já foram reservados. 

Bugatti Tourbillon [Divulgação]

Inclusive, a Bugatti inaugurou em julho uma nova área de produção em Molsheim justamente para a era Tourbillon. Portanto, enquanto a Porsche sai, a fabricante francesa está colocando dinheiro em sua próxima etapa. 

Mate Rimac fica ainda mais poderoso

Mate Rimac já era CEO da Bugatti Rimac desde a criação da joint venture, em 2021. Agora, além disso, assumirá a presidência da Bugatti Automobiles. Christophe Piochon deixa a função, enquanto uma nova estrutura executiva começa a ser montada ao redor de Rimac. 

Desta forma, a Rimac continua com os 55% da Bugatti Rimac, o novo grupo de investidores ocupa o espaço deixado pela Porsche e Mate Rimac concentra ainda mais poder sobre produto e estratégia.

E você, o que acha dessa mudança na Bugatti? Deixe seu comentário!

Deixe um comentário

Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

Você também poderá gostar